Manual de Raios X de Tórax
TCAR e a bronquiectasia
3. Imagens tubulares. Estas são espessas imagens brancas de até 8 mm de
largura. Elas representam os brônquios preenchidos por secreções
observados no per l. Elas não são comuns, contudo sua presença sugere
bronquiectasia.
4. Imagens em dedo de luva. Estas representam um grupo de sobras tubulares
parecendo com os dedos de uma luva – daí o nome!
A presença de qualquer uma destas características sugere a possibilidade
de bronquiectasia. Entretanto, uma RXT normal não exclui o diagnóstico, e
uma TC é o exame diagnóstico mais sensível disponível.
TCAR e a bronquiectasia Embora a bronquiectasia possa ser diagnosticada na RXT plana, em metade
dos pacientes a radiogra a está normal. Portanto, caso suspeite de
bronquiectasia e a RXT esteja normal, você precisará de uma TC de alta
resolução (TCAR), (Fig. 4.35). A TCAR também pode fornecer indícios da
causa da bronquiectasia e oferecerá uma imagem muito mais precisa da
extensão da doença.
Para diagnosticar a bronquiectasia na TCAR, você precisa identi car áreas
nas quais os brônquios estão dilatados. Existem inúmeras maneiras de se
fazer isto. Observe as janelas de pulmão:
1. Olhe na periferia do pulmão, onde as vias aéreas são redondas. Compare
o diâmetro da via aérea com aquele dos vasos sanguíneos vizinhos. Caso o
diâmetro da via aérea seja maior que o do vaso sanguíneo adjacente, ela
está dilatada. A via aérea geralmente está patente, logo terá um buraco
preto no meio, enquanto o vaso sanguíneo é branco sólido.
2. Observe o terço médio dos campos pulmonares. Aqui, as vias aéreas
podem ser visualizadas ao longo de seus eixos longos e as paredes das vias
aéreas devem normalmente afunilar por 2 cm. Caso não haja
afunilamento, é um sinal de dilatação da via aérea mais proximal.
3. Procure por áreas com tampão mucoso. Estas são vias aéreas nas quais o
lúmen foi bloqueado por muco. A via aérea normal tem a aparência de um
anel branco (a parede da via aérea) circundando um buraco preto (o ar no
interior da via aérea). Quando a via aérea está ocluída, ela apresenta uma
aparência sólida — o tampão, sendo muco, pode possuir uma densidade
menor (ser mais escuro) que a parede da via aérea quando você observa as
janelas de mediastino. Ocasionalmente, não está claro se estas estruturas
são vias aéreas impactadas ou vasos sanguíneos, já que ambas aparecem
brancas.
4. Observe o parênquima pulmonar ao redor das vias aéreas, uma vez que as
alterações no pulmão ocorrem ao redor das vias aéreas com
bronquiectasia. Estas alterações incluem:
• Áreas de colapso, conhecidas como atelectasia.
• Áreas de tamponamento em pequenas vias aéreas, conhecidas como
árvore em brotamento (tree in bud).
• Imagens maiores de consolidação.
A TCAR pode também fornecer indícios das causas da bronquiectasia
(Quadro 4.8). O radiologista vai observar a distribuição das alterações para
dar uma indicação da possível etiologia. Por exemplo:
• Caso seja localizada em um lobo ou segmento do pulmão, ela pode ser em
razão de uma lesão obstrutiva que necessitaria de uma posterior
investigação por TC contígua e broncoscopia para descobrir a causa.
• A bronquiectasia proximal é frequentemente observada na aspergilose
broncopulmonar alérgica (ABPA).
• A brose cística causa uma bronquiectasia difusa, geralmente mais
marcante nas regiões superiores e com certa escassez nas bases do pulmão.
Por m, quando olhar a TC, você deve observar a extensão da doença. A
bronquiectasia leve é um achado relativamente comum na TCAR, e não
necessariamente pode ser a causa dos sintomas do paciente. Interprete o
exame no contexto da história clínica e certi que-se de que você discutiu as
imagens com um radiologista.
Figura 4.35 TCAR e bronquiectasia. As vias aéreas e os vasos estão
indicados com setas.
Quadro 4.8 Algumas causas de bronquiectasias
Estrutural, p. ex., obstrução (carcinoma, corpo estranho)
Infecção, p. ex., coqueluche na infância ou sarampo, tuberculose,
pneumonia
imunológica, p. ex., hipogamaglobulinemia, aspergilose
broncopulmonar alérgica
Congênita, p. ex., brose cística
Idiopática