Manual de Raios X de Tórax

Jonathan Corne e Maruti Kumaran · Capítulo 39 de 84

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Manual de Raios X de Tórax

TCAR e a fibrose pulmonar

TCAR e a brose pulmonar

 

 

A TCAR é o exame de escolha para pacientes com brose pulmonar. É um

exame mais sensível e especí co que a RXT plana. Caso haja uma suspeita

clínica e o paciente tenha uma radiogra a normal, você ainda deve solicitar

uma TCAR. O exame vai demonstrar a distribuição e as características da

brose. Isso pode fornecer valiosos indícios da etiologia, e é uma forma

sensível de acompanhar a progressão da doença.

 

Você vai solicitar o exame para lhe fornecer detalhes de quaisquer alterações

do parênquima pulmonar. Portanto, você precisará solicitar uma TCAR para

que seja possível visualizar detalhes nos da arquitetura pulmonar (Fig.

4.37).

 

Figura 4.37 Características da janela de pulmão na TCAR. TCAR de um

homem de 76 anos com história de 8 meses com dispneia progressiva e

tosse seca. A espirometria mostrou um dé cit restritivo com reduzido

fator de transferência. A TCAR mostra um típico faveolamento.

 

Con rmando a brose 1. Observe as bordas pulmonares ao longo da pleura. Nos casos iniciais de

brose, você verá nas linhas ao longo das bordas indo para dentro do

pulmão, que apresenta uma aparência serrilhada.

2. A malha de linhas na periferia pulmonar pode dar origem a uma

aparência de “favo de mel”. Isso ocorre mais tardiamente no processo

brótico e consiste em áreas de ar pretas circundadas por uma borda

branca mais espessa.

3. Observe os brônquios. Na brose pulmonar, em razão da distorção

arquitetural e da perda de volume, as paredes das vias aéreas são

separadas. Diferente da bronquiectasia, as paredes não aparecem

espessadas. Isso é conhecido como alteração da via aérea por tração.

4. Procure por densidade de vidro fosco no pulmão. Isso possui uma

aparência bastante especí ca. Há uma anormal área branca aumentada no

pulmão. Observe os vasos sanguíneos — com o in ltrado em vidro fosco,

os vasos sanguíneos ainda são visíveis. Caso eles não consigam ser

visualizados, esta área então é considerada consolidada (outra causa de

área branca aumentada no pulmão). A densidade de vidro fosco tende a

ter uma distribuição não homogênea por todo o pulmão — ela pode afetar

regiões particulares do pulmão ou ocorrer em áreas menores. A densidade

de vidro fosco pode representar alteração brótica muito na, que está

abaixo da resolução do aparelho de demonstrar mais claramente, ou ser

devida a anormalidades transitórias, como infecção ou líquido no interior

do pulmão. Caso observada isolada, é difícil ter certeza de seu signi cado,

contudo se for visualizada com outras características descritas

anteriormente, ela é consistente com brose intersticial.

 

Determinando a etiologia

Os radiologistas podem conseguir determinar a etiologia da brose

pulmonar por meio de um cuidadoso exame das imagens da TCAR. Eles vão pesquisar por inúmeras dicas, como, por exemplo:

1. A distribuição das alterações fibróticas.

a. A brose pulmonar idiopática, a brose secundária à doença do tecido

conjuntivo e a asbestose são caracterizadas por sua distribuição

irregular e pela presença de alterações bróticas subpleurais,

predominantemente basais.

b. A sarcoidose causa alterações predominantemente nas regiões superior

e média e ao redor do hilo.

2. A aparência dos septos interlobulares. Na linfangite carcinomatosa, há um

espessamento irregular dos septos interlobulares. Alguns depósitos

nodulares também podem ser visualizados na pleura, contudo a

distribuição não é frequentemente a mesma que a da sarcoidose.

3. A aparência da pleura. Na doença pulmonar por amianto, a brose

pulmonar geralmente é acompanhada de alterações na pleura,

notavelmente o espessamento pleural e as placas pleurais calci cadas.

4. Alterações mediastinais. Na sarcoidose, o exame pode demonstrar

linfadenopatia mediastinal.

O exame de TCAR pode determinar acuradamente a etiologia da doença

pulmonar intersticial. Entretanto, esta acurácia é altamente dependente da

habilidade de interpretação, portanto é fundamental que estes exames sejam

avaliados por radiologistas experientes. Certi que-se de que o radiologista

receba todas as informações clínicas para auxiliar a interpretação.

 

FOCO NO INFILTRADO EM VIDRO FOSCO

O in ltrado em vidro fosco é um achado comum na TC de alta

resolução (TCAR) (Fig. 4.38). É observado nas janelas de pulmão e é

um sutil aumento na coloração branca do parênquima pulmonar. Para

distinguir da consolidação, procure pelos vasos sanguíneos. No

in ltrado em vidro fosco, você ainda será capaz de visualizar os vasos

sanguíneos ao contrário da consolidação, onde estes estão

obscurecidos. Observe também as vias aéreas. Na consolidação, a

parede da via aérea está obscurecida, deixando visível apenas o ar no

interior do lúmen como uma estrutura preta no interior do in ltrado

(o broncograma aéreo). No in ltrado em vidro fosco, tanto o lúmen

quanto a parede da via aérea permanecem visíveis, contudo estarão

levemente menos visíveis que o normal.

O in ltrado em vidro fosco ocorre quando a razão ar/tecido se

altera, ou devido a uma redução na quantidade de ar alveolar ou um

aumento na espessura das paredes alveolares. Uma redução no ar

alveolar pode ser causada por um colapso parcial dos alvéolos ou vias

aéreas pequenas, e um aumento na espessura das paredes alveolares

pode ser devido a um edema ou in amação. O diagnóstico diferencial

do in ltrado em vidro fosco é, portanto, bastante amplo e inclui

doenças das vias aéreas, doença pulmonar intersticial e doenças

vasculares.

As dicas quanto às causas podem ser obtidas observando-se a

distribuição do in ltrado. A Tabela 4.1 mostra algumas causas do

in ltrado em vidro fosco e a associada distribuição das alterações.

 

Tabela 4.1 Causas de in ltrado em vidro fosco

Causa Distribuição do Outras

in ltrado em vidro características

fosco na TC

 

Pneumonia por Peri-hilar, região média Espessamento

Pneumocystis carinii septal, cistos

(PPC) pulmonares

 

Pneumonia Periférica, regiões média Tende a

eosinofílica simples e superior desaparecer

espontaneamente

 

Pneumonia Bilateral, sem

eosinofílica aguda predomínio na

distribuição

 

Pneumonia Periférica e basal, sem Aparência na TC

intersticial usual características marcantes predomínio por

(PIU) brose e

faveolamento

 

Pneumonia Subpleural e assimétrica Opacidades

intersticial não reticulares e

especí ca (PINE) lineares

 

Pneumonia em Sem predomínio na Associada a

organização distribuição nódulos e

criptogênica (POC) consolidação

 

Pneumonia Bilateral e simétrica, Consolidação e

intersticial aguda geralmente difusa, brose nos estágios

(PIA) embora mais nais

predominante nas

regiões inferiores

 

Bronquiolite Preferência pela região Áreas irregulares de

respiratória superior brose e

associada a doença espessamento da

parede brônquica

pulmonar

intersticial (DPI)

 

Edema pulmonar Posterior (a área Coração

dependente com o aumentado e linhas

paciente em decúbito septais

dorsal) proeminentes

 

Pneumonite por Bilateral, regiões média e

hipersensibilidade inferior

 

Reações a drogas Mais comumente Sobreposição com

periférica características de

pneumonite por

hipersensibilidade

 

Vasculite, Wegener Irregular Geralmente

nódulos discretos e

escavação

 

Hemorragia Geralmente região Apresentação

pulmonar superior, pode ser clínica marcante

idiopática irregular