Sangue Inocente

James Rollins e Rebecca Cantrell · Capítulo 18 de 59

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Sangue Inocente

Capítulo 16

 

19 de dezembro, 12h34, CET

Sul de Roma, Itália

Rhun agiu à primeira alteração no ar, ao primeiro sinal da explosão. Cavalgou a onda da detonação, enquanto o tempo abrandava para a espessura de vidro liquefeito.

Lançou-se sobre a mesa, deitando ambos os braços em torno de Erin e embateu na janela fechada com o ombro. A grossa cortina enrolou-se no seu corpo enquanto ele chocava contra ela. O vidro cortou-lhe os braços e as costas. As chamas e o rugido despejaram-no no mundo.

Sob os seus pés, quando saltou, a carruagem expandiu-se, dilatando-se impossivelmente até a casca se fender – e fumo e fuligem e madeira irromperem numa imensa explosão.

Atirado para cima, Rhun voltou o corpo de lado e embateu no chão a rolar, um braço em torno das costas de Erin, o outro puxando-lhe a cabeça para junto do seu peito. Rolou com Erin pelo restolho de um campo cultivado que ladeava os trilhos.

A breve fragrância da erva seca foi rapidamente calcinada pelo odor amargo e gredoso dos explosivos, o arranhar do carvão e o inconfundível cheiro da carne humana queimada.

O comboio explodira.

Alguém, talvez todos, poderiam ter morrido.

Nos seus braços, Erin arquejava e tossia.

Contudo, ela estava viva – e isso deixou-o bastante mais feliz do que deveria.

Passou as mãos pelo corpo dela, procurando ossos partidos, sangue. Encontrou arranhões, alguns cortes e pisaduras. Nada mais. Os seus dedos entrelaçados nos dela, querendo tranquilizá-la, sentindo o choque a roubar-lhe o calor do corpo.

Puxou-a mais para si, protegendo-a.

Só então se virou para trás, para encarar o desastre espalhado pelos campos.

Fragmentos de metal enegrecidos de fuligem trespassavam a erva amarelecida, juncavam os carris e espalhavam-se pelos campos que ardiam em fogo lento. Pedaços negros da máquina a vapor tinham sido projetados para longe da via. A caldeira jazia a uma centena de metros adiante, o buraco aberto no seu bojo metálico escancarado ao céu.

Retalhos de fogo devoravam os campos, enquanto fragmentos de vidro choviam do alto, como granizo cristalino, misturado com sangue. Recordou a citação bíblica do Apocalipse: Saraiva e fogo, misturados com sangue, foram lançados sobre a terra.

Seria a isso que assistia agora?

Poeria e fumo erguiam-se dos trilhos. Um pedaço de metal aterrara a poucos passos, o vapor a sibilar onde a superfície ardente tocava a erva húmida.

Um apito agudo soava-lhe ininterruptamente aos ouvidos. Com uma mão, sacudiu o vidro das vestes e arrancou estilhaços do seu outro braço. Ainda envolvendo Erin, perscrutou em volta, mas nada se mexeu.

O que acontecera aos outros?

Tocou o rosário e rezou pela sua segurança.

Finalmente, soltou Erin. