Manual de Raios X de Tórax

Jonathan Corne e Maruti Kumaran · Capítulo 41 de 84

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Manual de Raios X de Tórax

Infiltrado miliar

 

Inúmeras anormalidades causam uma aparência do pulmão manchado ou

miliar (Fig. 4.40), contudo o pulmão normal também pode ter uma

aparência irregular ou manchada, especialmente em pacientes obesos. Caso

considere que o pulmão pareça cheio de pontos, você primeiro deve

determinar se este é um in ltrado miliar ou um pulmão normal:

 

1. Observe a distribuição do in ltrado. Olhe cuidadosamente a periferia.

Caso o in ltrado esteja presente na periferia, é muito mais provável que

seja patológico. Às vezes, a vascularização normal pode mimetizar um

in ltrado intersticial, todavia isso geralmente ocorre apenas na direção do

centro dos campos pulmonares.

 

Figura 4.40 Radiogra a de tórax de um

homem de 32 anos com imunode ciência. (A)

O típico in ltrado miliar característico da

tuberculose (TB) é mostrado.

2. Examine cuidadosamente o in ltrado. Com o in ltrado miliar, as

 

opacidades devem ser discretas. O ruído gerado pelos tecidos moles

sobrejacentes pode causar um aspecto de borramento.

3. Compare algumas das opacidades entre elas. Se o in ltrado for miliar, elas

devem ter densidade e tamanho semelhantes.

Caso você acredite que o in ltrado seja miliar, procure por dicas de sua

causa. As possibilidades prováveis são TB miliar, sarcoidose ou metástase

miliar maligna:

1. Observe novamente a distribuição. Com a TB miliar, as opacidades são

mais abundantes na região superior; na sarcoidose elas estão mais

abundantes nas regiões peri-hilar e média; e na metástase miliar pode

haver mais opacidade na região inferior.

2. Observe a densidade. Densidade elevada, imagens muito brancas

provavelmente são doenças relacionadas com poeiras industriais ou TB

calci cada. Alterações menos densas poderiam ter como causa metástases

múltiplas, sarcoidose ou qualquer outra causa de in ltrado miliar.

3. Procure, no restante da radiogra a, sinais de outras doenças. Observe o

hilo. O aumento hilar unilateral sugere TB, e o aumento hilar bilateral,

sarcoidose. Procure na parte superior do mediastino por aumento da

tireoide, o que poderia sugerir metástases a partir de um carcinoma de

tireoide. Procure nos ápices por lesões escavadas sutis sugestivas de TB.

Entretanto, observe que a presença de in ltrado apical, embora sugestiva

de TB, é na verdade muito rara em pacientes com disseminação miliar.

Figura 4.40 (B) Também há in ltrado leve no ápice esquerdo compatível

com TB.

 

FOCO NA TUBERCULOSE

A tuberculose pode causar um grande número de alterações na RXT. É

um diagnóstico que frequentemente pode ser esquecido, e você deve

sempre pensar em incluí-la no seu diagnóstico diferencial em

qualquer alteração na RXT.

A TB pulmonar primária é geralmente uma doença autolimitante e

geralmente assintomática. A infecção leva ao desenvolvimento de um

complexo primário no pulmão, que ao longo dos anos vai calci car,

formando um granuloma. A Figura 4.41 mostra um exemplo de tal

granuloma. Em algumas ocasiões, a infecção primária não está

limitada, e o paciente desenvolve as complicações observadas na

doença reativada.

Posteriormente na vida, caso a resposta imune que menos

e ciente em razão de uma doença, idade ou reinfecção, a infecção

primária pode ser reativada, e o paciente geralmente vai desenvolver

sintomas. Estes podem incluir tosse, hemoptise ou febre, ou pode ser

mais indolente, como perda de peso e de apetite. A TB reativada pode

causar inúmeras alterações na RXT. Ela é uma causa de derrame

pleural ou atelectasia pulmonar. Outras alterações que podem fazer

você pensar especi camente em TB são consolidação do lobo

superior (Fig. 4.22), lesões escavadas únicas ou múltiplas (Figs. 4.43 e

4.44), linfonodos hilares aumentados (Fig. 4.45) ou TB miliar (Fig.

4.40).A tuberculose pode levar a alterações bróticas crônicas no

pulmão. Tipicamente, estas estão nas regiões superiores, como

mostrado na Figura 4.46.

Figura 4.41 Radiogra a de tórax de uma mulher de 27 anos com asma.

 

Há um achado incidental, um pequeno granuloma (1) no ápice direito.

Isso provavelmente é o resultado de uma infecção anterior por

tuberculose, que, nesta paciente, como em muitos outros, foi subclínica.

Figura 4.42 RXT mostrando uma área de consolidação do lobo superior

(1) em um paciente com tuberculose pulmonar.

Figura 4.43 Esta é a RXT de uma mulher de 26 anos que foi tratada para

tuberculose. É possível ver uma escavação com paredes um tanto

espessas (seta) no ápice direito.

Figura 4.44 Múltiplas cavidades na tuberculose (setas).

Figura 4.45 Tuberculose em linfonodos hilares. Esta RXT mostra uma

linfadenopatia paratraqueal direita (1) e linfadenopatia hilar direita (2)

devido a uma tuberculose em atividade.

Figura 4.46 RXT mostrando alterações bróticas crônicas no lobo

superior (1) em um paciente com tuberculose pulmonar antiga.

 

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