Sangue Inocente

James Rollins e Rebecca Cantrell · Capítulo 15 de 59

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Sangue Inocente

Capítulo 13

 

19 de dezembro, 11h04, CET

Sul de Roma, Itália

Logo que o padre Ambrose saiu, o cardeal Bernard gesticulou para as sombras para lá da porta de aço aberta.

Erin ficou tensa, os seus dedos fincaram-se na mão de Jordan. De súbito, sentiu-se imensamente feliz por Jordan ter aberto a cortina. Porém, apesar da torrente de luz solar, sentiu-se a gelar.

Da escuridão, um sacerdote vestido de preto entrou na carruagem iluminada. Era esqueleticamente magro, com uma descarnada mão pálida a segurar o bordo do capuz contra a claridade. Movia-se com passos vacilantes, mas persistia nele uma certa graça, uma familiaridade nos gestos.

Então, deixou cair a mão e revelou o rosto. O cabelo negro corredio pendia-lhe sobre os olhos escuros e fundos. A pele estava esticada sobre os largos ossos malares e os lábios pareciam emagrecidos, exangues.

Lembrou-se de beijar esses lábios quando eram mais cheios.

– Rhun...

O choque fê-la erguer-se. Ele parecia ter envelhecido vários anos.

Jordan levantou-se e manteve-se ao lado dela.

Rhun fez sinal a todos para que se sentassem. Depois coxeou, assistido por Bernard, e deixou-se cair pesadamente no lugar vago ao lado de Christian. Erin notou que ele se mantinha afastado da luz mais forte. Embora os sanguinistas conseguissem tolerar a luz do sol, esta enfraquecia-os e Rhun tinha, claramente, poucas reservas para dispensar.

Do outro lado da mesa, olhos familiares fixaram-se nos dela. Viu neles exaustão, a par de uma certa mágoa.

Rhun falou, com voz fraca:

– Soube pelo cardeal Bernard que acabámos por estabelecer uma ligação de sangue. Peço desculpa por todo o sofrimento que possa ter-lhe causado.

– Está tudo bem, Rhun – asseverou ela. – Eu estou bem. Mas você...

Os seus lábios descorados ergueram-se numa espectral tentativa de sorriso.

– Já me senti mais vigoroso do que agora, mas com a ajuda de Cristo, em breve recuperarei todas as forças.

Jordan agarrou na mão dela por cima da mesa, tornando clara a sua reivindicação sobre ela. Fixou Rhun, sem mostrar piedade. Em vez disso, voltou-se para Bernard, que estava de pé ao lado da mesa.

– Cardeal, se sabia que Rhun estava desaparecido há tantas semanas, porque esperou tanto para nos contactar? Podia ter dito alguma coisa, antes de ele chegar a este estado deplorável.

O cardeal entrelaçou os dedos enluvados.

– Até há poucas horas, eu não sabia do obscuro ato cometido contra a doutora Granger nos túneis sob São Pedro. Não podia saber de nenhuma ligação entre ele e Erin. Mas as ações de Rhun ofereceram esperança ao mundo.

Rhun baixou o olhar para a mesa, parecendo mortificado.

Do que estava o cardeal a falar?

Bernard ergueu os braços para abarcar o comboio.

– Com todos os que estão aqui reunidos, a profetizada trindade, podemos agora buscar o Primeiro Anjo.

Jordan olhou em volta para a mesa.

– Por outras palavras, o bando está junto de novo. O Cavaleiro de Cristo, o Homem Guerreiro e a Mulher Sábia.

À menção do último dos três, apertou os dedos de Erin.

Ela soltou a mão.

– Não necessariamente – recordou Erin a todos.

Ouviu o disparo da pistola na sua mente, visualizou Bathory Darabont a sucumbir naquele túnel. Eu assassinei a última da linhagem Bathory.

Rhun fitou-a.

– Nós os três já conseguimos muito.

Nisso, Jordan pareceu de acordo.

– É uma certeza danada.

Podiam ter razão, mas era a parte danada que a inquietava.

