Manual de Raios X de Tórax

Jonathan Corne e Maruti Kumaran · Capítulo 47 de 84

Páginas do PDF

Manual de Raios X de Tórax

Cintilografia

2. Observar a artéria pulmonar principal e então a acompanhar por todos os

cortes, para avaliar os vasos pulmonares maiores. Com a TC espiral, você

será capaz de visualizar o coágulo, que aparecerá como um defeito de

preenchimento — uma área escura circundada por contraste mais branco.

O coágulo tende a se alojar nas bifurcações nos vasos e pode ser

visualizado se prolongando em direção à periferia. O vaso pode estar

distendido por um coágulo quando em comparação com o vaso

equivalente no outro pulmão.

3. Procurar por características que acompanham um êmbolo. Procure nas

janelas de pulmão áreas de consolidação, que podem ter formato em

cunha, e também por pequenos derrames pleurais.

4. Lembrar-se de que, mesmo que a angioTC não mostre um EP, ela pode

revelar outra causa para os sintomas do paciente.

 

Cintilogra a

 

A cintilogra a é um exame de medicina nuclear. Ela utiliza pequenas

partículas radioativas de baixa dose para comparar o padrão de perfusão

com o de ventilação (Fig. 5.8) Para a parte de ventilação do teste, as

partículas são suspensas em um gás, que então é inalado, e se aderem às

paredes das vias aéreas para mostrar o uxo de ar. Para a parte de perfusão

do estudo, as partículas são injetadas de forma intravenosa e se alojam em

vasos sanguíneos muito pequenos nos pulmões. A distribuição da

radioatividade no interior do pulmão é então monitorada utilizando-se uma

câmara gama. Normalmente, quatro modos de exibição são obtidos

(anterior, posterior e oblíquo posterior direito e esquerdo).

Figura 5.8 Cintilogra a em um paciente com êmbolos pulmonares.

 

Perceba como a imagem de perfusão é mais irregular que a textura mais

suave do exame de ventilação.

Em um pulmão normal, a ventilação e a perfusão devem ter

correspondência. Na embolia pulmonar, o suprimento sanguíneo para uma

região do pulmão está reduzido, contudo a ventilação é mantida, o então

denominado “distúrbio ventilação/perfusão”. Em algumas doenças

pulmonares, como, por exemplo, a pneumonia, tanto a ventilação quanto a

perfusão podem estar reduzidas, originando o denominado “defeito

combinado”. Outras doenças pulmonares, como, por exemplo, a DPOC,

podem resultar em uma falta de correspondência entre a ventilação e a

perfusão. Na prática, na EP é muito comum observar uma mistura de

defeitos correspondentes e não correspondentes. Uma cintilogra a ,

portanto, tem valor apenas em um paciente com pulmões normais.

A cintilogra a não fornece um diagnóstico de nitivo de EP. Em vez

disso, ela informa a probabilidade de o paciente ter EP. Desta forma, ela deve

ser interpretada juntamente com o quadro clínico. Um exame normal

praticamente exclui EP, certamente um de signi cância clínica.

Para interpretar uma cintilogra a :

1. Observe a RXT plana. As anormalidades na RXT podem afetar a

ventilação e a perfusão e, assim, tornar a interpretação do exame difícil.

Um exame pode ser interpretado com muito mais con ança na presença

de uma RXT normal. É provável que uma pessoa com múltiplas áreas de

doença pulmonar na radiogra a de tórax, p. ex., consolidação ou DPOC

extensa, apresente uma cintilogra a inconclusiva, podendo ser mais

bem avaliada por angioTC.

2. Observe o exame de perfusão (marcado com Q). Um padrão salpicado

escuro é observado sobre as áreas com boa perfusão, e as áreas com baixa

perfusão aparecem como buracos mais claros. Compare estas áreas ao

exame de ventilação (marcado com V). Caso elas também apareçam

brancas, devem ser classi cadas como defeitos combinados. Caso a

ventilação seja normal, elas são classi cadas como defeitos não

combinados.

3. Certi que-se de que você observou os dois pulmões. Na presença de uma

embolia pulmonar maciça, é possível que todo um pulmão esteja apagado

no exame de perfusão.

4. O teste precisa ser cuidadosamente interpretado por um radiologista, que

vai determinar o número e o tamanho dos defeitos correspondentes e não

correspondentes para determinar a probabilidade radiológica de uma

embolia pulmonar.

Embora a EP seja uma causa de pulmão preto, os achados em uma

radiogra a após EP são aqueles resultantes de um subsequente infarto

pulmonar, levando a hemorragia ou necrose do pulmão (Quadro 5.2).

 

Quadro 5.2 Alterações do infarto

 

Hemidiafragma elevado

Colapso e atelectasia laminar