Sangue Inocente

James Rollins e Rebecca Cantrell · Capítulo 22 de 59

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Sangue Inocente

Capítulo 20

 

19 de dezembro, 13h44, CET

Roma, Itália

Sobre o rio Tibre, Judas puxava os remos para trás e o esguio barco de madeira disparava ligeiro pelas águas. A luz do sol refletia-se do rio prateado e ofuscava-lhe o olhar. Naquela altura tardia do ano, apreciava a sua luminosidade e calor declinante.

Um bando de corvos volteou adiante, desaparecendo entre os ramos nus de um parque na margem, antes de se elevar contra o vivo céu de inverno.

Em baixo, mantinha o corpo a trabalhar ritmado, movendo-se ao longo do Tibre, aumentando a cadência ao cruzar a esteira de outro barco a passar. Embarcações maiores sulcavam o rio à sua volta. O seu frágil casco de madeira poderia facilmente ser reduzido a fósforos, em segundos. Naquela altura do ano, ele era o único remador que enfrentava as gélidas temperaturas de inverno e o risco de ser abalroado por lanchas rápidas, ferries e cargueiros.

O telemóvel vibrou com mais uma mensagem de texto da rececionista.

Suspirando, soube o que dizia, sem sequer a ler. Vira-o nas notícias, antes de subir para o barco. O comboio papal fora destruído. Só o cardeal sobrevivera. Todos os outros tinham morrido.

Impeliu de novo os remos na água.

Com a trindade profética eliminada, nada se interpunha no seu caminho.

A última mensagem do irmão Leopold mencionara o Primeiro Anjo, aquele que estava destinado a usar o livro como arma na Guerra dos Céus que se avizinhava. Com a profecia quebrada, esse anjo não representaria provavelmente mais ameaça, mas Judas não gostava de pontas soltas.

O capitão de um ferry soou a sirene e Judas ergueu uma mão em saudação. O homem endireitou o boné preto e acenou de volta. Cumprimentavam-se quase todos os dias, há vinte anos. Judas vira-o crescer de franzino rapazola, incerto do seu comando, para um imponente homem maduro. Porém, nunca lhe conhecera o nome.

Aprendera a entender a solidão, enquanto via a família e os amigos morrerem. Aprendera a manter a distância dos outros, depois de gerações de amizades terem terminado em morte.

Mas e esse rapaz imortal de que Leopold falara?

Thomas Bolar.

Judas queria-o. Negociaria com Rasputine, pagaria o que o monge exigisse e traria aquela criança imortal para sua casa. O seu coração acelerou ante o pensamento de conhecer outro como ele, mas também por conhecer o papel que o rapaz estava destinado a desempenhar.

Ajudar a conduzir o mundo ao seu fim.

Era uma pena que não tivesse conhecido esse rapaz mais cedo na sua longa vida, para ter alguém com quem partilhar a interminável sucessão dos anos, outro alguém sem idade e não sujeito à prisão do tempo.

Porém, tal oportunidade fora-lhe oferecida séculos antes e ele desperdiçara-a.

Talvez esta seja a minha penitência.

Enquanto puxava os remos, recordou a pele escura e os olhos áureos de Arella. Lembrou a primeira viagem que fizera com ela, na noite em que se reuniram de novo no baile de máscaras veneziano. Também nessa altura, manobrara um barco de madeira, dirigira a embarcação para onde queria, nunca se dando conta do pouco controlo que tinha.

A gôndola deslizava sobre as águas serenas de um sombrio canal, as estrelas brilhando no alto, uma lua cheia e chamativa. Enquanto impelia a embarcação pela leve névoa, passando junto de uma grandiosa casa veneziana, o fedor a excrementos e dejetos varreu a barca, invadindo aquela agradável noite como uma sombra sulfúrea.

Fez uma careta ao ver o cano de esgoto vertendo tépido no canal.