 

11h15

O comboio abrandou e mudou de linha, continuando a sua viagem para sul.

Jordan olhou para fora da janela, procurando adivinhar o destino. Bernard ainda não lhes dissera. Em vez disso, o cardeal desaparecera de novo na última carruagem, deixando-os com os seus próprios pensamentos, a digerir tudo o que tinha acontecido.

E era muito para digerir.

Um retinir de metal chamou a sua atenção de volta à entrada escurecida. Bernard voltou a emergir, com duas mulheres no encalço.

A primeira era alta, uma sanguinista de cabelo e olhos negros. Reconheceu imediatamente Nadia. Observou a armadura de couro e a extensão de prata que lhe cingia a cintura. Esta última era um chicote de corrente, uma arma que a mulher era extremamente hábil a manobrar. Tinha igualmente uma longa lâmina presa de lado.

Veio-lhe à mente a expressão vestida para matar.

A atenção de Nadia mantinha-se focada na segunda mulher.

Não era um bom sinal.

A estranha era mais baixa do que Erin, com cabelo curto e encaracolado cor de ébano. Envergava jeans e botas, a da direita rasgada, expondo uma tala na perna, claramente um ferimento recente. Sobre a roupa, tinha aos ombros uma capa pesada e antiquada, que a parecia fazer vergar. As suas pequenas mãos estavam recatadamente entrelaçadas à frente, levando a Jordan mais uns segundos para perceber que estava algemada.

Numa mão enluvada, Nadia segurava uma grossa corrente presa às algemas.

Não corriam riscos com aquela.

Porque era aquela mulher tão perigosa?

Quando a prisioneira coxeou para mais perto, Jordan viu-lhe o rosto. Cerrou os maxilares para impedir a boca de se abrir de surpresa.

Uns olhos argênteos encontraram os dele. Examinou a forma daqueles lábios perfeitos, os ossos malares salientes, as madeixas encaracoladas. Se lhe mudasse o tom do cabelo para um ruivo fogoso, seria a imagem de Bathory Darabont, a mulher que Erin matara nos túneis sob Roma.

Erin petrificara ao seu lado, reconhecendo igualmente a óbvia semelhança familiar.

– Encontrou outra da linhagem Bathory – disse Erin.

– Sim – confirmou o cardeal.

Jordan resmoneou interiormente. Como se a última não tivesse dado problemas suficientes.

– E é uma strigoi – acrescentou Erin.

Jordan vacilou de surpresa, subitamente entendendo a necessidade da apertada vigilância, das cortinas corridas. Devia tê-lo reconhecido por si mesmo.

A mulher fitou Erin com um olhar frio, de rejeição, depois voltou-se para o cardeal. Falou-lhe em latim, mas num sotaque que parecia eslavo, semelhante ao de Rhun quando se exaltava.

Jordan observou a prisioneira com um novo olhar, avaliando o grau de ameaça, calculando as contingências para o caso de aquele monstro se libertar dos seus captores.

Quando a mulher terminou, Bernard instou:

– É melhor que fale em inglês. Tudo correrá mais facilmente.

Ela encolheu os ombros, voltou-se para Rhun e falou em inglês.

– Pareces mais recuperado, meu amor.

Meu amor? O que significava aquilo?

Enquanto sacerdote, Rhun não devia ter amantes.

Farejou sumariamente na direção de Erin e Jordan, como se tivessem rastejado para fora de uma sarjeta.

– Tão baixa companhia parece-te adequada.

Rhun não deu qualquer indicação de a ter ouvido.

O cardeal Bernard deu um passo em frente e fez a apresentação formal.

– Esta é a condessa Elizabeth Bathory de Ecsed, viúva do conde Ferenc Nádasdy Bathory de Nádasd et Fogarasföld.

Erin arquejou, atraindo a atenção de Jordan, mas continuou simplesmente a fixar a mulher.

Por seu turno, o cardeal apresentou-os a ambos à condessa. Felizmente, os seus títulos eram mais curtos.

– Permita-me que lhe apresente a doutora Erin Granger e o sargento Jordan Stone.

