Sangue Inocente
Capítulo 53
20 de dezembro, 16h49, CET
Siwa, Egito
Rhun agarrou Elisabeta pela cintura quando esta se precipitou para eles.
Tommy caiu no chão, deslizando da lâmina, derramando sangue vermelho pela areia escura. Uma clara cintilação dourada misturava-se aí também. O outro lado da cratera irradiava um brilho similar, uma gradação áurea mais escura a envolver as silhuetas de Judas e Arella.
– Porquê? – soluçou Elisabeta, agarrada a ele.
Rhun baixou-a até ao rapaz.
A espada perfurara-lhe diretamente o coração. Rhun ouvia agora o seu último débil vacilar, depois parou.
Jordan caiu de joelhos diante do corpo, largando a espada, agarrando-se ao seu lado esquerdo.
Erin baixou-se.
– O que se passa...?
Rhun sentiu-o momentos antes de acontecer – uma emanação de um poder inimaginável – e pôs um braço sobre os olhos, protegendo Elisabeta com o seu corpo.
Depois veio a explosão de luz.
A magnificência feriu-lhe os olhos.
O sangue ferveu-lhe nas veias.
Elisabeta gritava estridentemente nos seus braços, o som ecoado pelos outros num coro de dor e medo.
Vergado pelo esplendor, caído de joelhos, Rhun implorava por perdão, enquanto rezava por entre o sofrimento. Cada pecado seu era uma indignidade face a tal brilho sagrado, nada podia permanecer escondido. O seu maior pecado era uma escuridão sem limites, capaz de o consumir por inteiro. Mesmo aquela luz não o poderia vencer.
Por favor, basta...
Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, a luz deu lugar a uma misericordiosa escuridão. Ele abriu os olhos. Corpos mortos de strigoi e blasphemare estavam espalhados pela cratera; mesmo os que haviam fugido para lá dela tinham sido dizimados pela explosão. Rhun moveu-se, a dor ainda a assolar o seu corpo.
Queimava com o mais sagrado dos ardores.
Perscrutou a cratera. Erin estrava prostrada ao lado do corpo caído de Tommy, com Jordan ajoelhado ao seu lado e agarrado ao ombro esquerdo. Pareciam ambos abalados, mas intocados pelo brilho. Não tendo sangue contaminado, teriam provavelmente sido poupados ao maior impacto da sua força.
Elisabeta jazia, inerte, nos seus braços.
Ela era strigoi, sem sequer a aceitação do amor de Cristo para a escudar daquele fogo. Tal como as outras criaturas amaldiçoadas, devia estar morta.
Por favor, implorou, não a Elisabeta.
Encostou-a contra o seu peito. Ele afastara-a do seu tempo, do seu castelo, aprisionara-a durante centenas de anos, para a ver morrer num deserto solitário, longe de tudo e de todos os que alguma vez amara.
Quantas vezes a tinham amaldiçoado as ações dele?
Afastou-lhe o cabelo curto encaracolado da testa pálida e varreu-lhe a areia das faces descoradas. Há muito tempo, segurara-a da mesma forma, ela moribunda num chão de pedra no castelo de Čachtice. Devia tê-la deixado morrer então, mas mesmo agora, sabia que faria tudo para a ter de volta.
Inclusive pecar de novo.
Como que em resposta a esse pensamento blasfemo, ela mexeu-se. Os seus olhos argênteos pestanejaram e os lábios ganharam cor, esboçando um sorriso hesitante. O olhar ficou-lhe momentaneamente perdido, deslocado no tempo e no espaço.
Contudo, naquele momento, ele soube a verdade.
Apesar de tudo, ela amava-o.
Encostou a mão ao seu rosto. Mas como sobrevivera ela ao cauterizante brilho no seu estado amaldiçoado? Tê-la-ia ele protegido com o seu corpo? Ou o seu amor por ela?
