Sangue Inocente

James Rollins e Rebecca Cantrell · Capítulo 58 de 59

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Sangue Inocente

Dia de Natal

 

 

12h04, CET

Cidade do Vaticano

Nas profundezas subterrâneas da Basílica de São Pedro, os sanguinistas reuniam-se na caverna abobadada da sua ordem, o seu mais sagrado dos lugares sagrados, que designavam simplesmente por Santuário. Todos os anos vinham em grande número para celebrar uma missa da meia-noite em honra do nascimento de Cristo.

Rhun estava de pé no extremo da congregação. Outros da sua ordem enchiam o espaço, imóveis, em silenciosa vigília. Nem um sopro, nem um bater de coração, nem mesmo um roçar de vestes perturbavam a mais absoluta paz. Ele absorveu a quietude, como sabia fazerem também os outros à sua volta. O mundo lá em cima tornara-se cada vez mais ruidoso com o passar dos séculos, mas ali ele encontrava a paz calma por que o seu espírito fustigado tanto ansiava.

Acima dele, o teto elevava-se a grande altura, as suas linhas simples e suaves atraindo o seu olhar em direção ao Céu. A pedra fria fora talhada na perfeição por milhares de mãos, nos primeiros anos da Igreja. Não continha nenhum dos adornos das igrejas comuns. Aquele espaço falava à simplicidade da fé de um Sanguinista – a pedra dura e as simples tochas eram suficientes para conduzir as criaturas amaldiçoadas até Ele. Embora estivesse bem abaixo das ruas de Roma, sentia-se ali mais próximo Dele em toda a sua glória, do que em qualquer outro lugar.

Aquela missa de Natal era também conhecida como a Missa dos Anjos. Nunca parecera mais apropriado a Rhun, do que naquela mais sagrada das noites, tão cedo depois de caminhar com anjos.

A fragrância fumegante do incenso desviou a sua atenção do teto para o centro da câmara. Aí, encontrou o mais sagrado dos sacerdotes, caminhando com vagarosa dignidade por entre a congregação. O representante máximo da Ordem dos Sanguinistas envergava simples vestes negras, atadas com um cordão grosseiro. Renunciava aos costumes de cardeais e bispos e do papa – preferindo vestir-se como um simples e humilde padre.

Contudo, era bem mais do que isso.

Ele era o Ressuscitado.

Lázaro.

Sem ele, estariam condenados a viver as suas existências como bestas impuras, matando indistintamente inocentes e culpados, até encontrarem a sua morte na ponta de uma espada ou sob um raio de sol. O Ressuscitado encontrara outro caminho para percorrerem, uma via de santidade e serviço e significado.

Rhun sabia, agora, que não era pecado ser Sanguinista.

Tomara a decisão certa no deserto. A sua existência servia agora Deus e esse fora o seu desejo mais genuíno, desde sempre. Desviara-se desse caminho quando corrompera Elisabeta, mas fora-lhe dada a oportunidade de expiar esse pecado. Agora, podia servir de novo Cristo, sem uma sombra na sua consciência.

Lázaro passou por ele.

Rhun observou-lhe os longos dedos, sabendo que tinham tocado Cristo. Aqueles olhos enevoados tinham-No fitado. Aquele rosto grave falara-Lhe, rira com Ele.

Dois outros sanguinistas ladeavam Lázaro.

Um homem e uma mulher.

Dizia-se que eram ainda mais antigos do que o Ressuscitado, mas os seus nomes nunca eram pronunciados. Na verdade, o arcano par raramente era visto, nem mesmo entre Os Enclausurados, os anciãos da ordem que passavam o seu tempo em eternas preces e meditação. Rhun ansiara, outrora, por se juntar aos Enclausurados, mas, em vez disso, fora arrastado de volta ao mundo dos vivos.

O homem carregava uma cruz antiga, a sua madeira castanha tornada cinzenta pelo passar dos séculos. A mulher balançava um incensório de prata. O fumo delicado flutuava pelo espaço, enchendo as narinas de Rhun de incenso e mirra. A sagrada fragrância envolveu-o, pousando na sua veste, no seu cabelo, na sua pele.