Notando a atenção e expressão dele, Arella rira:

– Esta cidade não é suficientemente refinada para o seu gosto?

Ele gesticulou para os quartos acima repletos de riso e decadência, depois para a imundície conspurcando as águas em baixo.

– Há maneiras melhores de se livrarem deste lixo.

– E a devido tempo, encontrá-las-ão.

– Eles encontraram-nas e perderam-nas.

A voz de Judas continha a amargura que adquirira ao assistir ao destino dos homens.

Ela arrastou os dedos longos e morenos pelo negro lacado do casco.

– Fala das antigas maravilhas de Roma, quando a cidade estava no seu maior esplendor.

Ele impeliu a embarcação para longe das casas iluminadas, de volta à sua estalagem.

– Muito se perdeu, quando essa cidade caiu.

Ela encolheu os ombros.

– Será ganho de novo. A seu tempo.

– Em tempos passados, os curandeiros de Roma sabiam curar doenças de que os homens desta era ainda sofrem e morrem.

Ele suspirou por tanto que se perdera para aquela era de treva. Desejava ter estudado Medicina, poder ter preservado tal conhecimento, depois de os livros terem sido queimados e os homens sábios mortos pela espada.

– Esta era passará – asseverou Arella. – E o conhecimento será recuperado.

A luz prateada do luar brilhava no seu cabelo e ombros nus, deixando-o intrigado quanto à bela e misteriosa mulher diante de si. Depois de se descobrirem de novo, tinham dançado quase toda a noite, flutuando por soalhos de madeira, até se encontrarem ali ao despontar da aurora.

Por fim, abordou o tema que estivera relutante em evocar toda a noite, receoso da resposta.

– Arella...

Ele abrandou o curso do barco e deixou-o à deriva pela névoa, tão livre como uma folha de árvore.

– Só pelo meu nome conhece o meu pecado, o meu crime, e a maldição que me foi imposta por Cristo, de viver eternamente. Mas como pode você... o que é que...?

Nem conseguia formular por completo a pergunta.

Contudo, ela compreendeu e sorriu.

– O que lhe diz o meu nome?

– Arella – repetiu ele, deixando-o rolar para fora da língua. – É um nome bonito. Antigo. Em hebraico antigo, significa mensageiro de Deus.

– E é um nome apropriado – disse ela. – Carreguei frequentemente mensagens de Deus. Também nisso somos semelhantes. Ambos servos dos céus, obrigados pelo nosso dever.

Judas fez um breve riso escarninho.

– Ao contrário de si, não recebi mensagens do alto.

E como desejava ter recebido. Uma vez desvanecida a amargura da maldição, perguntara-se muitas vezes porque tal punição lhe fora imposta na carne, tornando-o incapaz de morrer. Seria mero castigo pelo seu pecado ou teria algum propósito, um fim que ele ainda não percebera?

– É afortunado – disse ela. – Eu teria aceitado de bom grado tal silêncio.

– Porquê? – insistiu ele.

Ela suspirou e tocou o fragmento de prata que lhe pendia do pescoço.

– Pode ser uma maldição ver vislumbres do futuro, saber de uma tragédia que vai acontecer, sem saber como a afastar.

– Então, é uma profetisa?

– Fui, em tempos – disse ela, os seus olhos escuros olhando de relance para a Lua no alto. – Ou, deveria dizer, em muitos tempos. No passado, usei o título de Oráculo de Delfos, de Sibila da Eritreia, mas tive muitos outros nomes ao longo das eras.

Em choque, ele deixou-se cair no banco à sua frente. Mantendo uma mão no longo remo na água, tomou a dela na sua outra mão. Apesar da noite fria, sentiu o calor que lhe irradiava do corpo, bem mais quente do que o toque da maioria dos homens e mulheres, do que qualquer humano.

Os lábios dela curvaram-se no já familiar meio sorriso.

