Manual de Raios X de Tórax
Interpretando as imagens
dose mais elevada de radiação.
Interpretando as imagens
A interpretação da TC requer uma signi cativa experiência e deve apenas
ser realizada por um radiologista. Assim como a experiência em interpretar
os cortes de imagens, os radiologistas possuem acesso ao programa que
permitirá que eles apresentem as imagens de outra maneira, como, por
exemplo, nos planos sagital e coronal, assim como imagens transversais e
tridimensionais. As tomogra as que incluímos neste livro foram
selecionadas porque ilustram situações em que, trabalhando em
enfermarias, emergências ou ambulatórios, você provavelmente vai solicitar
TC, e um básico conhecimento sobre como elas são interpretadas será de
grande valia.
Encontrando o caminho em torno da TC
É complicado, mas se você aprender alguns conhecimentos básicos de
anatomia, o resto pode ser construído mais tarde. Assim como para uma
RXT plana, é importante você ter um esquema para trabalhar. A forma para
tornar a anatomia o mais simples possível é conhecer as estruturas básicas
nos principais cortes da TC. Assim que tiver identi cado o corte e as
estruturas, você conseguirá acompanhá-las para cima e para baixo do tórax,
observando os cortes consecutivos.
As janelas de mediastino
Primeiro você precisa observar as janelas de mediastino. A Figura 3.1 A–F
ilustra os cortes principais que você deve identi car. Caso aprenda a
anatomia de cada um destes níveis, você será capaz de se localizar na TC.
Figura 3.1 (A) A traqueia na linha média na frente é mostrada como uma
estrutura escura preenchida por ar (1). Ao redor da traqueia, a área
branca é a tireoide, que aparece em branco porque contém uma grande
quantidade de iodo (2).
Figura 3.1 (B) Começando no lado direito do paciente, a primeira
estrutura é a veia braquiocefálica direita (2). Medial a ela está a artéria
braquiocefálica (3). Logo anterolateral à traqueia está a veia braquiocefálica esquerda (4). Os dois vasos menores na esquerda são a
artéria carótida comum (5) seguida da artéria subclávia esquerda (6). O
manúbrio pode ser observado anteriormente (1).
Figura 3.1 (C) A estrutura mais proeminente é o arco da aorta (2), que
aparece como uma estrutura oblonga branca. A traqueia anda está
visível. Próxima a ela, na direita do paciente, está a veia cava superior (3),
que possui uma estSSrutura oval. O manúbrio pode ser observado
anteriormente (1).
Figura 3.1 (D) Tronco da artéria pulmonar (4) dividido em ramos
pulmonares direito e esquerdo. Não é mais possível ver a traqueia, uma
vez que neste ponto ela já se dividiu em brônquio direito e esquerdo (1,
2). As outras grandes estruturas vasculares são as aortas ascendente e
descendente. A aorta ascendente está anterior e a aorta descendente (3)
está posterior próxima à coluna. O orifício preto bem pequeno à frente da
aorta descendente é o esôfago (5).
Figura 3.1 (E) O ventrículo esquerdo é a área branca preenchida no lado
esquerdo do paciente (1). Ele possui uma parede espessa, que aparece ao
redor da área branca. O ventrículo direito (2) é observado anteriormente
no lado direito do paciente. As artérias e veias pulmonares também estão
visíveis (3, 4).
Figura 3.1 (F) O fígado agora está visível (1). A veia cava inferior está
visível. O vaso na frente da coluna é a aorta torácica descendente (2).
Na Figura 3.1 A, você consegue visualizar o corte realizado ao nível da
vértebra C1 na altura das articulações do ombro. A Figura 3.1 B foi obtida
na altura do manúbrio, que pode ser visualizado como um osso chato
anteriormente (1). Você consegue ver inúmeros vasos sanguíneos, que são
estruturas circulares no interior do mediastino. Você precisa saber a
anatomia destes vasos. Na Figura 3.1 C, é possível visualizar o corte
realizado na altura do arco aórtico. O esterno está visível na frente.
O corte na Figura 3.1 D foi feito na altura da artéria pulmonar principal,
visualizada na forma de um “Y” invertido. Na Figura 3.1 E, o corte foi feito
mais inferior, na altura do coração. As paredes do ventrículo direito estão mais nas que as paredes do ventrículo esquerdo. Nesta altura, é possível
visualizar inúmeras áreas pequenas cinza/brancas no interior do pulmão (3,
4). Estas são as artérias e veias pulmonares. Na Figura 3.1 F, o corte foi feito
na parte de baixo dos pulmões e agora é possível visualizar o fígado.
FOCO NOS LINFONODOS
A TC é um método sensível para pesquisar linfonodos mediastinais e
outros linfonodos aumentados. Estes devem estar substancialmente
aumentados para serem visíveis na RXT.
Os linfonodos tendem a ser ovais quanto ao formato e são
estruturas discretas. Ao contrário, vasos sanguíneos se conectam a
ramos menores e maiores, o que é possível visualizar nos cortes
adjacentes. Caso o exame seja realçado por contraste, os vasos
sanguíneos aparecerão mais brancos que os linfonodos. Geralmente,
os linfonodos possuem uma área central de baixa densidade, uma vez
que eles contêm gordura no meio.