Iniciou-se um cântico e a voz de Rhun ergueu-se em harmonia com os outros sanguinistas. O belo coro ressoou pela vasta câmara, atingindo notas subtis não captadas por ouvidos humanos banais. No Santuário, reunido com a sua ordem na longa escuridão, não precisava de ocultar a sua alteridade e podia verdadeiramente cantar.

Lázaro estacou diante da antiga pedra de altar e ergueu a mão pálida para fazer o sinal da cruz.

– In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti.

– Ámen – respondeu a congregação.

A familiar rotina levou Rhun para longe. Não pensava nem rezava. Simplesmente existia em cada instante, deixando a corrente dos outros empurrá-lo cada vez mais para diante. Ele pertencia ali, com os seus irmãos e irmãs de hábito. Aquela era a vida piedosa que desejara quando era um homem mortal e a vida que ele escolhera enquanto imortal.

E assim chegaram à Eucaristia.

Lázaro disse as palavras em latim.

– O Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, derramado por vós, para preservar o vosso corpo e alma até à eternidade. Bebei em memória do Sangue de Cristo derramado por vós e dai graças.

Segurou o antigo cálice ao alto, para que todos contemplassem a fonte da sua salvação.

Rhun respondeu com os outros e alinhou-se para receber a Sagrada Comunhão.

Quando chegou em frente do Ressuscitado, Lázaro encontrou-lhe o olhar e um ténue sorriso atravessou-lhe o rosto.

– Para ti, meu irmão.

Rhun inclinou a cabeça para trás e Lázaro verteu o vinho.

Rhun saboreou a suavidade, enquanto lhe fluía pela garganta, espalhando-se pelos seus membros. Nessa noite, não o queimou. Na mais sagrada das noites, não houve penitência.

Apenas o Seu amor.

 

14h17

Roma

Tommy corria os canais na minúscula televisão de Elizabeth. Todos eles exibiam uma celebração de Natal em italiano. Fora assim todo o dia – nada para ver. Suspirou e desligou o televisor.

Elizabeth estava sentada muito direita no sofá, ao lado dele. Nunca a vira desleixar a postura, nem permitia que ele a descurasse.

Ambos os pés assentes no chão, sempre, advertira-o ela com firmeza.

– Esperavas programação diferente? – perguntou ela.

– Não esperava. Mas tinha esperança.

Além do mais, ele era judeu e não celebrava aquele feriado, mas sentia falta do Hanukkah, também. O único reconhecimento da época a chegar-lhe viera da fonte mais inesperada, um cartão de Natal enviado por Grigori Rasputine. De alguma forma, o russo descobrira que ele estava naquele apartamento, na Cidade do Vaticano.

Elizabeth franzira o sobrolho ao encontrar o cartão colado à porta do apartamento.

Escrito na frente do envelope, lia-se: Feliz Natal, meu anjo!

O cartão mostrava um anjo com uma auréola dourada.

Ele não sabia se havia de o considerar ameaça, brincadeira ou sincero.

Tendo em conta de quem se tratava, provavelmente os três.

Passou o comando a Elizabeth, mas ela pousou-o na mesinha de apoio. Ele ensinara-a a usá-lo e ela aprendia rápido. Era curiosa em relação a tudo naquele mundo moderno e ele tinha prazer em ensiná-la.

Depois de deixar os desertos do Egito, Tommy acabara em Roma, num apartamento disponibilizado pela Igreja. Tinham-lhe feito análises ao sangue por diversas vezes, desde que voltara, mas fora isso deixavam-no em paz. Agora, era apenas um rapaz órfão. Propuseram-lhe outro alojamento temporário, um lugar onde ficar sozinho até ser reenviado para os Estados Unidos, mas preferira ficar com Elizabeth.

Aborrecido, perguntou-lhe:

– Quer aprender a usar o micro-ondas?

– Isso não é um aparelho para cozinhar refeições? – Ela comprimiu os lábios. – Isso é função de servos.

Tommy ergueu uma sobrancelha. Ela precisava, claramente, de aprender bastante mais sobre o mundo moderno, do que simplesmente a tecnologia.

– Acha que não vai ter de cozinhar para si própria?

Os seus olhos ensombraram-se.

– Porquê perder tempo com tais trivialidades?

Ele agitou o braço para abarcar o espaço.

– Não pode viver aqui para sempre. E quando sair daqui, vai ter de arranjar um emprego e ganhar dinheiro e cozinhar para si.

– A Igreja não faz tenção de se livrar de mim – disse ela.

– Porquê? Vão livrar-se de mim. – Ele ia ser enviado para casa dos tios, em Santa Bárbara, pessoas que mal conhecia.

– Tu és apenas uma criança. Não te veem como uma ameaça. Por isso, enviam-te para essa tal Califórnia, sem receio.

Ele suspirou, tentando não se lamentar. Elizabeth odiava queixumes. Por fim, limitou-se a suspirar.

– Eu não quero ir.

Ela voltou-se para ele.

– Mas vais.

– Eu não conheço essas pessoas. De todo. Acho que só os vi uma vez.

– Eles vão cuidar de ti, como é seu dever de família.

Mas não me vão amar, pensou. Não como o pai e a mãe.

– Quando partes? – perguntou ela.

– Amanhã. – Ele deixou pender a cabeça.

Ela deu-lhe um toque no queixo.

– Senta-te direito. Senão ficas corcunda.

Contudo, viu que ela o fez também para esconder o choque. Aparentemente, ninguém lhe dissera.

– Eu próprio só o soube hoje de manhã – disse ele. – Feliz Natal para nós.

Ela olhou-o de testa franzida.

– Porque haveria de sentir outra coisa que não felicidade, quando te vais reunir com a tua família?

– Por nenhuma razão – murmurou.

Ele levantou-se e foi até à cozinha. Não tinha mais o que fazer. Não tinha nada para emalar, só umas roupas que Christian lhe trouxera e um punhado de livros que Erin lhe dera, antes de partir com Jordan para os Estados Unidos.

– Tommy. – Elizabeth pôs-se de pé e abeirou-se dele. – Podes achar difícil viver com essas pessoas, mas são a tua família. É melhor do que estares aqui encurralado... comigo.

Ele abriu e fechou um armário, não que precisasse de algo, apenas para fazer alguma coisa. Bateu a porta com demasiada força.

Ela virou-o pelos ombros e agarrou-lhe o queixo.

– Porque estás tão zangado? O que é? Queres que chore na nossa despedida? Que te implore para ficares comigo?

Talvez um pouco.

– Não.

– Tais manifestações de histeria não aconteceram quando eu era menina – afirmou ela. – Já assisti a muito desse disparate na vossa televisão, mas acho estúpido.

– Tudo bem – disse ele.

Ela tocou-lhe o braço.

– Vou sentir a falta da tua presença. Ensinaste-me muito e trouxeste-me alegria.

Presumiu que as palavras dela equivalessem a uma mulher moderna a atirar-se para o chão a chorar.

– Vou sentir a sua falta, também – disse ele.

Ela tirou uma caixa cinzenta do bolso e colocou-a na mão dele.

– É um presente de despedida, já que não celebras o Natal.

Tommy retirou o papel de embrulho com todo o cuidado. Era um telemóvel pré-pago.

– Se precisares de mim – prometeu ela –, liga e eu irei.

– Pensei que era prisioneira.

Ela escarneceu.

– Como se alguma vez me pudessem manter presa.

Tommy sentiu as lágrimas a ameaçarem sair e esforçou-se por reprimi-las.

Ela curvou-se para o olhar nos olhos.

– Há poucos neste mundo dignos de confiança. Mas eu confio em ti.

– E eu em si.

Fora por isso que ficara ali com ela. Os outros eram leais às suas convicções, mas ela era-lhe leal a ele.

Abraçou-a para esconder as lágrimas.

– Que tolice – disse ela, mas apertou-o ainda mais.

