Manual de Raios X de Tórax

Jonathan Corne e Maruti Kumaran · Capítulo 65 de 84

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Manual de Raios X de Tórax

O paciente na terapia intensiva

Figura 11.5 RXT de uma mulher de 30 anos de idade com pneumotórax

primário. Observe o dreno torácico no lado direito. É possível visualizar

que a ponta do dreno torácico está no interior do espaço pleural (1), e,

embora o acesso esteja curvado, ele não está dobrado. Observe a

pequena quantidade de en sema cirúrgico no ponto de inserção (2).

 

O PACIENTE NA TERAPIA INTENSIVA

A RXT de um paciente doente é geralmente mais difícil de se interpretar,

uma vez que não é feita nas condições ideais (Fig. 11.6).

 

É provável que o paciente esteja semiereto ou na posição supina, já que ele

não estará bem o su ciente para car de pé. Isso terá um particular efeito

sobre a distribuição de derrames. Em um lme ereto, o derrame se

acumulará na parte de baixo dos pulmões, obscurecendo o diafragma e

tornando a borda superior bem de nida, geralmente com um menisco. Isso

não ocorrerá com um lme supino, onde, em vez disso, o derrame aparecerá

menos visível sem uma clara borda superior. Um derrame pleural em um

paciente na posição supina aumentará de forma geral a coloração branca em

todos os campos pulmonares.

Figura 11.6 Esta é a RXT de uma mulher de 60 anos na UTI com grave

SDRA. É uma radiogra a difícil de interpretar devido às limitações

técnicas na sua realização dentro de uma UTI. A radiogra a tem uma

incidência AP e é semiereta. Existem inúmeras linhas cruzando a imagem.

Você precisa olhar cuidadosamente cada uma delas. Observe as três

derivações externas do ECG (1, 2, 3). É possível ver o acesso da subclávia

direita, que parece estar na posição correta (4). Há um tubo endotraqueal

(5) que segue para acima da carina. Também há uma sonda nasogástrica

(6), que na radiogra a aparece à esquerda do tubo endotraqueal e desce

pelo esôfago até abaixo do diafragma (7).

 

É provável que o lme seja anteroposterior (AP) em vez de posteroanterior

(PA), portanto é difícil avaliar o tamanho do coração, que aparecerá maior

que o normal.

O paciente pode não ter realizado uma inspiração profunda e estar incapaz

de segurar a respiração. Não realizar uma inspiração profunda fará que o

coração e o mediastino pareçam mais largos que o normal e pode fazer que

os campos pulmonares pareçam mais brancos. Caso o paciente não seja

capaz de segurar a respiração, a imagem pode car distorcida, e

anormalidades sutis podem não ser visualizadas.

O paciente pode ter inúmeros acessos e sondas. Lembre-se de que estes

acessos podem estar tanto no interior como fora do paciente. Por exemplo,

um tubo endotraqueal aparecerá na radiogra a no interior da traqueia,

contudo o tubo conectando-o ao ventilador pode passar sobre o tórax do

paciente, e assim aparecer no lme. Isso é importante, porque estes acessos

podem esconder anormalidades. Além disso, às vezes, áreas aparentemente

anormais na radiogra a são artefatos causados pela presença dos acessos. Lembre-se de olhar o restante da radiogra a e procurar por complicações e

doença subjacente. Neste caso (Fig. 11.6), você consegue ver uma

consolidação difusa por todos os campos pulmonares, compatível com

síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).

 

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