– Duvida de mim? Você que viveu o tempo de ver o mundo mudar e voltar a mudar?

O mais extraordinário era que não duvidava.

Enquanto a gôndola deslizava silenciosamente ao luar, um meio sorriso desenhava-se nos lábios dela, como se lhe conhecesse os pensamentos, adivinhando o que ele começara a suspeitar.

Ela esperou.

– Não pretendo saber tais coisas – começou ele, imaginando-a nos seus braços, dançando com ela. – Mas...

Ela mexeu-se no lugar.

– O que não pretende saber?

Ele sentiu o calor intenso da palma da mão e dos dedos.

– A natureza de alguém como você. Alguém que recebe mensagens de Deus. Alguém que resiste ao longo das eras. Alguém de tal perfeição.

Ele corou ao dizer essas últimas palavras.

Ela riu.

– Então, sou assim tão diferente de si?

No seu íntimo, ele sabia que sim – por natureza e por caráter. Ela era a personificação do bem, enquanto ele fizera coisas terríveis. Contemplou a maravilha diante de si, ciente de outro nome para um mensageiro de Deus, um outro nome para Arella.

Forçou-se a proferi-lo em voz alta.

– É um anjo.

Ela uniu as mãos à sua frente, como em oração. Lentamente, uma suave luz dourada emanou do seu corpo. Inundou a gôndola, a água, o rosto dele. O calor desse toque inundou-o de alegria e santidade.

Ali estava outro ser eterno– mas ela não era como ele.

Enquanto ele era o mal, ela era o bem.

Enquanto ele era escuridão, ela era luz.

Ele fechou os olhos e bebeu desse esplendor.

– Porque veio até mim? Porque está aqui?

Ele abriu os olhos e fitou a água, as casas, a imundície no canal, depois ela de novo – aquela beleza ímpar.

– Porque está na Terra e não no Céu?

A luz desvaneceu-se e ela pareceu de novo uma mulher comum.

– Os anjos podem descer à Terra. – Ela olhou-o. – Ou podem cair.

Sublinhou essa última palavra.

– Caiu?

– Há muito – acrescentou ela, lendo o choque e a surpresa no seu rosto. – Juntamente com a Estrela da Manhã.

Era outro nome de Lúcifer.

Judas recusava-se a acreditar que ela tivesse sido expulsa do Céu.

– Mas sinto apenas bondade em si.

Ela fixou-o, os seus olhos pacientes.

– Porque caiu? – insistiu ele, como se fosse uma pergunta simples numa simples noite. – Não pode ter feito mal.

Ela baixou o olhar para as mãos.

– Mantive o meu conhecimento do orgulho de Lúcifer escondido no meu coração. Previ a sua rebelião, contudo fiquei em silêncio.

Judas procurou imaginar tal acontecimento. Ela ocultara a Deus uma profecia relativa à Guerra dos Céus e, por isso, fora expulsa.

Arella levantou a cabeça e falou de novo.

– Foi um castigo justo. Mas ao contrário da Estrela da Manhã, não desejei mal à humanidade. Decidi usar o meu exílio para cuidar do rebanho de Deus aqui, para continuar a servir os Céus como pudesse.

– Como serve os Céus?

– Como posso. – Ela sacudiu um grão de pó da saia. – O meu ato mais grandioso foi durante a sua era, quando protegi o Cristo criança do mal, zelando por ele quando ainda era bebé, indefeso neste mundo cruel.

Judas baixou a cabeça envergonhado, recordado de como falhara em fazer o mesmo, quando Jesus era mais velho. Judas traíra não apenas o Filho de Deus, mas, também, o seu mais querido amigo. Sentiu de novo o peso da bolsa de moedas de prata que os sacerdotes lhe tinham dado, o calor da face de Cristo sob os seus lábios, quando o beijou para o assinalar ao carrasco.

Incapaz de afastar o ciúme da voz, indagou:

– Mas como protegeu Cristo? Não compreendo.