Fosse como fosse, a felicidade inundou-o ao mergulhar nos seus olhos cor de prata, deixando que o deserto se desvanecesse à sua volta. Naquele instante, ela era tudo o que importava. A mão dela ergueu-se. As pontas dos dedos macias tocaram-lhe a face.
– Meu amor... – sussurrou ela.
17h03
Erin desviou o olhar de Rhun e da condessa. Ainda estava meio cega pela explosão de luz, jurando por momentos ter visto um movimento de asas erguer-se das areias. Fitou as estrelas lá em cima.
Estrelas.
Endireitou-se e rodou num círculo lento, vendo o manto obscuro desvanecer-se do céu noturno que se estendia em todas as direções. Imaginou o céu a clarear, dali até Cumas.
Teriam conseguido encerrar os portões?
Jordan levantou-se ao seu lado. Ele fletia e esticava o braço, sacudindo-o ligeiramente, relembrando-a de uma preocupação mais imediata. Recordou como ele caíra de joelhos, agarrando-se ao flanco, como se sofresse um ataque cardíaco.
– Estás bem? – perguntou ela.
Ele olhou o rapaz em baixo, o sangue.
– Quando ele sucumbiu, senti-me como se algo fosse arrancado de mim. Achei que ia morrer.
De novo.
Ela examinou o rosto pálido de Tommy. Os seus olhos estavam fechados, como se estivesse simplesmente adormecido. Em Estocolmo, o toque do rapaz, o seu sangue, tinham ressuscitado e curado Jordan. Ela notou que a poça de sangue já não irradiava brilho. Infiltrava-se, simplesmente, frio pela areia.
Ela estendeu a mão e apertou a de Jordan, sentindo o seu calor, grata por isso.
– Penso que a essência angélica de que o Tommy te impregnou foi arrancada de ti durante a explosão de luz.
– Onde está a espada? – perguntou Jordan, olhando em volta aos seus pés.
Tinha desaparecido também.
Ela voltou a recordar aquelas asas de luz.
– Acho que foi devolvida ao dono original.
Bernard juntou-se a eles, de olhos postos nos céus.
– Fomos poupados.
Ela esperou que ele tivesse razão, mas nem todos tinham tido a mesma sorte.
Baixou um joelho e tocou a camisa ensopada de sangue de Tommy. Levou os dedos ao seu rosto jovem, parecendo ainda mais novo na morte, as feições descontraídas, finalmente em paz. A sua pele ainda estava quente ao toque.
Quente.
Pousou a mão contra a garganta dele, recordando-se de fazer o mesmo com Jordan.
– Ainda está quente.
Procurou em baixo, abrindo-lhe bruscamente a camisa, arrancando os botões.
– A ferida desapareceu!
Tommy sacudiu-se subitamente, sentando-se, afastando-a, claramente assustado, o seu olhar fixando-se em todos eles. O medo desvaneceu-se, em reconhecimento.
– Então... – balbuciou, fitando o seu peito nu.
Os dedos sondaram também.
Elizabeth afastou-se de Rhun e aterrou de joelhos, tomando a sua outra mão.
– Estás bem, rapaz?
Ele apertou-lhe os dedos, chegando-se para mais perto dela, ainda assustado.
– Eu... eu não sei. Acho que sim.
Jordan sorriu.
– A mim, pareces-me bem, miúdo.
Christian juntou-se a eles com Wingu. O par terminara uma rápida inspeção da cratera e da crista, para se certificar de que não havia perigo.
– Consigo ouvir-lhe o bater do coração.
Rhun e Bernard confirmaram-no com um aceno.
O alívio percorreu Erin.
– Graças a Deus!
– Ou, neste caso, graças a Miguel. – Jordan fez deslizar um braço em torno dela.
A condessa repreendeu Tommy.
– Não voltes a fazer nada assim!
A sua seriedade ensombrou o sorriso de Tommy.
– Prometo. – Ergueu uma mão. – Nunca mais me lançarei contra uma espada.
