Manual de Raios X de Tórax

Jonathan Corne e Maruti Kumaran · Capítulo 37 de 84

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Manual de Raios X de Tórax

TCAR e a bronquiectasia

3. Imagens tubulares. Estas são espessas imagens brancas de até 8 mm de

largura. Elas representam os brônquios preenchidos por secreções

observados no per l. Elas não são comuns, contudo sua presença sugere

bronquiectasia.

4. Imagens em dedo de luva. Estas representam um grupo de sobras tubulares

parecendo com os dedos de uma luva – daí o nome!

A presença de qualquer uma destas características sugere a possibilidade

de bronquiectasia. Entretanto, uma RXT normal não exclui o diagnóstico, e

uma TC é o exame diagnóstico mais sensível disponível.

 

TCAR e a bronquiectasia Embora a bronquiectasia possa ser diagnosticada na RXT plana, em metade

dos pacientes a radiogra a está normal. Portanto, caso suspeite de

bronquiectasia e a RXT esteja normal, você precisará de uma TC de alta

resolução (TCAR), (Fig. 4.35). A TCAR também pode fornecer indícios da

causa da bronquiectasia e oferecerá uma imagem muito mais precisa da

extensão da doença.

 

Para diagnosticar a bronquiectasia na TCAR, você precisa identi car áreas

nas quais os brônquios estão dilatados. Existem inúmeras maneiras de se

fazer isto. Observe as janelas de pulmão:

1. Olhe na periferia do pulmão, onde as vias aéreas são redondas. Compare

o diâmetro da via aérea com aquele dos vasos sanguíneos vizinhos. Caso o

diâmetro da via aérea seja maior que o do vaso sanguíneo adjacente, ela

está dilatada. A via aérea geralmente está patente, logo terá um buraco

preto no meio, enquanto o vaso sanguíneo é branco sólido.

2. Observe o terço médio dos campos pulmonares. Aqui, as vias aéreas

podem ser visualizadas ao longo de seus eixos longos e as paredes das vias

aéreas devem normalmente afunilar por 2 cm. Caso não haja

afunilamento, é um sinal de dilatação da via aérea mais proximal.

3. Procure por áreas com tampão mucoso. Estas são vias aéreas nas quais o

lúmen foi bloqueado por muco. A via aérea normal tem a aparência de um

anel branco (a parede da via aérea) circundando um buraco preto (o ar no

interior da via aérea). Quando a via aérea está ocluída, ela apresenta uma

aparência sólida — o tampão, sendo muco, pode possuir uma densidade

menor (ser mais escuro) que a parede da via aérea quando você observa as

janelas de mediastino. Ocasionalmente, não está claro se estas estruturas

são vias aéreas impactadas ou vasos sanguíneos, já que ambas aparecem

brancas.

4. Observe o parênquima pulmonar ao redor das vias aéreas, uma vez que as

alterações no pulmão ocorrem ao redor das vias aéreas com

bronquiectasia. Estas alterações incluem:

• Áreas de colapso, conhecidas como atelectasia.

• Áreas de tamponamento em pequenas vias aéreas, conhecidas como

árvore em brotamento (tree in bud).

• Imagens maiores de consolidação.

A TCAR pode também fornecer indícios das causas da bronquiectasia

(Quadro 4.8). O radiologista vai observar a distribuição das alterações para

dar uma indicação da possível etiologia. Por exemplo:

• Caso seja localizada em um lobo ou segmento do pulmão, ela pode ser em

razão de uma lesão obstrutiva que necessitaria de uma posterior

investigação por TC contígua e broncoscopia para descobrir a causa.

• A bronquiectasia proximal é frequentemente observada na aspergilose

broncopulmonar alérgica (ABPA).

• A brose cística causa uma bronquiectasia difusa, geralmente mais

marcante nas regiões superiores e com certa escassez nas bases do pulmão.

Por m, quando olhar a TC, você deve observar a extensão da doença. A

bronquiectasia leve é um achado relativamente comum na TCAR, e não

necessariamente pode ser a causa dos sintomas do paciente. Interprete o

exame no contexto da história clínica e certi que-se de que você discutiu as

imagens com um radiologista.

Figura 4.35 TCAR e bronquiectasia. As vias aéreas e os vasos estão

indicados com setas.

 

Quadro 4.8 Algumas causas de bronquiectasias

 

Estrutural, p. ex., obstrução (carcinoma, corpo estranho)

Infecção, p. ex., coqueluche na infância ou sarampo, tuberculose,

pneumonia

imunológica, p. ex., hipogamaglobulinemia, aspergilose

broncopulmonar alérgica

Congênita, p. ex., brose cística

Idiopática