Sangue Inocente

James Rollins e Rebecca Cantrell · Capítulo 13 de 59

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Sangue Inocente

Capítulo 11

 

19 de dezembro, 07h34, CET

Cidade do Vaticano

– Ajudem-nos! – clamou uma voz à sua porta.

Ao ouvir o medo, a urgência, o cardeal Bernard ergueu-se da cadeira da secretária e cruzou o espaço num segundo, não se dando ao trabalho de esconder a sua alteridade do padre Ambrose. Embora o assistente conhecesse a natureza oculta do cardeal, vacilou para trás, em choque.

Bernard ignorou-o e franqueou a porta com violência, quase a arrancando dos gonzos.

Na soleira, descobriu a silhueta jovem do monge alemão, o irmão Leopold, acabado de chegar da Abadia de Ettal. Do seu outro lado, um diminuto noviço de nome Mario. Carregavam o vulto inerte de um sacerdote entre si, a cabeça da vítima pendente.

– Encontrei-o a cambalear para fora dos túneis mais profundos – disse Mario.

O cheiro acre de vinho passado exalava do corpo, inundando o aposento, enquanto Leopold e Mario entravam com o seu fardo. Pulsos pálidos ressaltavam do hábito húmido, a pele retesada sobre os ossos.

O sacerdote passara muita fome, sofrera imensamente.

Bernard ergueu o queixo do homem. Contemplou um rosto tão familiar quanto o seu próprio – os salientes ossos malares eslavos, o queixo profundamente fendido e a testa alta e lisa.

– Rhun?

Passado o choque, vagas de emoções colidiram no seu íntimo perante a visão do vulto devastado do amigo: fúria contra quem lhe infligira aquilo; medo que fosse tarde demais para o salvar e uma grande parte de alívio. Pelo retorno de Rhun e pela clara evidência de que não poderia ter assassinado e sugado o sangue de todas aquelas raparigas em Roma, não naquele estado.

Contudo, não estava ainda tudo perdido.

Os torturados olhos escuros entreabriram-se e reviraram-se.

– Rhun? – chamou Bernard. – Quem te fez isto?

Rhun forçou as palavras a brotarem dos lábios gretados.

– Ela vem aí. Está a aproximar-se da Cidade Santa.

– Quem?

– Ela está a conduzi-los até nós – murmurou. – Muitos strigoi. A caminho daqui.

Entregue a mensagem, Rhun sucumbiu.

Leopold deslizou um braço sob os joelhos de Rhun e levantou-o como se fosse uma criança. O seu corpo estava inerte, exausto. Bernard não extrairia mais nada dele naquele estado. Seria necessário mais do que vinho para arrancar Rhun àquela devastação.

– Levem-no para o sofá – ordenou Bernard. – Deixem-no comigo.

O jovem erudito obedeceu, depositando Rhun no pequeno sofá do compartimento.

Bernard voltou-se para Mario, que o fitava boquiaberto, com os olhos azuis arregalados. Novo na ordem, nunca testemunhara nada de semelhante.

– Vai com o irmão Leopold e o padre Ambrose. Façam soar o alarme e dirijam-se para a entrada da cidade.

Assim que os outros deixaram os aposentos, ele abriu o pequeno frigorífico sob a secretária. Estava guarnecido de bebidas para os seus convidados humanos, mas não era disso que precisava no momento. Procurou atrás das garrafas por um singelo frasco de vidro, vedado por uma rolha. Todos os dias o reabastecia. Ter tal tentação perto de si era interdito, mas Bernard acreditava nos velhos tempos, quando a necessidade atenuava o pecado.

Levou o frasco até Rhun e abriu-o. O odor intoxicante emanou dele, agitando até Rhun.

Ótimo.

Bernard inclinou a cabeça de Rhun para trás, abriu-lhe a boca e verteu-lhe o sangue pela garganta abaixo.