Christian chegou-se mais para perto de Erin.
– O sangue dele já não tem um odor... angélico. É novamente mortal.
– Penso que foi por termos libertado o espírito que o habitava. Para se poder reunir à sua outra metade. – Ela fitou Iscariotes. – Isso significa que Judas sarou igualmente?
Christian abanou a cabeça.
– Verifiquei-o quando fiz a minha ronda com Wingu. Ainda vive, mas por pouco. Neste preciso momento, sinto o seu coração prestes a ceder.
Rhun fixou os olhos em Judas.
– A sua recompensa não foi a vida.
17h07
Pela primeira vez em milhares de anos, Judas sabia que a morte estava perto. Uma sensação de formigueiro espalhava-se do ferimento no flanco e corria-lhe pelas veias como água gelada.
– Tenho frio – sussurrou.
Arella puxou-o mais para o seu abraço quente.
Com grande esforço, ele levantou o braço diante dos olhos debilitados. As costas da sua mão estavam cobertas de manchas acastanhadas da idade. A sua pele pendia em frouxas dobras dos ossos.
Era o braço frágil de um homem velho.
Com dedos tremulantes, sentiu o rosto, descobrindo sulcos onde outrora existira pele macia, em torno da boca, nos cantos dos olhos. Definhara assim.
– Continuas belo, meu velho vaidoso.
Sorriu brandamente, face às palavras dela, face ao gentil sarcasmo.
Ele substituíra a maldição da imortalidade pela maldição da velhice. Os ossos doíam-lhe e os pulmões chocalhavam. O coração marchava vacilante como um bêbado andando no escuro.
Contemplou Arella, linda como sempre. Parecia-lhe impossível que ela alguma vez o tivesse amado, que ainda o amasse. Errara ao deixá-la partir.
Errei em tudo.
Acreditara que o seu desígnio era trazer Cristo de volta à Terra. Todos os seus pensamentos se dirigiram exclusivamente nesse sentido. Empenhara séculos ao serviço dessa missão sagrada.
Mas esse não fora o seu desígnio, apenas a sua presunção.
Cristo concedera-lhe aquele dom, não para acabar com o mundo, não como penitência pela sua traição, mas para desfazer o erro que o próprio Cristo cometera enquanto criança.
Reparar o que fora quebrado.
E agora, cumpri-o.
Eram esses a sua verdadeira penitência e verdadeiro desígnio, e eram bem mais do que ele merecia. Fora chamado a devolver a vida e não a trazer a morte.
A paz inundou-o, enquanto fechava os olhos e confessava, em silêncio, os seus pecados.
Eram tantos.
Quando voltou a abrir os olhos, cataratas cinzentas toldavam-lhe a visão. Arella era um borrão indistinto, desvanecendo-se já cruelmente da sua vista, à medida que o fim se aproximava.
Ela abraçou-o com mais força, como que para o reter ali.
– Soubeste sempre a verdade – sussurrou ele.
– Não, mas tinha esperança – sussurrou-lhe ela de volta. – A profecia nunca é clara.
Ele tossiu à medida que os pulmões se engelhavam dentro de si. A sua voz era um crocitar.
– A minha única mágoa é não poder passar a eternidade contigo.
Agora demasiado fraco, Judas fechou os olhos – não para a escuridão, mas para uma luz dourada. O frio e a dor recuaram face àquele brilho, deixando apenas beatitude.
As palavras foram-lhe sussurradas ao ouvido.
– Como sabes como vamos passar a eternidade?
Ele abriu os olhos, uma última vez. Ela resplandecia, agora, por entre as cataratas, em toda a sua glória, cintilando de graça celestial.
– Também eu fui perdoada – entoou ela. – Por fim, sou chamada a casa.
Ela ergueu-se dele, para longe dele. Ele procurou por ela, descobrindo o seu próprio braço feito luz. Ela pegou-lhe na mão e puxou-o do seu casulo mortal para o seu abraço eterno. Inundados de amor e esperança, partiram rumo à paz final.
Juntos.
17h09
Ninguém falou.
Tal como Erin, todos tinham visto Arella irromper em luz, inundando a cratera com um calor que exalava a flores de lótus. Depois, desapareceu.
O corpo de Judas permaneceu, mas desfazia-se em pó naquele preciso momento, agitado pelo vento do deserto que o misturava com a areia eterna, assinalando o seu lugar de descanso final.
– O que lhe aconteceu? – A voz de Tommy estava tensa de preocupação.
– Envelheceu até à sua idade natural – explicou Rhun. – De novo a velho em instantes.
– Isso vai acontecer-me? – Tommy parecia aterrado.
– Eu não me preocuparia com tal coisa, miúdo – tranquilizou-o Jordan. – Só foste imortal por uns meses.
– É verdade? – Ele voltou-se para a condessa.
– Parece-me que sim – disse Elizabeth. – As palavras do soldado são válidas.
– E a mulher anjo? – Tommy procurou o seu lugar vazio no deserto. – O que lhe aconteceu?
– Se tivesse de adivinhar – disse Erin –, diria que ela e Judas foram levados juntos para o alto.
– Ele teria gostado disso – notou Tommy.
– Também acho que sim.
Erin entrelaçou os seus dedos nos de Jordan.
Ele apertou-os com força.
– Mas isso significa que já não temos anjos aqui. Pelo menos um deles não tem de abençoar o livro?
Erin voltou-se para Bernard.
– Talvez já o tenham feito. Os céus clarearam de novo no horizonte.
Bernard meteu a mão por entre as roupas rasgadas até à armadura que usava por baixo. Agarrou o fecho, parecendo a ponto de o arrancar. Por fim, conseguiu abri-lo e tirou para fora o Evangelho de Sangue.
Segurou-o nas mãos trémulas, com os olhos inquietos.
O volume encadernado a couro parecia inalterado.
Mas todos sabiam que a verdade estaria contida no interior.
Bernard levou-o até Tommy e depositou-o, reverentemente, nas mãos do rapaz, com uma expressão arrependida.
– Abre-o. Mereceste-o.
Sem dúvida.
Tommy baixou-se sobre os joelhos e pousou o livro no colo. Com um dedo, levantou lentamente a capa, como que receoso do que poderia revelar.
Erin olhava por cima do seu ombro, igualmente inquieta, o coração acelerado.
Tommy baixou a capa até ao joelho, revelando a primeira página. A passagem original escrita à mão cintilava no escuro com um brilho suave, cada letra perfeitamente clara.
– Não há nada de novo aí – comentou Bernard, parecendo desalentado e perturbado.
– Talvez signifique que tudo terminou – propôs Jordan. – Não temos de fazer mais nada.
Se assim fosse...
Porém, Erin sabia que não era assim.
– Vira a página.
Tommy passou a língua pelo lábio superior e obedeceu, levantando a primeira página e expondo a seguinte.
Também essa estava inalterada, em branco – então, palavras em carmesim profundo surgiram, percorrendo a página em linhas delicadamente inscritas. Ela imaginou Cristo a desenhar aquelas letras gregas, a sua pena mergulhada no próprio sangue para redigir aquele evangelho milagroso.
Linha após linha, encheram rapidamente a página, bem mais do que da primeira vez que o livro revelara a sua mensagem. Três breves cantos ganharam forma, acompanhados de uma mensagem final.
Tommy levantou o livro para Erin.
– Consegue ler, certo?
Jordan pousou-lhe uma mão sobre o ombro bom.
– É claro que consegue. Ela é a Mulher Sábia.
Por uma vez, Erin não sentiu o impulso de o corrigir.
Sou.
Quando pegou no livro, uma estranha energia emanou da capa para as suas mãos. As palavras ganharam um brilho mais intenso, como se sempre tivesse estado destinada a ler o que ali estava escrito. Sentiu-se subitamente possessiva em relação ao livro, àquelas palavras.