– Apareci a Maria e José em Belém, pouco depois de Cristo ter nascido. Disse-lhes o que antevira, o sacrifício dos inocentes pelo rei Herodes.

Judas engoliu em seco, conhecendo a história, reconhecendo de novo quem com ele partilhava o barco.

– É o anjo que lhes disse para fugirem para o Egito.

– Também os conduzi aí, levando-os para onde o filho pudesse crescer protegido do mal.

Judas compreendia, agora, quão diferente ela era de si.

Ela salvara Jesus.

Judas matara-o.

A respiração tornou-se opressiva. Tinha de se levantar de novo, de se mover. Recomeçou a impelir lentamente a gôndola pelo canal, tentando imaginar a vida dela ali na Terra, uma extensão de tempo bem mais longa do que a sua curta existência.

Por fim, colocou-lhe outra questão, igualmente importante para si.

– Como suporta o tempo?

– Passo por ele, tal como você. – Tateou de novo o fragmento pendente do pescoço. – Por tempos indefinidos, servi a humanidade como vidente, profetisa, oráculo.

Ele imaginou-a nesse papel, envergando as simples vestes de uma sacerdotisa délfica, partilhando palavras proféticas.

– Contudo, já não o faz?

Ela olhou para além das águas escuras.

– Ainda vejo vislumbres ocasionais do que está para vir, do tempo que se estende à minha frente, tão certo quanto o que está para trás. Não posso evitar tais visões. – Uma linha de mágoa desenhou-se entre as sobrancelhas. – Mas já não as partilho. Conhecer essas profecias trouxe mais sofrimento do que satisfação à humanidade, pelo que mantenho tais futuros em segredo.

A estalagem surgiu por entre a névoa. Manobrou a gôndola em direção ao cais de pedra. Uma vez de través, dois homens de libré apressaram-se a amarrar o barco. Um deles estendeu uma mão enluvada à bela senhora. Judas amparou-a com uma mão encostada à curva das costas.

Então, sombras surgiram da escuridão mais acima e aterraram no cais, tomando a forma de homens – mas não eram homens. Ele vislumbrou os dentes afiados, os rostos pálidos e selvagens.

Muitas vezes lutara contra tais criaturas e muitas vezes perdera. Porém, com a sua imortalidade, acabava sempre por sarar e o seu sangue impuro sempre os destruía.

Puxou Arella para trás de si, no barco, deixando as bestas apanharem os homens do hotel. Ele não os podia salvar, mas talvez pudesse salvá-la a ela.

Balançou o longo remo como uma clava, enquanto as belas mãos de Arella lutavam com as cordas que os amarravam ao cais. Uma vez soltas, ele impeliu a gôndola para longe. Inclinou-se sobre um dos lados, depois endireitou-se.

Mas não eram suficientemente rápidos.

As criaturas saltaram sobre a água. Era uma distância impossível para um homem, mas fácil para essas bestas.

Sacou de um punhal da bainha na sua bota e espetou-o fundo no peito da maior de duas criaturas. Sangue gélido espalhou-se pela sua mão e pelo braço, ensopando-lhe a elegante camisa branca.

Nenhum homem teria sobrevivido ao golpe, mas a criatura mal abrandou, derrubando-lhe o braço e arrancando o punhal do seu próprio corpo.

Atrás dele, a segunda besta tinha deitado Arella por terra e rastejava pelo seu corpo macio.

– Não – sussurrou ela. – Deixe-nos.

Arrancou o fragmento de prata do pescoço e passou o seu gume afiado pela goela da criatura.

Um guincho irrompeu-lhe da garganta rasgada, seguido de chamas que rapidamente varreram aquele corpo maldito. Inteiramente em chamas, lançou-se à escuridão fria do canal, mas apenas cinzas caíram à água, o corpo já totalmente consumido.