Um linfonodo in amado ou maligno estará aumentado. Nós
consideramos os linfonodos aumentados quando seus menores
diâmetros têm mais de 10 mm.
Os linfonodos estão localizados em áreas especí cas do mediastino:
a. Próximo à traqueia, em diversas alturas.
b. Abaixo do arco aórtico.
c. À frente e abaixo da bifurcação traqueal (conhecida como carina).
d. Nos hilos, próximo às artérias e veias pulmonares.
Os principais grupos de linfonodos estão mostrados nas Figuras 3.2–3.4.
Figura 3.2 A imagem mostra grandes linfonodos (1) situados à direita da
traqueia, que é observada como um círculo negro (2). Estes são
denominados linfonodos paratraqueais, uma vez que se localizam ao
lado da traqueia.
Figura 3.3 A imagem foi obtida na altura da carina. É possível observar
dois grupos de linfonodos. O primeiro grupo (1) está à frente da carina e,
portanto, na extremidade inferior da traqueia, e estes são denominados
linfonodos paratraqueais inferiores. O segundo grupo (2) localiza-se
entre as aortas ascendente e descendente, logo abaixo do arco aórtico.
Estes são denominados linfonodos aortopulmonares.
Figura 3.4 Esta imagem foi obtida abaixo da altura da carina e é possível
observar os brônquios direito e esquerdo. Existem três grupos de
linfonodos aumentados. O primeiro grupo está situado entre os
brônquios direito e esquerdo, logo abaixo da carina (1). Estes são
denominados linfonodos subcarinais. Os outros dois grupos estão
localizados lateralmente aos brônquios direito (2) e esquerdo (3) e são
denominados linfonodos hilares. Os linfonodos hilares estão localizados
próximo aos ramos das artérias pulmonares, que são observados como
estruturas brancas, uma vez que possuem contraste. Isso ilustra a
importância de administrar contraste para diferenciar os linfonodos dos
vasos sanguíneos.
Ossos e outros tecidos moles
Lembre-se de concluir sua revisão das janelas de mediastino observando os
ossos e as partes moles ao redor dos pulmões. Veri que se as superfícies dos ossos estão contínuas, uma vez que fraturas e metástases precisam ser
consideradas. Também revise as partes moles; a TC permite que você
observe a pele e a gordura subcutânea, assim como os músculos.
As janelas de pulmão
Agora visualize as janelas de pulmão (Fig. 3.5 A–H). Você precisará saber
como identi car os lobos do pulmão para assim localizar qualquer doença.
Na Figura 3.5 A–C é possível identi car a traqueia (1). Acompanhe-a para
baixo até que ela se divida, na carina (2), em brônquios principais esquerdo
(3) e direito (4).
Para identi car os brônquios principais, observe a Figura 3.5 C–F. Na C, à
direita, o brônquio principal direito se divide para dar origem a um tubo
oval preto, o brônquio do lobo superior (5). A via aérea remanescente é
agora denominada brônquio intermediário (6). Isso dá origem a um ramo
anterior, que é o brônquio do lobo médio (8), e o resto continua para baixo e
para trás como brônquio do lobo inferior (9).
Na Figura 3.5 G, à esquerda, o brônquio do lobo superior dá origem ao que
vai até a língula (7), e o brônquio do lobo inferior segue sozinho (10). Pode
ajudar lembrar que o lobo inferior esquerdo é menor que o direito devido ao
espaço ocupado pelo coração.
Figura 3.5 (A) Traqueia (1). (B) Fissuras maiores (FMa) na esquerda e
direita, e carina (2). (C) Brônquios principais esquerdo e direito (3, 4) e
brônquio do lobo superior (5).
Figura 3.5 (D, E) Fissura menor (FMe), brônquio intermediário (6) e
brônquio do lobo superior esquerdo (7).
Figura 3.5 (F, G) Brônquio do lobo superior dá origem ao brônquio
lingular (7), ao brônquio do lobo médio (8) e aos brônquios dos lobos
inferiores (9, 10).
Figura 3.5 (H) As FMas direita e esquerda são mostradas.
Você pode acompanhar os brônquios para identi car os lobos principais do
pulmão. Os lobos do pulmão estão circundados por ssuras, e deve-se tentar
identi cá-las com o objetivo de trabalhar as bordas de cada lobo. A
aparência da ssura diferirá, dependendo da espessura do corte. Na TCAR,
a ssura aparecerá como uma na linha branca. Na TC espiral, com cortes
mais espessos, a na linha branca geralmente é perdida. O suprimento
sanguíneo para cada pulmão vem do hilo, e os ramos dos vasos cam
menores à medida que caminham para a periferia do pulmão; portanto, em
um corte mais grosso da TC, em vez de uma linha branca, você observará uma faixa linear mais escura. Nenhum vaso sanguíneo parece cruzar a