Traduziu do grego antigo e leu em voz alta o primeiro canto:
– A Mulher Sábia está agora ligada ao livro e ninguém o poderá separar dela.
– O que quer isso dizer? – indagou Bernard.
Ela encolheu ligeiramente os ombros, tão desconcertada quanto ele.
Jordan tirou-lhe o livro das mãos. Assim que o Evangelho deixou os seus dedos, as palavras desapareceram.
Bernard abriu a boca de espanto.
Erin voltou a pegar rapidamente no livro e as palavras voltaram a ganhar vida.
Jordan dirigiu um sorriso a Bernard.
– Ainda duvida de quem ela seja?
Bernard fitava simplesmente o livro, parecendo angustiado, como se o amor da sua vida lhe tivesse sido arrancado. E talvez tivesse. Erin recordou como se sentira quando foi enviada de volta à Califórnia, considerada indigna de se envolver com aquele livro milagroso.
– O que mais diz? – perguntou Tommy.
Ela respirou fundo e passou ao segundo canto.
– O Homem Guerreiro... – Olhou de relance para Jordan, esperando que fosse algo bom. – O Homem Guerreiro está do mesmo modo ligado aos anjos, a quem deve a sua vida mortal.
Proferida essa última palavra, Jordan estremeceu subitamente, arrancando o resto da manga esfrangalhada do seu braço esquerdo. Arquejou. A tatuagem aí traçada inflamara-se, irradiando um brilho dourado. Um instante depois, apagou-se, deixando apenas as linhas de tinta azul e preta na sua pele.
Ele friccionou o braço e agitou os dedos.
– Ainda sinto o ardor lá bem no fundo. Como quando o Tommy me trouxe de volta à vida.
– O que quer isso dizer? – perguntou Erin, olhando os outros.
Pelas suas expressões, nenhum sabia.
Christian avançou o único parecer.
– O sangue de Jordan continua a cheirar ao mesmo, pelo que não é imortal ou algo assim.
Jordan franziu o sobrolho.
– Pare de me cheirar.
Deixando esse mistério momentaneamente de parte, Erin passou ao terceiro e último canto, que leu em voz alta.
– Mas o Cavaleiro de Cristo tem de fazer uma escolha. Pela sua palavra, ele poderá desfazer o seu maior pecado e restituir o que se pensou para sempre perdido.
Fitou Rhun.
O olhar dele encontrou o seu, os seus olhos escuros, duros como obsidiana. Ela leu algum entendimento nesse fulgor escuro, mas ele manteve-se em silêncio.
Tommy apontou para o fundo da página.
– E o que é isso escrito aí em baixo?
Ela leu-o, também. Estava separado dos três cantos, claramente uma mensagem ou aviso final.
– Em conjunto, a Trindade deve enfrentar a derradeira busca. As grilhetas de Lúcifer foram soltas e o seu Cálice continua perdido. Será necessária a luz dos três para forjar o Cálice e bani-lo de novo para a escuridão eterna.
Jordan suspirou pesadamente.
– Então, o nosso trabalho ainda não está terminado.
Erin segurou o cálido livro nas suas mãos e releu a última passagem várias vezes. O que era aquele Cálice? Ela sabia que teria de passar longas horas a tentar perceber o significado daquelas poucas linhas, a extrair o seu sentido.
Mas, de momento, isso podia esperar.
Jordan fitou Rhun.
– Que história é essa do seu maior pecado?
Rhun manteve-se em silêncio e voltou-se para o deserto vazio.
Bernard respondeu.
– O seu maior pecado foi quando se tornou strigoi. – Cingiu firmemente o ombro de Rhun. – Meu filho, penso que o Livro te propõe uma vida mortal, para te devolver a alma.
Mas aceitá-lo-ia?
Erin leu de novo esse último canto.
O Cavaleiro de Cristo tem de fazer uma escolha...