Ao vê-lo, a besta maior saltou alto, alcançando a margem próxima e partiu na direção da cidade escura.

Arella mergulhou o fragmento no canal e limpou-o à saia.

Ele escrutinou a prata nas mãos dela.

– Como?

– É um pedaço de lâmina sagrada – explicou ela, pendurando-o de novo ao pescoço. – Mata qualquer criatura que penetre.

O coração de Judas acelerou.

Poderia matar o que não podia ser morto – como ele?

Ou ela?

A mágoa atravessou o rosto dela, como se lhe tivesse lido os pensamentos, confirmando o que ele acabara de imaginar. Ela carregava o instrumento da sua própria destruição em volta do delgado pescoço, uma forma de escapar àquela prisão de anos infinitos. E pela expressão dela, devia ter-se sentido violentamente tentada a usá-lo, em certos momentos.

Ele compreendia esse desejo. Por incontáveis anos, procurara pôr fim à sua vida, suportando indescritível dor nessas tentativas. Porém, continuava a viver. O simples direito à morte era garantido a todas as outras criaturas. Mesmo as bestas que ali tinham combatido, podiam simplesmente caminhar para a luz do dia e acabar com a sua existência pecaminosa.

O seu olhar recaiu de novo sobre a prata reluzente entre os seios dela, sabendo que a morte que desejara por tanto tempo estava próxima. Bastava agarrá-la.

Em vez disso, estendeu a mão e pegou na mão dela, puxando-a para ele, para os seus lábios.

Beijou-a, feliz por estar vivo.

Sobre o Tibre, no cintilar do sol do meio-dia, Judas rememorou esse momento, esse beijo na escuridão. A mágoa cresceu dentro de si, sabendo o que se seguiria, que aquela relação terminaria tão mal.

Talvez devesse ter agarrado no fragmento e não na mão dela.

Nunca soube onde ela o obtivera, nem nada mais sobre aquela lâmina sagrada. Afinal, cada qual tinha segredos a guardar.

Tateou o bolso do peito e retirou uma pedra gélida, da dimensão e forma de um baralho de cartas. Era feita de um cristal verde-claro, como uma esmeralda, mas bem no centro apresentava uma mancha, um veio negro-ébano. Ergueu a pedra contra o sol, revirando-a de vários lados. A marca negra tremulou à luz, refluindo para um pequeno ponto, mas presente. Uma vez devolvido o cristal às sombras do bolso, a mancha cresceria de novo.

Como uma coisa viva.

Só que aquele mistério medrava na escuridão, não na luz.

Ele encontrara a pedra nos anos que se seguiram a Arella, depois de descobrir porque percorria aquele longo caminho na Terra. Durante esse tempo obscuro da sua vida, perdera-se no estudo da alquimia, ensinado pelos pares de Isaac Newton e Roger Bacon. Aprendera imenso, inclusive a animar as suas criaturas automatizadas, a manipular o poder contido no seu sangue.

Encontrara o cristal ao procurar a mítica pedra filosofal, uma substância que se dizia garantir a vida eterna. Esperara que lhe fornecesse uma pista para a sua própria imortalidade. Desenterrara o cristal debaixo da pedra angular de uma igreja em ruínas.

Afinal, não era a pedra filosofal, mas algo bem mais poderoso, ligado à morte e não à vida imortal. Passou o polegar pela marca escavada na parte inferior da pedra. Depois de anos a estudar o símbolo e a pedra, descobrira muitos dos seus segredos – mas não todos.

Porém, sabia que, nas mãos certas, aquela singela pedra verde poderia perturbar o equilíbrio da vida na Terra. Durante séculos, esperara pelo momento certo para libertar esse mal no mundo, para terminar a missão pela qual fora colocado na Terra.

Guardou a pedra no bolso e fitou o Sol.

Por fim, era chegado o momento.

Mas, primeiro, tinha de amarrar dois anjos.

Um do passado, outro do presente.