Manual de Raios X de Tórax

Jonathan Corne e Maruti Kumaran · Capítulo 17 de 84

Páginas do PDF

Manual de Raios X de Tórax

Interpretando as imagens

dose mais elevada de radiação.

 

Interpretando as imagens

A interpretação da TC requer uma signi cativa experiência e deve apenas

ser realizada por um radiologista. Assim como a experiência em interpretar

os cortes de imagens, os radiologistas possuem acesso ao programa que

permitirá que eles apresentem as imagens de outra maneira, como, por

exemplo, nos planos sagital e coronal, assim como imagens transversais e

tridimensionais. As tomogra as que incluímos neste livro foram

selecionadas porque ilustram situações em que, trabalhando em

enfermarias, emergências ou ambulatórios, você provavelmente vai solicitar

TC, e um básico conhecimento sobre como elas são interpretadas será de

grande valia.

 

Encontrando o caminho em torno da TC

É complicado, mas se você aprender alguns conhecimentos básicos de

anatomia, o resto pode ser construído mais tarde. Assim como para uma

RXT plana, é importante você ter um esquema para trabalhar. A forma para

tornar a anatomia o mais simples possível é conhecer as estruturas básicas

nos principais cortes da TC. Assim que tiver identi cado o corte e as

estruturas, você conseguirá acompanhá-las para cima e para baixo do tórax,

observando os cortes consecutivos.

 

As janelas de mediastino

 

Primeiro você precisa observar as janelas de mediastino. A Figura 3.1 A–F

ilustra os cortes principais que você deve identi car. Caso aprenda a

anatomia de cada um destes níveis, você será capaz de se localizar na TC.

Figura 3.1 (A) A traqueia na linha média na frente é mostrada como uma

 

estrutura escura preenchida por ar (1). Ao redor da traqueia, a área

branca é a tireoide, que aparece em branco porque contém uma grande

quantidade de iodo (2).

 

Figura 3.1 (B) Começando no lado direito do paciente, a primeira

estrutura é a veia braquiocefálica direita (2). Medial a ela está a artéria

braquiocefálica (3). Logo anterolateral à traqueia está a veia braquiocefálica esquerda (4). Os dois vasos menores na esquerda são a

artéria carótida comum (5) seguida da artéria subclávia esquerda (6). O

manúbrio pode ser observado anteriormente (1).

 

Figura 3.1 (C) A estrutura mais proeminente é o arco da aorta (2), que

aparece como uma estrutura oblonga branca. A traqueia anda está

visível. Próxima a ela, na direita do paciente, está a veia cava superior (3),

que possui uma estSSrutura oval. O manúbrio pode ser observado

anteriormente (1).

Figura 3.1 (D) Tronco da artéria pulmonar (4) dividido em ramos

pulmonares direito e esquerdo. Não é mais possível ver a traqueia, uma

vez que neste ponto ela já se dividiu em brônquio direito e esquerdo (1,

2). As outras grandes estruturas vasculares são as aortas ascendente e

descendente. A aorta ascendente está anterior e a aorta descendente (3)

está posterior próxima à coluna. O orifício preto bem pequeno à frente da

aorta descendente é o esôfago (5).

Figura 3.1 (E) O ventrículo esquerdo é a área branca preenchida no lado

esquerdo do paciente (1). Ele possui uma parede espessa, que aparece ao

redor da área branca. O ventrículo direito (2) é observado anteriormente

no lado direito do paciente. As artérias e veias pulmonares também estão

visíveis (3, 4).

Figura 3.1 (F) O fígado agora está visível (1). A veia cava inferior está

visível. O vaso na frente da coluna é a aorta torácica descendente (2).

 

Na Figura 3.1 A, você consegue visualizar o corte realizado ao nível da

vértebra C1 na altura das articulações do ombro. A Figura 3.1 B foi obtida

na altura do manúbrio, que pode ser visualizado como um osso chato

anteriormente (1). Você consegue ver inúmeros vasos sanguíneos, que são

estruturas circulares no interior do mediastino. Você precisa saber a

anatomia destes vasos. Na Figura 3.1 C, é possível visualizar o corte

realizado na altura do arco aórtico. O esterno está visível na frente.

O corte na Figura 3.1 D foi feito na altura da artéria pulmonar principal,

visualizada na forma de um “Y” invertido. Na Figura 3.1 E, o corte foi feito

mais inferior, na altura do coração. As paredes do ventrículo direito estão mais nas que as paredes do ventrículo esquerdo. Nesta altura, é possível

visualizar inúmeras áreas pequenas cinza/brancas no interior do pulmão (3,

4). Estas são as artérias e veias pulmonares. Na Figura 3.1 F, o corte foi feito

na parte de baixo dos pulmões e agora é possível visualizar o fígado.

 

FOCO NOS LINFONODOS

A TC é um método sensível para pesquisar linfonodos mediastinais e

outros linfonodos aumentados. Estes devem estar substancialmente

aumentados para serem visíveis na RXT.

Os linfonodos tendem a ser ovais quanto ao formato e são

estruturas discretas. Ao contrário, vasos sanguíneos se conectam a

ramos menores e maiores, o que é possível visualizar nos cortes

adjacentes. Caso o exame seja realçado por contraste, os vasos

sanguíneos aparecerão mais brancos que os linfonodos. Geralmente,

os linfonodos possuem uma área central de baixa densidade, uma vez

que eles contêm gordura no meio.

Um linfonodo in amado ou maligno estará aumentado. Nós

consideramos os linfonodos aumentados quando seus menores

diâmetros têm mais de 10 mm.

 

Os linfonodos estão localizados em áreas especí cas do mediastino:

a. Próximo à traqueia, em diversas alturas.

b. Abaixo do arco aórtico.

c. À frente e abaixo da bifurcação traqueal (conhecida como carina).

d. Nos hilos, próximo às artérias e veias pulmonares.

Os principais grupos de linfonodos estão mostrados nas Figuras 3.2–3.4.

Figura 3.2 A imagem mostra grandes linfonodos (1) situados à direita da

 

traqueia, que é observada como um círculo negro (2). Estes são

denominados linfonodos paratraqueais, uma vez que se localizam ao

lado da traqueia.

Figura 3.3 A imagem foi obtida na altura da carina. É possível observar

dois grupos de linfonodos. O primeiro grupo (1) está à frente da carina e,

portanto, na extremidade inferior da traqueia, e estes são denominados

linfonodos paratraqueais inferiores. O segundo grupo (2) localiza-se

entre as aortas ascendente e descendente, logo abaixo do arco aórtico.

Estes são denominados linfonodos aortopulmonares.

Figura 3.4 Esta imagem foi obtida abaixo da altura da carina e é possível

observar os brônquios direito e esquerdo. Existem três grupos de

linfonodos aumentados. O primeiro grupo está situado entre os

brônquios direito e esquerdo, logo abaixo da carina (1). Estes são

denominados linfonodos subcarinais. Os outros dois grupos estão

localizados lateralmente aos brônquios direito (2) e esquerdo (3) e são

denominados linfonodos hilares. Os linfonodos hilares estão localizados

próximo aos ramos das artérias pulmonares, que são observados como

estruturas brancas, uma vez que possuem contraste. Isso ilustra a

importância de administrar contraste para diferenciar os linfonodos dos

vasos sanguíneos.

 

Ossos e outros tecidos moles

 

Lembre-se de concluir sua revisão das janelas de mediastino observando os

ossos e as partes moles ao redor dos pulmões. Veri que se as superfícies dos ossos estão contínuas, uma vez que fraturas e metástases precisam ser

consideradas. Também revise as partes moles; a TC permite que você

observe a pele e a gordura subcutânea, assim como os músculos.

 

As janelas de pulmão

 

Agora visualize as janelas de pulmão (Fig. 3.5 A–H). Você precisará saber

como identi car os lobos do pulmão para assim localizar qualquer doença.

 

Na Figura 3.5 A–C é possível identi car a traqueia (1). Acompanhe-a para

baixo até que ela se divida, na carina (2), em brônquios principais esquerdo

(3) e direito (4).

Para identi car os brônquios principais, observe a Figura 3.5 C–F. Na C, à

direita, o brônquio principal direito se divide para dar origem a um tubo

oval preto, o brônquio do lobo superior (5). A via aérea remanescente é

agora denominada brônquio intermediário (6). Isso dá origem a um ramo

anterior, que é o brônquio do lobo médio (8), e o resto continua para baixo e

para trás como brônquio do lobo inferior (9).

Na Figura 3.5 G, à esquerda, o brônquio do lobo superior dá origem ao que

vai até a língula (7), e o brônquio do lobo inferior segue sozinho (10). Pode

ajudar lembrar que o lobo inferior esquerdo é menor que o direito devido ao

espaço ocupado pelo coração.

Figura 3.5 (A) Traqueia (1). (B) Fissuras maiores (FMa) na esquerda e

direita, e carina (2). (C) Brônquios principais esquerdo e direito (3, 4) e

brônquio do lobo superior (5).

Figura 3.5 (D, E) Fissura menor (FMe), brônquio intermediário (6) e

brônquio do lobo superior esquerdo (7).

Figura 3.5 (F, G) Brônquio do lobo superior dá origem ao brônquio

lingular (7), ao brônquio do lobo médio (8) e aos brônquios dos lobos

inferiores (9, 10).

Figura 3.5 (H) As FMas direita e esquerda são mostradas.

 

Você pode acompanhar os brônquios para identi car os lobos principais do

pulmão. Os lobos do pulmão estão circundados por ssuras, e deve-se tentar

identi cá-las com o objetivo de trabalhar as bordas de cada lobo. A

aparência da ssura diferirá, dependendo da espessura do corte. Na TCAR,

a ssura aparecerá como uma na linha branca. Na TC espiral, com cortes

mais espessos, a na linha branca geralmente é perdida. O suprimento

sanguíneo para cada pulmão vem do hilo, e os ramos dos vasos cam

menores à medida que caminham para a periferia do pulmão; portanto, em

um corte mais grosso da TC, em vez de uma linha branca, você observará uma faixa linear mais escura. Nenhum vaso sanguíneo parece cruzar a