Manual de Raios X de Tórax
Consolidação e TC
possibilidades são consolidação, brose ou algum in ltrado. Pode ser difícil
diagnosticar a consolidação, então execute cuidadosamente as seguintes
etapas:
1. Lembre-se do histórico clínico. Na presença de febre e sinais de infecção, a
consolidação é a anormalidade muito mais provável.
2. Olhe as radiogra as anteriores. A brose geralmente é uma condição
crônica e a consolidação é muito mais transitória. A presença de uma
anormalidade similar em uma radiogra a anterior deve levar você a
suspeitar de uma brose, em vez de consolidação.
3. Observe cuidadosamente a natureza do in ltrado. Na consolidação, os
espaços alveolares cam preenchidos por uido, fazendo que apareçam
brancos, ao passo que a via aérea retém ar, fazendo que apareçam pretos.
Caso se olhe atentamente uma área de consolidação, frequentemente é
possível distinguir as pequenas vias aéreas como sendo pretas sobre um
plano de fundo branco — o denominado “broncograma aéreo” (Fig. 4.14).
4. Observe a distribuição do in ltrado. O uido afunda, tornando a
consolidação mais densa à medida que se move para baixo do pulmão. O
in ltrado na consolidação geralmente será mais denso e mais claramente
delimitado em sua borda inferior (Fig. 4.15).
Consolidação e TC
A Figura 4.16 mostra a aparência da consolidação na TC. Você verá que ela
possui as mesmas características da consolidação no lme plano. A principal
característica é a presença de broncograma aéreo, e as vias aéreas aparecem
pretas contra um plano de fundo branco de alvéolo consolidado. Isso
geralmente é muito mais evidente na TC do que na radiogra a de tórax.
A pneumonia não é a única causa de consolidação. Outras causas mais raras
são mostradas no Quadro 4.1.
Figura 4.14 Esta é a aparência de uma
pneumonia lobar. Observe como a margem
inferior da consolidação está um tanto reta.
Esta aparência indica uma pneumonia no
lobo superior direito. Um broncograma aéreo
(seta) está visível.
Quadro 4.1 Outras causas de consolidação
Carcinoma bronquioalveolar
Pneumonia em or
ganização criptogênica
Pneumonia eosinofílica
Edema pulmonar cardiogênico
Edema pulmonar não cardiogênico
Hemorragia pulmonar
Proteinose alveolar
Figura 4.15 Uma consolidação muito mais
difusa acometendo os dois pulmões é
mostrada, em especial nas regiões média e
inferior, e é uma broncopneumonia. Um
broncograma aéreo (seta) está visível.
Figura 4.16 Características da janela de pulmão na TC. Esta é a TC de um
homem de 69 anos de idade com história de DPOC e que foi internado
em estado grave, com história de dispneia progressiva, tosse e febre. A TC
mostra uma área de consolidação densa no lobo inferior direito. As vias
aéreas pretas (1) contra um plano de fundo branco de espaços aéreos
preenchidos por líquido indicam consolidação.
FOCO NA PNEUMONIA
A radiogra a de tórax é necessária para diagnosticar com con ança a
pneumonia, e o cuidadoso exame da radiogra a fornece dicas de sua
etiologia. É importante repetir a radiogra a caso o paciente não
responda ao tratamento como esperado. De outra forma, caso a
recuperação seja sem intercorrências, uma radiogra a de
acompanhamento é necessária apenas em pacientes com sintomas
ou sinais persistentes ou naqueles com maior risco de malignidade.
ETIOLOGIA
Apesar de não ser possível diagnosticar a etiologia da pneumonia a
partir de uma radiogra a de tórax, ela dará algumas dicas úteis.
Procure por envolvimento multilobular, que é mais comum na
pneumonia pneumocócica, e por vírus in uenza. A presença de
múltiplas escavações sugere infecção por Staphylococcus aureus. A
infecção do lobo superior é mais comum com a Klebsiela pneumoniae
e tuberculose (TB). A pneumonia causada pelo vírus in uenza é
comumente de natureza bilateral e irregular e pode causar in ltrado
em vidro fosco multifocal.
PNEUMONIA PERSISTENTE
Caso não haja melhora clínica após 48 horas de tratamento, uma RXT
de acompanhamento deve ser solicitada. Procure cuidadosamente,
nos campos pulmonares, evidências de abcessos pulmonares, que
aparecerão como uma escavação de parede na. Isso é mais comum
em pacientes debilitados, como aqueles subnutridos, e signi ca que
um curso de antibióticos muito mais longo (tipicamente 6 semanas)
será necessário. Observe cuidadosamente os volumes pulmonares.
Pode haver áreas de atelectasia do pulmão secundárias à obstrução
que tornarão a pneumonia de mais difícil resolução. Procure
novamente, no parênquima pulmonar, por evidência de
bronquiectasia subjacente, que pode ser sutil e facilmente não
visualizada.
Procure pela presença de líquido pleural (Fig. 4.2). Isso pode sugerir
que o paciente desenvolveu um derrame pleural reativo ou um
empiema. É impossível na RXT distinguir entre um derrame pleural
reativo e um empiema, assim qualquer líquido deve ser coletado, de
preferência guiado pela ultrassonogra a. Um líquido turvo espesso
com pH baixo e baixa glicose indica a presença de um empiema, que
deve ser drenado.
Observe a extensão da consolidação. Não se deve esperar uma
signi cativa melhora na aparência da RXT dentro de 48 horas de
tratamento. Entretanto, uma piora no in ltrado na radiogra a pode
sugerir que o paciente está tomando o antibiótico errado ou pode
levar você a considerar um diagnóstico alternativo, como a síndrome
do desconforto respiratório agudo (SDRA).
Caso seu paciente não melhore e não haja uma evidente razão
clínica, microbiológica ou radiológica, considere a solicitação de uma
TC. Isso permitirá procurar por uma obstrução de um brônquio; ela
pode revelar um abcesso pulmonar não visível na RXT plana.
Por m, pense na possibilidade de um diagnóstico alternativo.
Discuta a solicitação com um radiologista, que será capaz de
examinar a natureza e a distribuição do in ltrado e aconselhar se um
diagnóstico alternativo, como, por exemplo, uma pneumonia
eosinofílica, é provável.
DOENÇA SUBJACENTE