Manual de Raios X de Tórax
Cintilografia
2. Observar a artéria pulmonar principal e então a acompanhar por todos os
cortes, para avaliar os vasos pulmonares maiores. Com a TC espiral, você
será capaz de visualizar o coágulo, que aparecerá como um defeito de
preenchimento — uma área escura circundada por contraste mais branco.
O coágulo tende a se alojar nas bifurcações nos vasos e pode ser
visualizado se prolongando em direção à periferia. O vaso pode estar
distendido por um coágulo quando em comparação com o vaso
equivalente no outro pulmão.
3. Procurar por características que acompanham um êmbolo. Procure nas
janelas de pulmão áreas de consolidação, que podem ter formato em
cunha, e também por pequenos derrames pleurais.
4. Lembrar-se de que, mesmo que a angioTC não mostre um EP, ela pode
revelar outra causa para os sintomas do paciente.
Cintilogra a
A cintilogra a é um exame de medicina nuclear. Ela utiliza pequenas
partículas radioativas de baixa dose para comparar o padrão de perfusão
com o de ventilação (Fig. 5.8) Para a parte de ventilação do teste, as
partículas são suspensas em um gás, que então é inalado, e se aderem às
paredes das vias aéreas para mostrar o uxo de ar. Para a parte de perfusão
do estudo, as partículas são injetadas de forma intravenosa e se alojam em
vasos sanguíneos muito pequenos nos pulmões. A distribuição da
radioatividade no interior do pulmão é então monitorada utilizando-se uma
câmara gama. Normalmente, quatro modos de exibição são obtidos
(anterior, posterior e oblíquo posterior direito e esquerdo).
Figura 5.8 Cintilogra a em um paciente com êmbolos pulmonares.
Perceba como a imagem de perfusão é mais irregular que a textura mais
suave do exame de ventilação.
Em um pulmão normal, a ventilação e a perfusão devem ter
correspondência. Na embolia pulmonar, o suprimento sanguíneo para uma
região do pulmão está reduzido, contudo a ventilação é mantida, o então
denominado “distúrbio ventilação/perfusão”. Em algumas doenças
pulmonares, como, por exemplo, a pneumonia, tanto a ventilação quanto a
perfusão podem estar reduzidas, originando o denominado “defeito
combinado”. Outras doenças pulmonares, como, por exemplo, a DPOC,
podem resultar em uma falta de correspondência entre a ventilação e a
perfusão. Na prática, na EP é muito comum observar uma mistura de
defeitos correspondentes e não correspondentes. Uma cintilogra a ,
portanto, tem valor apenas em um paciente com pulmões normais.
A cintilogra a não fornece um diagnóstico de nitivo de EP. Em vez
disso, ela informa a probabilidade de o paciente ter EP. Desta forma, ela deve
ser interpretada juntamente com o quadro clínico. Um exame normal
praticamente exclui EP, certamente um de signi cância clínica.
Para interpretar uma cintilogra a :
1. Observe a RXT plana. As anormalidades na RXT podem afetar a
ventilação e a perfusão e, assim, tornar a interpretação do exame difícil.
Um exame pode ser interpretado com muito mais con ança na presença
de uma RXT normal. É provável que uma pessoa com múltiplas áreas de
doença pulmonar na radiogra a de tórax, p. ex., consolidação ou DPOC
extensa, apresente uma cintilogra a inconclusiva, podendo ser mais
bem avaliada por angioTC.
2. Observe o exame de perfusão (marcado com Q). Um padrão salpicado
escuro é observado sobre as áreas com boa perfusão, e as áreas com baixa
perfusão aparecem como buracos mais claros. Compare estas áreas ao
exame de ventilação (marcado com V). Caso elas também apareçam
brancas, devem ser classi cadas como defeitos combinados. Caso a
ventilação seja normal, elas são classi cadas como defeitos não
combinados.
3. Certi que-se de que você observou os dois pulmões. Na presença de uma
embolia pulmonar maciça, é possível que todo um pulmão esteja apagado
no exame de perfusão.
4. O teste precisa ser cuidadosamente interpretado por um radiologista, que
vai determinar o número e o tamanho dos defeitos correspondentes e não
correspondentes para determinar a probabilidade radiológica de uma
embolia pulmonar.
Embora a EP seja uma causa de pulmão preto, os achados em uma
radiogra a após EP são aqueles resultantes de um subsequente infarto
pulmonar, levando a hemorragia ou necrose do pulmão (Quadro 5.2).
Quadro 5.2 Alterações do infarto
Hemidiafragma elevado
Colapso e atelectasia laminar