 

Rhun estremeceu com a bênção, perdido no fluido carmesim que lhe percorria as veias negras. Queria rebelar-se, reconhecendo o pecado na sua língua. Mas as memórias enevoavam-se: os seus lábios sobre um pescoço aveludado, o ceder da carne sob os seus dentes afiados. O sangue e os sonhos arrastaram para longe a dor. Gemeu de prazer, cavalgando as ondas de êxtase que pulsavam por cada fibra do seu ser.

Negado a esse deleite há tanto tempo, o corpo não o queria largar.

Mas o enlevo acabou por refrear, deixando para trás um vazio, um poço de desejo sinistro. Rhun debatia-se para ganhar fôlego para falar, mas antes que o conseguisse, a escuridão apoderou-se dele. Enquanto esta o consumia, rezava para que o corpo infestado pelo pecado pudesse resistir à penitência que se avizinhava.

Rhun passava pelo jardim de ervas do mosteiro, a caminho das orações do meio da manhã. Demorou-se, deixando o sol de verão aquecer-lhe o rosto. Correu a mão pelos pés de alfazema roxos que ladeavam o caminho de gravilha, enquanto a delicada fragrância se intensificava à sua passagem. Levou os dedos assim contaminados ao rosto para apreciar o aroma.

Sorriu ao lembrar-se de casa.

Na casa de família, a sua irmã repreendia-o frequentemente por se perder na horta, rindo-se quando ele se tentava desculpar. Como adorara atormentá-lo, mas sempre fazendo-o rir. Talvez a pudesse ver nesse domingo, o ventre redondo a crescer com o seu primeiro filho.

Uma gorda abelha dourada esvoaçou em torno de um botão roxo-escuro, uma outra abelha pousando no mesmo pé. O caule dobrou-se sob o seu peso e oscilou na brisa, mas as abelhas pouco se importaram. Trabalhavam diligentemente, seguras do seu lugar no plano divino.

A primeira abelha levantou da flor e sobrevoou a alfazema.

Sabia para onde ia.

Seguindo-lhe o rumo deambulante, Rhun alcançou o muro coberto de líquenes ao fundo do jardim. A abelha desapareceu pela abertura redonda de uma das colmeias cónicas amarelo-douradas, de palha, alinhadas no topo do muro de pedra.

Rhun construíra aquele cortiço ele próprio, no final do último verão. Apreciara a simples tarefa de entretecer a palha em tranças, torcendo as mechas em espirais e dando-lhes a forma de colmeia cónica. Encontrava paz nessas tarefas simples e executava-as bem.

O irmão Thomas observara o mesmo:

– Os seus dedos ágeis estão talhados para este tipo de obra.

Fechou os olhos e inalou o aroma intenso do mel. O ruidoso zunido das abelhas envolveu-o. Tinha outras obras a executar, mas ali ficou por um longo momento, repleto de satisfação.

Quando voltou a si, Rhun sorriu. Esquecera aquele momento. Era um simples fragmento de uma outra vida, há séculos, antes de se tornar um strigoi e perder a sua alma.

Sentiu de novo o doce e rico aroma do mel, o toque suave da alfazema. Recordou o calor do sol na sua pele, quando a sua luz ainda não era um misto de dor. Mas acima de tudo, pensou na irmã a sorrir.

Sentia saudades dessa vida singela – apenas para reconhecer que nunca a teria.

E com esse duro reconhecimento, veio um outro.

Os olhos abriram-se bruscamente, sentindo o sabor do sangue na sua língua, e confrontou Bernard.

– O que fez... é pecado.

O cardeal afagou-lhe a mão.

– Pecado meu, não seu. Aceitarei de bom grado o fardo para o ter ao meu lado no combate que se aproxima.

Rhun permaneceu imóvel, debatendo-se com as palavras de Bernard, querendo acreditar nelas, mas sabendo que o gesto fora errado. Sentou-se, descobrindo uma força renovada na carne e nos ossos. A maioria das feridas tinha sarado. Inspirou o ar para aquietar a mente em tumulto.

Bernard estendeu a mão, revelando uma familiar forma curva de prata manchada.