 

10h12, CST

Des Moines, Iowa

Erin estava sentada nas escadas alcatifadas da casa dos pais de Jordan. Escondia-se da ação na sala de baixo, aproveitando o momento para se recompor do caos da manhã de Natal. Aspirou o odor doce do pão de gengibre acabado de cozer e o aroma sedutor do café acabado de fazer. Contudo, deixou-se ficar.

Demorou-se nas escadas, a estudar as fotografias penduradas na parede próxima. Mostravam Jordan em diferentes idades, a par de vários irmãos e irmãs. Toda a sua infância estava ali imortalizada, desde os jogos de baseball, às excursões de pesca, ao baile de finalistas.

Erin não tinha uma única fotografia sua de criança.

Um olhar para baixo revelou-lhe as sobrinhas e sobrinhos de Jordan a saltarem pela sala de estar como pipocas, carregados de açúcar das guloseimas nas suas meias de Natal. Era o tipo de coisa que Erin apenas vira em filmes. Quando era criança, o Natal era um dia de orações suplementares, não de presentes ou meias ou Pai Natal.

Enfiou uma mão no bolso da sua nova túnica de lã. O outro braço estava numa tala. O ombro estava quase curado do ataque do leão. Jordan acabara de lhe mudar a ligadura no quarto e já tinha descido, arrastado pelo sobrinho Bart. Erin prometera segui-lo prontamente, mas era tranquilo ali nos degraus.

Finalmente, Jordan espetou a cabeça pela esquina, descobrindo-a e juntando-se a ela na escada. Prendeu as pontas da sua nova túnica entre as pernas, quando se sentou. Ambas as túnicas tinham sido presente da mãe de Jordan.

– Não te podes esconder para sempre – disse ele. – Os meus sobrinhos e sobrinhas vão caçar-te. Eles sentem o cheiro do medo.

Ela sorriu e deu-lhe um encontrão com o ombro.

– Está tudo muito alegre lá em baixo.

– Eu sei, eles são um pouco excessivos.

– Não, são divertidos. – Era sincera, mas a família dele parecia tão normal, tão diferente da sua. – Apenas requerem alguma habituação.

Jordan acariciou-lhe as costas da mão com o polegar, esse simples toque relembrando-a porque gostava tanto dele.

– Estás a dizer-me que enfrentaste leões e lobos e ursos, e todo o tipo de mortos-vivos, mas tens medo de ir até ali com quatro crianças pequenas, os respetivos pais exaustos e a minha mãe?

– Isso resume praticamente tudo.

Ele puxou-a para os seus braços e ela descansou a face no seu peito coberto de flanela. O coração dele batia firme ao seu ouvido. Ela saboreou o som, sabendo quão perto estivera de o perder. Pôs os braços em volta dele.

Ele falou-lhe com voz profunda.

– Enfim... podemos sempre mudar-nos para um hotel, um lugar com uma cama para nós dois?

Ela sorriu-lhe. Na véspera, quando chegaram, a mãe dele insistira em que dormissem em quartos separados.

– É muito tentador. Mas é de certa forma divertido ver-te no teu ambiente nativo.

Uma voz de criança soprou vinda de baixo, exigente.

– Onde está o tio Jordan?

– A menina Olivia parece estar a ficar impaciente. – Ele puxou-a para a levantar. – Vamos lá. Eles não mordem. A não ser, talvez, os mais pequenos.

A sua mão estava quente e segura na dele, enquanto a conduzia pelos últimos degraus e para dentro da ruidosa sala. Ele guiou-a para lá da árvore de Natal decorada, até um sofá.

– É melhor ficares fora da zona de combate – alertou Jordan.

A mãe dele, Cheryl, sorriu-lhe. Estava sentada numa cadeira de couro castanho, com uma manta tricotada sobre os joelhos. Parecia pálida e frágil. Erin sabia que ela lutava contra o cancro e ninguém sabia ao certo se veria outro Natal.

– O meu filho tem razão – disse Cheryl. – Evite a árvore até a loucura acalmar.

– Avó! – berrou Olivia com toda a força dos seus pulmões. – Já podemos abrir os presentes?

