Manual de Raios X de Tórax

Jonathan Corne e Maruti Kumaran · Capítulo 23 de 84

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Manual de Raios X de Tórax

Consolidação e TC

possibilidades são consolidação, brose ou algum in ltrado. Pode ser difícil

diagnosticar a consolidação, então execute cuidadosamente as seguintes

etapas:

 

1. Lembre-se do histórico clínico. Na presença de febre e sinais de infecção, a

consolidação é a anormalidade muito mais provável.

2. Olhe as radiogra as anteriores. A brose geralmente é uma condição

crônica e a consolidação é muito mais transitória. A presença de uma

anormalidade similar em uma radiogra a anterior deve levar você a

suspeitar de uma brose, em vez de consolidação.

3. Observe cuidadosamente a natureza do in ltrado. Na consolidação, os

espaços alveolares cam preenchidos por uido, fazendo que apareçam

brancos, ao passo que a via aérea retém ar, fazendo que apareçam pretos.

Caso se olhe atentamente uma área de consolidação, frequentemente é

possível distinguir as pequenas vias aéreas como sendo pretas sobre um

plano de fundo branco — o denominado “broncograma aéreo” (Fig. 4.14).

4. Observe a distribuição do in ltrado. O uido afunda, tornando a

consolidação mais densa à medida que se move para baixo do pulmão. O

in ltrado na consolidação geralmente será mais denso e mais claramente

delimitado em sua borda inferior (Fig. 4.15).

 

Consolidação e TC

 

A Figura 4.16 mostra a aparência da consolidação na TC. Você verá que ela

possui as mesmas características da consolidação no lme plano. A principal

característica é a presença de broncograma aéreo, e as vias aéreas aparecem

pretas contra um plano de fundo branco de alvéolo consolidado. Isso

geralmente é muito mais evidente na TC do que na radiogra a de tórax.

A pneumonia não é a única causa de consolidação. Outras causas mais raras

são mostradas no Quadro 4.1.

 

Figura 4.14 Esta é a aparência de uma

pneumonia lobar. Observe como a margem

inferior da consolidação está um tanto reta.

Esta aparência indica uma pneumonia no

lobo superior direito. Um broncograma aéreo

(seta) está visível.

Quadro 4.1 Outras causas de consolidação

 

Carcinoma bronquioalveolar

Pneumonia em or

ganização criptogênica

Pneumonia eosinofílica

Edema pulmonar cardiogênico

Edema pulmonar não cardiogênico

Hemorragia pulmonar

Proteinose alveolar

 

Figura 4.15 Uma consolidação muito mais

difusa acometendo os dois pulmões é

mostrada, em especial nas regiões média e

inferior, e é uma broncopneumonia. Um

broncograma aéreo (seta) está visível.

Figura 4.16 Características da janela de pulmão na TC. Esta é a TC de um

homem de 69 anos de idade com história de DPOC e que foi internado

em estado grave, com história de dispneia progressiva, tosse e febre. A TC

mostra uma área de consolidação densa no lobo inferior direito. As vias

aéreas pretas (1) contra um plano de fundo branco de espaços aéreos

preenchidos por líquido indicam consolidação.

 

FOCO NA PNEUMONIA

 

A radiogra a de tórax é necessária para diagnosticar com con ança a

pneumonia, e o cuidadoso exame da radiogra a fornece dicas de sua

etiologia. É importante repetir a radiogra a caso o paciente não

responda ao tratamento como esperado. De outra forma, caso a

recuperação seja sem intercorrências, uma radiogra a de

acompanhamento é necessária apenas em pacientes com sintomas

ou sinais persistentes ou naqueles com maior risco de malignidade.

 

ETIOLOGIA

Apesar de não ser possível diagnosticar a etiologia da pneumonia a

partir de uma radiogra a de tórax, ela dará algumas dicas úteis.

Procure por envolvimento multilobular, que é mais comum na

pneumonia pneumocócica, e por vírus in uenza. A presença de

múltiplas escavações sugere infecção por Staphylococcus aureus. A

infecção do lobo superior é mais comum com a Klebsiela pneumoniae

e tuberculose (TB). A pneumonia causada pelo vírus in uenza é

comumente de natureza bilateral e irregular e pode causar in ltrado

em vidro fosco multifocal.

 

PNEUMONIA PERSISTENTE

Caso não haja melhora clínica após 48 horas de tratamento, uma RXT

de acompanhamento deve ser solicitada. Procure cuidadosamente,

nos campos pulmonares, evidências de abcessos pulmonares, que

aparecerão como uma escavação de parede na. Isso é mais comum

em pacientes debilitados, como aqueles subnutridos, e signi ca que

um curso de antibióticos muito mais longo (tipicamente 6 semanas)

será necessário. Observe cuidadosamente os volumes pulmonares.

Pode haver áreas de atelectasia do pulmão secundárias à obstrução

que tornarão a pneumonia de mais difícil resolução. Procure

novamente, no parênquima pulmonar, por evidência de

bronquiectasia subjacente, que pode ser sutil e facilmente não

visualizada.

Procure pela presença de líquido pleural (Fig. 4.2). Isso pode sugerir

que o paciente desenvolveu um derrame pleural reativo ou um

empiema. É impossível na RXT distinguir entre um derrame pleural

reativo e um empiema, assim qualquer líquido deve ser coletado, de

preferência guiado pela ultrassonogra a. Um líquido turvo espesso

com pH baixo e baixa glicose indica a presença de um empiema, que

deve ser drenado.

Observe a extensão da consolidação. Não se deve esperar uma

signi cativa melhora na aparência da RXT dentro de 48 horas de

tratamento. Entretanto, uma piora no in ltrado na radiogra a pode

sugerir que o paciente está tomando o antibiótico errado ou pode

levar você a considerar um diagnóstico alternativo, como a síndrome

do desconforto respiratório agudo (SDRA).

Caso seu paciente não melhore e não haja uma evidente razão

clínica, microbiológica ou radiológica, considere a solicitação de uma

TC. Isso permitirá procurar por uma obstrução de um brônquio; ela

pode revelar um abcesso pulmonar não visível na RXT plana.

 

Por m, pense na possibilidade de um diagnóstico alternativo.

Discuta a solicitação com um radiologista, que será capaz de

examinar a natureza e a distribuição do in ltrado e aconselhar se um

diagnóstico alternativo, como, por exemplo, uma pneumonia

eosinofílica, é provável.

 

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