Era a karambit de Rhun.

– Se se sentir suficientemente recuperado – disse Bernard –, poderá juntar-se a nós na batalha que se avizinha. Para se vingar daqueles que o trataram tão brutalmente. Referiu uma mulher.

Rhun pegou na arma, evitando o olhar penetrante do cardeal, demasiado envergonhado, mesmo agora, para proferir o nome dela. Tateou o gume afiado da lâmina.

Elisabeta tirara-lha.

Como é que Bernard a encontrara?

O soar estridente de uma campainha de alarme quebrou o momento.

As perguntas teriam de esperar.

Bernard atravessou o compartimento num relampejar de tecido escarlate e retirou a sua antiga espada da parede. Rhun pôs-se de pé, surpreso com a ligeireza do seu corpo depois de beber o sangue, como se pudesse voar. Apertou com mais força a sua própria arma.

Assentiu para Bernard, confirmando que se sentia suficientemente bem para lutar, e partiram rapidamente. Percorreram os reluzentes corredores de madeira dos aposentos papais, transpuseram as portas de bronze e saíram para a praça.

Para evitar os olhares de um punhado de pessoas que circulavam pelo espaço aberto, Rhun seguiu Bernard para o refúgio umbroso da colunata de Bernini que ladeava a praça. As enormes colunas toscanas, em quatro fiadas, deveriam manter oculta a sua veloz passagem sobrenatural. Bernard juntou-se a um contingente de outros sanguinistas que esperavam o cardeal nas sombras. Em grupo, apressaram-se ao longo do curso da colunata em direção à entrada da Cidade Santa.

Uma vez alcançada a baixa vedação que separava a cidade-estado do Vaticano da Roma propriamente dita, os olhos de Rhun perscrutaram os telhados mais próximos. Recordou a visão partilhada que tivera com Elisabeta, dela a saltar de telhado em telhado.

O som furioso de uma buzina de automóvel chamou-lhe a atenção para baixo, para a rua de pedra que conduzia ao lugar.

A uns cinquenta metros dali, o pequeno vulto de uma mulher corria pelo centro da Via della Conciliazione, coxeando sobre uma perna. Embora o cabelo fosse mais curto, ele não teve dificuldade em reconhecer Elisabeta. Um carro branco guinou para a evitar.

Ela não lhe prestou atenção, determinada em chegar à Praça de São Pedro.

Atrás dela, uma dezena de strigoi corria e saltava a toda a velocidade.

Queria irromper da colunata e correr para ela, mas Bernard colocou-lhe uma mão firme no braço.

– Espere – avisou o cardeal, como que lendo os seus pensamentos. – Há humanos na rua e naquelas casas. Verão a batalha e saberão. Temos milénios de sigilo a proteger. Deixe que a batalha venha até nós.

Enquanto observava, Rhun reconheceu a dor nos lábios comprimidos de Elisabeta, os olhares receosos que lançava para trás. Recordou-se do mesmo pânico ao ver pelos olhos dela.

Ela não está a conduzir a matilha – está a tentar escapar-lhe.

Apesar de tudo o que ela lhe fizera e aos inocentes da cidade, uma vontade impulsiva de a proteger brotou no seu íntimo. Os dedos de Bernard fincaram-se no seu ombro, talvez sentindo-o tender para diante, pronto a lançar-se em sua defesa.

Por fim, Elisabeta chegou ao fundo da rua. Os outros strigoi estavam quase sobre ela. Sem abrandar, saltou o muro que marcava os limites da Cidade do Vaticano e aterrou, meio encolhida, encarando a ameaçadora matilha.

Escarneceu, expondo as presas e disse, em tom de provocação:

– Sigam-me, se ousarem.

A matilha estacou repentinamente atrás da vedação. Alguns deram um passo cauteloso adiante, depois de novo atrás, sentindo a debilitante sacralidade do solo consagrado do outro lado. Queriam-na, mas ousariam entrar na Cidade do Vaticano para a ter?

