Manual de Raios X de Tórax
TCAR e a fibrose pulmonar
TCAR e a brose pulmonar
A TCAR é o exame de escolha para pacientes com brose pulmonar. É um
exame mais sensível e especí co que a RXT plana. Caso haja uma suspeita
clínica e o paciente tenha uma radiogra a normal, você ainda deve solicitar
uma TCAR. O exame vai demonstrar a distribuição e as características da
brose. Isso pode fornecer valiosos indícios da etiologia, e é uma forma
sensível de acompanhar a progressão da doença.
Você vai solicitar o exame para lhe fornecer detalhes de quaisquer alterações
do parênquima pulmonar. Portanto, você precisará solicitar uma TCAR para
que seja possível visualizar detalhes nos da arquitetura pulmonar (Fig.
4.37).
Figura 4.37 Características da janela de pulmão na TCAR. TCAR de um
homem de 76 anos com história de 8 meses com dispneia progressiva e
tosse seca. A espirometria mostrou um dé cit restritivo com reduzido
fator de transferência. A TCAR mostra um típico faveolamento.
Con rmando a brose 1. Observe as bordas pulmonares ao longo da pleura. Nos casos iniciais de
brose, você verá nas linhas ao longo das bordas indo para dentro do
pulmão, que apresenta uma aparência serrilhada.
2. A malha de linhas na periferia pulmonar pode dar origem a uma
aparência de “favo de mel”. Isso ocorre mais tardiamente no processo
brótico e consiste em áreas de ar pretas circundadas por uma borda
branca mais espessa.
3. Observe os brônquios. Na brose pulmonar, em razão da distorção
arquitetural e da perda de volume, as paredes das vias aéreas são
separadas. Diferente da bronquiectasia, as paredes não aparecem
espessadas. Isso é conhecido como alteração da via aérea por tração.
4. Procure por densidade de vidro fosco no pulmão. Isso possui uma
aparência bastante especí ca. Há uma anormal área branca aumentada no
pulmão. Observe os vasos sanguíneos — com o in ltrado em vidro fosco,
os vasos sanguíneos ainda são visíveis. Caso eles não consigam ser
visualizados, esta área então é considerada consolidada (outra causa de
área branca aumentada no pulmão). A densidade de vidro fosco tende a
ter uma distribuição não homogênea por todo o pulmão — ela pode afetar
regiões particulares do pulmão ou ocorrer em áreas menores. A densidade
de vidro fosco pode representar alteração brótica muito na, que está
abaixo da resolução do aparelho de demonstrar mais claramente, ou ser
devida a anormalidades transitórias, como infecção ou líquido no interior
do pulmão. Caso observada isolada, é difícil ter certeza de seu signi cado,
contudo se for visualizada com outras características descritas
anteriormente, ela é consistente com brose intersticial.
Determinando a etiologia
Os radiologistas podem conseguir determinar a etiologia da brose
pulmonar por meio de um cuidadoso exame das imagens da TCAR. Eles vão pesquisar por inúmeras dicas, como, por exemplo:
1. A distribuição das alterações fibróticas.
a. A brose pulmonar idiopática, a brose secundária à doença do tecido
conjuntivo e a asbestose são caracterizadas por sua distribuição
irregular e pela presença de alterações bróticas subpleurais,
predominantemente basais.
b. A sarcoidose causa alterações predominantemente nas regiões superior
e média e ao redor do hilo.
2. A aparência dos septos interlobulares. Na linfangite carcinomatosa, há um
espessamento irregular dos septos interlobulares. Alguns depósitos
nodulares também podem ser visualizados na pleura, contudo a
distribuição não é frequentemente a mesma que a da sarcoidose.
3. A aparência da pleura. Na doença pulmonar por amianto, a brose
pulmonar geralmente é acompanhada de alterações na pleura,
notavelmente o espessamento pleural e as placas pleurais calci cadas.
4. Alterações mediastinais. Na sarcoidose, o exame pode demonstrar
linfadenopatia mediastinal.
O exame de TCAR pode determinar acuradamente a etiologia da doença
pulmonar intersticial. Entretanto, esta acurácia é altamente dependente da
habilidade de interpretação, portanto é fundamental que estes exames sejam
avaliados por radiologistas experientes. Certi que-se de que o radiologista
receba todas as informações clínicas para auxiliar a interpretação.
FOCO NO INFILTRADO EM VIDRO FOSCO
O in ltrado em vidro fosco é um achado comum na TC de alta
resolução (TCAR) (Fig. 4.38). É observado nas janelas de pulmão e é
um sutil aumento na coloração branca do parênquima pulmonar. Para
distinguir da consolidação, procure pelos vasos sanguíneos. No
in ltrado em vidro fosco, você ainda será capaz de visualizar os vasos
sanguíneos ao contrário da consolidação, onde estes estão
obscurecidos. Observe também as vias aéreas. Na consolidação, a
parede da via aérea está obscurecida, deixando visível apenas o ar no
interior do lúmen como uma estrutura preta no interior do in ltrado
(o broncograma aéreo). No in ltrado em vidro fosco, tanto o lúmen
quanto a parede da via aérea permanecem visíveis, contudo estarão
levemente menos visíveis que o normal.
O in ltrado em vidro fosco ocorre quando a razão ar/tecido se
altera, ou devido a uma redução na quantidade de ar alveolar ou um
aumento na espessura das paredes alveolares. Uma redução no ar
alveolar pode ser causada por um colapso parcial dos alvéolos ou vias
aéreas pequenas, e um aumento na espessura das paredes alveolares
pode ser devido a um edema ou in amação. O diagnóstico diferencial
do in ltrado em vidro fosco é, portanto, bastante amplo e inclui
doenças das vias aéreas, doença pulmonar intersticial e doenças
vasculares.
As dicas quanto às causas podem ser obtidas observando-se a
distribuição do in ltrado. A Tabela 4.1 mostra algumas causas do
in ltrado em vidro fosco e a associada distribuição das alterações.
Tabela 4.1 Causas de in ltrado em vidro fosco
Causa Distribuição do Outras
in ltrado em vidro características
fosco na TC
Pneumonia por Peri-hilar, região média Espessamento
Pneumocystis carinii septal, cistos
(PPC) pulmonares
Pneumonia Periférica, regiões média Tende a
eosinofílica simples e superior desaparecer
espontaneamente
Pneumonia Bilateral, sem
eosinofílica aguda predomínio na
distribuição
Pneumonia Periférica e basal, sem Aparência na TC
intersticial usual características marcantes predomínio por
(PIU) brose e
faveolamento
Pneumonia Subpleural e assimétrica Opacidades
intersticial não reticulares e
especí ca (PINE) lineares
Pneumonia em Sem predomínio na Associada a
organização distribuição nódulos e
criptogênica (POC) consolidação
Pneumonia Bilateral e simétrica, Consolidação e
intersticial aguda geralmente difusa, brose nos estágios
(PIA) embora mais nais
predominante nas
regiões inferiores
Bronquiolite Preferência pela região Áreas irregulares de
respiratória superior brose e
associada a doença espessamento da
parede brônquica
pulmonar
intersticial (DPI)
Edema pulmonar Posterior (a área Coração
dependente com o aumentado e linhas
paciente em decúbito septais
dorsal) proeminentes
Pneumonite por Bilateral, regiões média e
hipersensibilidade inferior
Reações a drogas Mais comumente Sobreposição com
periférica características de
pneumonite por
hipersensibilidade
Vasculite, Wegener Irregular Geralmente
nódulos discretos e
escavação
Hemorragia Geralmente região Apresentação
pulmonar superior, pode ser clínica marcante
idiopática irregular