Erin recuperou a fala.

– Alega que esta é a Elizabeth Bathory? De finais de 1500?

A mulher inclinou a cabeça, como que em reconhecimento da verdade.

Emoções cruzaram o rosto de Erin – um misto de alívio e desilusão. Ambos sabiam como a Igreja estava convicta de que a Mulher Sábia emergiria da linhagem Bathory.

– Não estou a compreender – disse Jordan. – Esta mulher é uma sanguinista?

A condessa respondeu:

– Não tenho nada a ver com essa lúgubre ordem. Baseio a minha fé na paixão, não na penitência.

Rhun estremeceu. Jordan recordou a história do sacerdote, de quando era novo na fação sanguinista. Num momento de paixão proibida, Rhun matara Elizabeth Bathory e a única forma de a salvar fora convertê-la, torná-la uma strigoi. Mas onde estivera aquela mulher nos últimos quatrocentos anos? A Igreja ficara convencida de que a linhagem Bathory se extinguira com Darabont.

Jordan podia adivinhar a resposta. Rhun deve tê-la escondido.

Parecia que o sacerdote ocultara mais do que apenas o facto de que mordera Erin.

Bernard falou.

– Acredito que aqueles aqui reunidos são a nossa melhor arma na Guerra dos Céus que se anuncia, uma batalha profetizada no Evangelho de Sangue. Aqui reside a única esperança do mundo.

A condessa Bathory soltou uma gargalhada, simultaneamente divertida e amarga.

– Ah, Cardeal! Com a sua paixão pelo dramatismo, ter-se-ia saído melhor como ator num palco maior do que no púlpito.

– Não obstante, acredito ser a verdade.

Ele voltou-se, para confrontar a atitude desagradável da mulher.

– Preferia que o mundo acabasse, condessa Bathory?

– O meu mundo não acabou há muito? – retorquiu esta, fitando Rhun.

Nadia tirou a sua espada da bainha junto à anca.

– Podemos pôr-lhe um fim permanente. Depois dos assassínios que cometeu, devia ser executada na hora.

A condessa riu-se de novo, um melodioso som tilintante que arrepiou Jordan.

– Se o cardeal me quisesse verdadeiramente morta, eu seria agora uma pilha de cinzas na praça de São Pedro. Apesar das palavras duras, precisam de mim.

– Basta! – Bernard ergueu as suas mãos com luvas vermelhas.

– A condessa tem um papel a cumprir. Irá encarnar a Mulher Sábia... ou eu próprio a exporei à luz do sol.

 

11h22

Erin endureceu-se contra o orgulho ferido.

Era um claro voto de não confiança da parte do cardeal.

Estaria Bernard assim tão certo da Bathory e tão incerto em relação a ela?

Ela tinha um defensor do seu lado. Jordan deslizou um braço em volta dos seus ombros.

– Para o Diabo com isso! A Erin provou ser ela a Mulher Sábia.

– É mesmo? – A condessa Bathory passou a língua rosada pelo lábio superior, revelando as presas brancas e afiadas. – Então, afinal, parece que não sou necessária.

Erin manteve uma expressão neutra. Ao longo dos séculos, mulheres Bathory tinham sido escolhidas entre as várias gerações, treinadas para o papel de Mulher Sábia. Ela não tinha tal pedigree. Embora tivesse feito parte da trindade que recuperara o Evangelho de Sangue, fora Bathory Darabont quem conseguira, de facto, abrir o antigo tomo no altar de São Pedro.

Não eu.

Bernard apontou uma mão à condessa.

– O que pode explicar a sua presença aqui, senão a concretização da profecia? Uma mulher julgada morta mas ressuscitada por Rhun, o indisputável Cavaleiro de Cristo.

– Que tal um falso juízo? – propôs Christian, colocando-se do lado de Erin. – Ou simples coincidência? Nem tudo é profecia.

Jordan concordou firmemente.

Rhun falou, com a voz áspera.

– Foi o pecado que trouxe Elisabeta aqui, não uma profecia.