O solo sagrado não era tudo o que tinham a temer.

A força sanguinista esperava de cada lado de Rhun e Bernard, imóveis como estátuas entre as colunas. Se os strigoi entrassem na cidade, as bestas seriam arrastadas para essa escura floresta de pedra e chacinadas.

Elisabeta recuou da vedação, mas colocou demasiado peso sobre a perna magoada e o tornozelo cedeu, por fim, fazendo-a tombar no pavimento.

O sinal de fraqueza foi demasiado para os strigoi resistirem. Como leões a atacarem uma gazela ferida, a matilha precipitou-se para diante.

Rhun libertou-se da prisão de Bernard e irrompeu pelo espaço aberto. Voou em direção a Elisabeta, tão criatura de instinto quanto os strigoi. Alcançou-a, ao mesmo tempo que o líder da matilha, uma figura imensa de grossos músculos e tatuagens negras azuladas, saltou a vedação e aterrou do outro lado da condessa, revelando os dentes.

Mais strigoi seguiram-lhe o exemplo, voando sobre o muro.

Rhun agarrou-a pelo braço e recuou em direção à colunata, arrastando-a, na esperança de atrair a matilha para a floresta de pedra.

O líder gritou uma ordem e uma besta zelosa avançou prontamente.

Oscilando um dos braços, Rhun atirou Elisabeta como uma boneca de trapos para a colunata e desferiu a sua karambit. A lâmina de prata cortou o ar – e depois a carne. A jovem criatura selvática caiu para trás, agarrando a garganta, enquanto ar e sangue borbulhavam para fora do pescoço decepado.

Outros strigoi precipitaram-se para a frente, enquanto Rhun recuava – para se depararem com Bernard e os outros sanguinistas no limite da colunata.

Uma breve batalha grassou por entre as colunas. Mas com a matilha apanhada de surpresa e enfraquecida pelo solo sagrado, foi uma chacina. Alguns escaparam, saltando a vedação e dispersando-se pelas ruas como vermes, fugindo da luta e do sol.

Rhun viu-se confrontado com o corpulento líder. No seu peito nu, tinha tatuada uma pintura de Hieronymus Bosch, um cenário infernal de morte e castigo, que ganhava vida com a agitação dos seus músculos ao erguer a pesada lâmina.

A lâmina de Rhun parecia desprezivelmente pequena comparada com aquela extensão de aço.

Como se o soubesse, o despeito gerou um brilho perverso nos olhos escuros do outro. Lançou-se sobre Rhun, desferindo a espada sobre a cabeça deste, disposto a rachá-la em duas.

Mas a sacralidade abrandou o ataque do strigoi, dando a Rhun tempo de mergulhar na guarda do outro. Virou o gancho da sua karambit para cima e penetrou o ventre do adversário. Rasgando mais, cortou a grotesca tela a meio e lançou o corpo para longe.

O vulto estripado tombou para o limite das colunas, um dos braços estendendo-se para a luz – a luz do sol. O membro irrompeu em chamas. Um outro sanguinista ajudou Rhun a puxar o corpo de volta às sombras e estancou as chamas, antes que o fogo atraísse atenções indesejadas.

Alguns rostos voltaram-se na direção das sombras, mas a maioria permanecia alheada da brusca e mortal batalha no interior da colunata. Enquanto Rhun fitava a luz do sol a clarear a praça, o medo apoderou-se dele.

Elisabeta...

Voltou-se, descobrindo Bernard sobre o seu vulto encolhido e com o rosto contra o chão. Sentia certamente o esplendor do novo dia, sentia o seu ardor. Por agora, a sua única segurança residia no abrigo sombrio da colunata. Sair dali seria a morte.

Bernard agarrou-a pelo ombro, pronto a lançá-la para a praça, para enfrentar o julgamento do novo dia. Os sanguinistas reuniam-se à sua volta, a tresandar a vinho e a incenso. Nenhum deles impediria o cardeal se ele decidisse matá-la. Ela conduzira strigoi até à cidade mais sagrada da Europa.

