Manual de Raios X de Tórax
O paciente na terapia intensiva
Figura 11.5 RXT de uma mulher de 30 anos de idade com pneumotórax
primário. Observe o dreno torácico no lado direito. É possível visualizar
que a ponta do dreno torácico está no interior do espaço pleural (1), e,
embora o acesso esteja curvado, ele não está dobrado. Observe a
pequena quantidade de en sema cirúrgico no ponto de inserção (2).
O PACIENTE NA TERAPIA INTENSIVA
A RXT de um paciente doente é geralmente mais difícil de se interpretar,
uma vez que não é feita nas condições ideais (Fig. 11.6).
É provável que o paciente esteja semiereto ou na posição supina, já que ele
não estará bem o su ciente para car de pé. Isso terá um particular efeito
sobre a distribuição de derrames. Em um lme ereto, o derrame se
acumulará na parte de baixo dos pulmões, obscurecendo o diafragma e
tornando a borda superior bem de nida, geralmente com um menisco. Isso
não ocorrerá com um lme supino, onde, em vez disso, o derrame aparecerá
menos visível sem uma clara borda superior. Um derrame pleural em um
paciente na posição supina aumentará de forma geral a coloração branca em
todos os campos pulmonares.
Figura 11.6 Esta é a RXT de uma mulher de 60 anos na UTI com grave
SDRA. É uma radiogra a difícil de interpretar devido às limitações
técnicas na sua realização dentro de uma UTI. A radiogra a tem uma
incidência AP e é semiereta. Existem inúmeras linhas cruzando a imagem.
Você precisa olhar cuidadosamente cada uma delas. Observe as três
derivações externas do ECG (1, 2, 3). É possível ver o acesso da subclávia
direita, que parece estar na posição correta (4). Há um tubo endotraqueal
(5) que segue para acima da carina. Também há uma sonda nasogástrica
(6), que na radiogra a aparece à esquerda do tubo endotraqueal e desce
pelo esôfago até abaixo do diafragma (7).
É provável que o lme seja anteroposterior (AP) em vez de posteroanterior
(PA), portanto é difícil avaliar o tamanho do coração, que aparecerá maior
que o normal.
O paciente pode não ter realizado uma inspiração profunda e estar incapaz
de segurar a respiração. Não realizar uma inspiração profunda fará que o
coração e o mediastino pareçam mais largos que o normal e pode fazer que
os campos pulmonares pareçam mais brancos. Caso o paciente não seja
capaz de segurar a respiração, a imagem pode car distorcida, e
anormalidades sutis podem não ser visualizadas.
O paciente pode ter inúmeros acessos e sondas. Lembre-se de que estes
acessos podem estar tanto no interior como fora do paciente. Por exemplo,
um tubo endotraqueal aparecerá na radiogra a no interior da traqueia,
contudo o tubo conectando-o ao ventilador pode passar sobre o tórax do
paciente, e assim aparecer no lme. Isso é importante, porque estes acessos
podem esconder anormalidades. Além disso, às vezes, áreas aparentemente
anormais na radiogra a são artefatos causados pela presença dos acessos. Lembre-se de olhar o restante da radiogra a e procurar por complicações e
doença subjacente. Neste caso (Fig. 11.6), você consegue ver uma
consolidação difusa por todos os campos pulmonares, compatível com
síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).
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