– Ou talvez a inexperiência em relação ao pecado – contrapôs a condessa, com um sorriso desdenhoso. – Podíamos perder horas a especular sobre porque estou aqui. Nada disso superará o facto de eu estar aqui. O que desejam de mim e o que me vão dar em paga da colaboração?

– Não é paga suficiente salvar o reino terrestre? – inquiriu Nadia.

– O que devo eu a esse seu reino terrestre? – atalhou Bathory, endireitando-se. – Contra a minha vontade, fui dele apartada, arrancada pelos dentes de um dos vossos. Desde então, passei mais tempo aprisionada do que livre. A partir de agora, não farei nada de que não tire proveito.

– Não precisamos dela – disse Jordan. – Temos a Erin.

Nadia e Christian assentiram, e ela sentiu-se cheia de gratidão pela confiança.

– Não – disse Bernard firmemente, pondo fim à discussão com a sua dureza. – Precisamos desta mulher.

Erin cerrou os maxilares. Estava de novo a ser posta de lado.

A condessa fitou Bernard.

– Explique-me então esse meu papel, Cardeal. Veremos se poderá comprar a minha ajuda.

Enquanto Bernard explicava a profecia e a Guerra dos Céus que se avizinhava, Erin baixou a mão, em busca da mão quente de Jordan. Ele inclinou a cabeça para a olhar e ela perdeu-se, por um momento, naqueles límpidos olhos azuis, os olhos do Homem Guerreiro. Ele apertou-lhe a mão, fazendo uma promessa silenciosa. O que quer que acontecesse, ela e Jordan estariam nisto juntos.

O cardeal terminou a explicação.

– Estou a ver – disse Bathory. – E que tipo de pagamento posso esperar, se vos ajudar a encontrar esse Primeiro Anjo?

Bernard inclinou a cabeça para a mulher.

– Há muitas recompensas no serviço ao Senhor, condessa Bathory.

– As minhas recompensas no serviço à Igreja foram escassas até agora. – A condessa abanou a cabeça. – A glória de servir não me satisfaz.

Nesse ponto, Erin concordava com Bathory. A condessa recebera indubitavelmente tratamento injusto – tornada strigoi, primeiro aprisionada no seu próprio castelo, depois num caixão de vinho por centenas de anos.

Todos os que a mulher conhecera tinham morrido há muito. Tudo o que importara para ela tinha desaparecido.

À exceção de Rhun.

– Os meus desejos são da maior simplicidade. – A condessa ergueu um dedo imperioso. – Primeiro, os sanguinistas têm de proteger a minha pessoa para o resto da minha vida sobrenatural. Tanto de outros strigoi, como de humanos metediços.

Ergueu outro dedo.

– Segundo, deve ser-me permitido caçar.

Ergueu mais um dedo.

– Terceiro, o meu castelo deve ser-me devolvido.

– Elisabeta – sussurrou Rhun. – Seria um desserviço para a tua alma, se...

– Eu não tenho alma! – Afirmou ela com estrépito. – Não te lembras do dia em que a destruíste?

Rhun soltou um suspiro silencioso.

Erin detestava vê-lo tão derrotado. E detestava Bathory por o causar.

– Podemos chegar a um acordo – disse o cardeal. – Se aceitar viver num enclave sanguinista, será protegida de todos os que lhe queiram fazer mal.

– Não me vou deixar aprisionar numa qualquer clausura sanguinista. – A voz da condessa estava carregada de raiva. – Nem por Cristo, nem por homem nenhum.

– Podíamos arranjar-lhe aposentos na própria Cidade do Vaticano – contrapôs Bernard. – E sanguinistas para a proteger quando saísse da Cidade Santa.

– E passar a eternidade na companhia de padres? – escarneceu a condessa. – Certamente não imagina que eu aceitaria tão terrível fado?

Um dos cantos da boca de Christian torceu-se num sorriso, mas Nadia parecia prestes a explodir.

– A Igreja possui outras propriedades. – O cardeal Bernard parecia impassível. – Embora não tão bem defendidas.