Bernard enterrou uma mão no seu cabelo curto, puxou-lhe a cabeça para trás e encostou a lâmina ao seu pescoço macio e pálido.

– Não! – gritou Rhun, precipitando-se para a frente, empurrando os outros.

Mas não foi o seu grito que deteve a espada do cardeal.

 

07h52

O choque paralisou Bernard – além de o ter mergulhado na mais profunda incredulidade.

Fitava o rosto da mulher, como se fosse um fantasma.

Não podia ser ela.

Devia ser uma ilusão de luz e sombra, a sua mente entregando-se à fantasia, um strigoi com uma parecença inquietante. Contudo, reconhecia-lhe os olhos argênteos, o tom negro do seu cabelo, até mesmo a expressão indignada e altiva, quando a lâmina se encostou à sua garganta macia, como se o desafiasse a tomar-lhe a vida.

A condessa Elizabeth Bathory de Ecsed.

Mas ela morrera há séculos. Bernard vira-a aprisionada no seu castelo. Até a visitara aí uma vez, tivera pena dela, a culta e nobre senhora aviltada pelos desejos ignóbeis de Rhun.

Mas Bernard carregava culpa idêntica por esse crime. Séculos antes, empurrara a mulher para aquele destino cruel, quando juntara Rhun e a condessa, tentando impor a sua vontade à profecia divina. Depois disso, Bernard implorara para ser ele a pôr fim à vida dela, para poupar Rhun de o fazer, sabendo quanto este a amara, o quanto se apaixonara por ela. Mas o papa considerara parte da penitência de Rhun acabar com a vida sobrenatural da mulher, matar o monstro que ele próprio criara.

Bernard ficara inquieto quando Rhun voltara da Hungria. Rhun afirmara que o tinha feito, que a condessa fora afastada deste mundo. Bernard depreendera que ela estava morta, não guardada como uma boneca numa gaveta. Ao mesmo tempo, como penitência adicional, Rhun condenara-se à fome durante anos, mortificara-se durante décadas, isolando-se do mundo mortal.

Mas, claramente, não a matara.

O que fizeste, meu filho? Que mais pecados cometeste em nome do amor?

À medida que o horror se dissipava, um outro entendimento ganhou forma, um entendimento cheio de promessa.

Por Rhun a ter poupado, a linhagem Bathory não estava extinta – como Bernard desesperara naqueles últimos meses. Ponderou o que aquilo implicava.

Será um sinal de Deus?

Terá a vontade de Deus agido por intermédio de Rhun, preservando a condessa para aquela nova missão?

Pela primeira vez desde que o Evangelho de Sangue anunciara a sua mensagem, lançando a dúvida sobre o papel da doutora Erin Granger como a Mulher Sábia, a esperança apoderou-se de Bernard.

A condessa Bathory ainda podia salvá-los a todos.

Bernard fixou o seu belo rosto deslumbrado, ainda sem acreditar naquele milagre, naquela súbita viragem da sorte. Agarrou-lhe o cabelo mais firmemente, recusando-se a perder aquela esperança.

Não podiam deixá-la escapar.

Rhun surgiu ao seu lado, algo vacilante, claramente sucumbindo de novo ao estado enfraquecido. Mesmo aquela breve batalha apagara o fogo que o sangue avivara no seu íntimo.

Contudo...

– Prendam-no – ordenou Bernard aos outros, receando o que Rhun podia fazer. Naquele momento, ele não conhecia o coração do amigo. Matá-la-ia, salvá-la-ia ou tentaria fugir com ela em desgraça?

Não sei.

Tudo o que sabia ao certo era que tinha de proteger aquela mulher maldita, com todas as forças que pudesse reunir.

Precisava dela.

O mundo precisava dela.

A condessa deve ter lido essa certeza nos seus olhos. Os seus lábios perfeitos curvaram-se num sorriso ardiloso e mesquinho.

Que Deus nos ajude se eu estiver errado.