Manual de Raios X de Tórax
Infiltrado miliar
Inúmeras anormalidades causam uma aparência do pulmão manchado ou
miliar (Fig. 4.40), contudo o pulmão normal também pode ter uma
aparência irregular ou manchada, especialmente em pacientes obesos. Caso
considere que o pulmão pareça cheio de pontos, você primeiro deve
determinar se este é um in ltrado miliar ou um pulmão normal:
1. Observe a distribuição do in ltrado. Olhe cuidadosamente a periferia.
Caso o in ltrado esteja presente na periferia, é muito mais provável que
seja patológico. Às vezes, a vascularização normal pode mimetizar um
in ltrado intersticial, todavia isso geralmente ocorre apenas na direção do
centro dos campos pulmonares.
Figura 4.40 Radiogra a de tórax de um
homem de 32 anos com imunode ciência. (A)
O típico in ltrado miliar característico da
tuberculose (TB) é mostrado.
2. Examine cuidadosamente o in ltrado. Com o in ltrado miliar, as
opacidades devem ser discretas. O ruído gerado pelos tecidos moles
sobrejacentes pode causar um aspecto de borramento.
3. Compare algumas das opacidades entre elas. Se o in ltrado for miliar, elas
devem ter densidade e tamanho semelhantes.
Caso você acredite que o in ltrado seja miliar, procure por dicas de sua
causa. As possibilidades prováveis são TB miliar, sarcoidose ou metástase
miliar maligna:
1. Observe novamente a distribuição. Com a TB miliar, as opacidades são
mais abundantes na região superior; na sarcoidose elas estão mais
abundantes nas regiões peri-hilar e média; e na metástase miliar pode
haver mais opacidade na região inferior.
2. Observe a densidade. Densidade elevada, imagens muito brancas
provavelmente são doenças relacionadas com poeiras industriais ou TB
calci cada. Alterações menos densas poderiam ter como causa metástases
múltiplas, sarcoidose ou qualquer outra causa de in ltrado miliar.
3. Procure, no restante da radiogra a, sinais de outras doenças. Observe o
hilo. O aumento hilar unilateral sugere TB, e o aumento hilar bilateral,
sarcoidose. Procure na parte superior do mediastino por aumento da
tireoide, o que poderia sugerir metástases a partir de um carcinoma de
tireoide. Procure nos ápices por lesões escavadas sutis sugestivas de TB.
Entretanto, observe que a presença de in ltrado apical, embora sugestiva
de TB, é na verdade muito rara em pacientes com disseminação miliar.
Figura 4.40 (B) Também há in ltrado leve no ápice esquerdo compatível
com TB.
FOCO NA TUBERCULOSE
A tuberculose pode causar um grande número de alterações na RXT. É
um diagnóstico que frequentemente pode ser esquecido, e você deve
sempre pensar em incluí-la no seu diagnóstico diferencial em
qualquer alteração na RXT.
A TB pulmonar primária é geralmente uma doença autolimitante e
geralmente assintomática. A infecção leva ao desenvolvimento de um
complexo primário no pulmão, que ao longo dos anos vai calci car,
formando um granuloma. A Figura 4.41 mostra um exemplo de tal
granuloma. Em algumas ocasiões, a infecção primária não está
limitada, e o paciente desenvolve as complicações observadas na
doença reativada.
Posteriormente na vida, caso a resposta imune que menos
e ciente em razão de uma doença, idade ou reinfecção, a infecção
primária pode ser reativada, e o paciente geralmente vai desenvolver
sintomas. Estes podem incluir tosse, hemoptise ou febre, ou pode ser
mais indolente, como perda de peso e de apetite. A TB reativada pode
causar inúmeras alterações na RXT. Ela é uma causa de derrame
pleural ou atelectasia pulmonar. Outras alterações que podem fazer
você pensar especi camente em TB são consolidação do lobo
superior (Fig. 4.22), lesões escavadas únicas ou múltiplas (Figs. 4.43 e
4.44), linfonodos hilares aumentados (Fig. 4.45) ou TB miliar (Fig.
4.40).A tuberculose pode levar a alterações bróticas crônicas no
pulmão. Tipicamente, estas estão nas regiões superiores, como
mostrado na Figura 4.46.
Figura 4.41 Radiogra a de tórax de uma mulher de 27 anos com asma.
Há um achado incidental, um pequeno granuloma (1) no ápice direito.
Isso provavelmente é o resultado de uma infecção anterior por
tuberculose, que, nesta paciente, como em muitos outros, foi subclínica.
Figura 4.42 RXT mostrando uma área de consolidação do lobo superior
(1) em um paciente com tuberculose pulmonar.
Figura 4.43 Esta é a RXT de uma mulher de 26 anos que foi tratada para
tuberculose. É possível ver uma escavação com paredes um tanto
espessas (seta) no ápice direito.
Figura 4.44 Múltiplas cavidades na tuberculose (setas).
Figura 4.45 Tuberculose em linfonodos hilares. Esta RXT mostra uma
linfadenopatia paratraqueal direita (1) e linfadenopatia hilar direita (2)
devido a uma tuberculose em atividade.
Figura 4.46 RXT mostrando alterações bróticas crônicas no lobo
superior (1) em um paciente com tuberculose pulmonar antiga.
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