– E quanto à caça?

Todos ficaram em silêncio. O comboio chocalhava contra os carris, arrastando todos para sul.

Bernard abanou a cabeça.

– Não pode tomar nenhuma vida humana. Se o fizer, seremos forçados a abatê-la como qualquer outro animal.

– Então, como vou sobreviver?

– Temos acesso a sangue humano – disse Bernard. – Fornecer-lhe-emos o suficiente para satisfazer as suas necessidades.

A condessa examinou as mãos algemadas.

– Então, tornar-me-ei prisioneira privilegiada, como foi meu destino em séculos passados?

Erin perguntou-se quanto tempo ela teria ficado encarcerada no seu próprio castelo, antes de Rhun a ter enclausurado num caixão e a levar misteriosamente para Roma. Certamente o tempo suficiente para saber o que significava perder a liberdade.

O cardeal recostou-se.

– Desde que não mate, poderá vaguear pelo mundo, viver a sua vida como bem lhe aprouver.

– Presa à Igreja por proteção. – Ela agitou as correntes que a prendiam. – Para sempre dependente da vossa espécie pelo próprio sangue que sustenta a minha pobre existência.

– Tem uma proposta melhor? – desdenhou Nadia. – O cardeal Bernard oferece-lhe uma vida de facilidade, quando apenas merece a morte.

– Não pode o mesmo ser dito de todos os sanguinistas neste compartimento? – Os seus olhos argênteos fixaram-se em Nadia. – Ou nenhum de vós experimentou o pecado?

– Renunciámos aos nossos pecados – disse Nadia. – Como é também o seu dever.

– Dever?

– Se não concordar – sublinhou o cardeal, num tom que não permitia argumento –, será lançada comboio fora à luz do sol, assumindo tratar-se da vontade de Deus.

Os olhos da condessa fecharam-se sobre o rosto do cardeal durante um longo momento.

Ninguém na carruagem falou ou se moveu.

– Muito bem – disse a condessa. – Aceito as suas graciosas condições.

– Se ela pode estipular condições – falou Jordan –, também eu posso.

Todos o fitaram, com expressões incrédulas.

Jordan puxou Erin para mais perto de si.

– Estamos nisto juntos.

Bernard parecia prestes a contestar.

Christian enfrentou o cardeal.

– Mesmo que Erin não seja a Mulher Sábia, possui muito conhecimento. Podemos precisar dela. Eu não faço certamente parte de nenhuma profecia, mas isso não significa que não possa dar o meu contributo.

Erin apercebeu-se de que ele estava certo. Não importava se ela era ou não a Mulher Sábia profetizada. O que importava era que ajudaria se pudesse. Aquela demanda não era uma questão de orgulho, era uma questão de salvar o mundo.

Ela fitou Bernard.

– Eu quero tomar parte.

Jordan apertou-lhe o ombro com mais força e encarou o cardeal.

– Ouviu-a. Não é negociável. Ou eu vou-me embora. E não tenho aversão à luz do sol.

Nadia inclinou a cabeça na direção de Erin.

– Eu dou o meu apoio. A doutora Granger mostrou-se leal na luta e nos atos. Enquanto esta – puxou a corrente que prendia a condessa – mostrou o contrário.

Uma ruga surgiu na testa do cardeal.

– Mas o cumprimento da profecia é claro quanto...

Rhun levantou a cabeça, enfrentando Bernard.

– Quem é você para pretender conhecer a vontade de Deus?

Erin pestanejou, surpresa com o apoio daquele que ressuscitara Elizabeth Bathory para tomar o seu lugar.

O cardeal ergueu as mãos, com as palmas abertas num gesto conciliador.

– Muito bem. Seja. Seria insensato da minha parte rejeitar o conhecimento e argúcia de espírito da doutora Granger. Estou certo de que poderá assistir a condessa Bathory no seu papel de Mulher Sábia.

Erin não conseguia decidir se havia de se sentir aliviada ou aterrorizada.

Assim, encostou-se a Jordan e decidiu-se por ambas as opções.