Um coro similar ergueu-se das outras crianças.

Cheryl levantou finalmente uma mão.

– Pronto. Está bem. Ataquem!

Como leões sobre uma gazela abatida, as crianças atiraram-se aos presentes. Papel foi rasgado. Gritos de alegria encheram o ar e uma voz desapontada bradou: Meias?

Erin tentou imaginar que tipo de pessoa seria se tivesse crescido ali.

Olivia depositou um unicórnio de plástico no colo de Erin.

– Este é o Twilight Sparkle.

– Olá, Twilight.

– O tio Jordan diz que tens pontos. Posso ver? Quantos são? Dói?

Jordan salvou-a do tormento.

– Olivia, os pontos estão debaixo das ligaduras, portanto não se podem ver.

Ela pareceu desalentada, como uma criança poderia parecer.

Erin chegou-se mais perto.

– São vinte e quatro pontos.

Os olhos da criança arregalaram-se de espanto.

– Isso é imenso! – Depois, semicerrou um olho, suspeitosa. – Como é que os arranjaste?

Erin honrou o seu próprio compromisso com a verdade.

– Foi um leão.

A mãe de Jordan quase deixou cair a chávena do café.

– Um leão?

– Fixe! – exclamou Olivia. Depois, passou a Jordan outro pónei de plástico. – Segura no Applejack.

E correu a buscar mais dos seus cavalos de brincar.

– Conquistaste-a, claramente – confessou-lhe Jordan.

Olivia voltou e empilhou póneis no colo de Erin, recitando nomes: Fluttershy, Rainbow Dash e Pinkie Pie. Erin fez o seu melhor por brincar com eles, mas era-lhe tão estranho como costumes tribais aborígenes.

Cheryl falou por cima do ombro de Olivia.

– O Jordan disse-me que foi destacado para uma unidade especial de proteção no Vaticano.

– É verdade – admitiu Erin. – Eu vou trabalhar com ele.

– Mãe – disse Jordan –, pare de tentar sacar informação da Erin. É Natal.

Cheryl sorriu.

– Só lhe quero agradecer por te conseguir destacar para um lugar seguro.

Erin pensou na quantidade de experiências de proximidade com a morte a que os dois tinham sobrevivido desde que se tinham encontrado em Massada.

– Não sei se seguro será o termo adequado. Além de que, se fosse completamente seguro, o Jordan não o quereria fazer.

A mãe de Jordan deu-lhe uma palmadinha no braço.

– O Jordan nunca toma o caminho mais fácil.

Olivia estava farta de ser ignorada e puxou a manga de Erin. Apontou um dedo acusador ao nariz dela.

– Ao menos sabes montar a cavalo?

– Sei. Tenho mesmo uma grande égua chamada Gunsmoke.

Recordou Blackjack e sentiu uma pontada de dor e perda.

– Posso conhecer a Gunsmoke? – perguntou Olivia.

– Ela vive na Califórnia, onde eu trabalho. – Erin corrigiu-se. – Onde costumava trabalhar.

Erin falara brevemente com Nate Highsmith, na noite anterior, para lhe desejar um feliz Natal. Ele já conhecera um dos professores alternativos que ela lhe sugerira e parecia conformado com a sua partida. Agora, independentemente do que lhe acontecesse, ele ficaria bem.

– O que fazes? – continuou Olivia. – És soldado como o tio Jordan?

– Sou arqueóloga. Desenterro ossos e outros mistérios para tentar descobrir o passado.

– Isso é divertido?

Erin olhou o rosto descontraído e feliz de Jordan.

– A maior parte do tempo.

– Ótimo. – Olivia acotovelou o joelho de Jordan. – Ele precisa de mais diversão.

Com aquelas palavras profundas, a menina regressou à sua pilha de brinquedos debaixo da árvore.

Jordan inclinou-se para Erin e sussurrou-lhe ao ouvido.

– Ele precisa seguramente de mais diversão.

Erin sorriu para os seus olhos azuis e disse a verdade.

– Também eu.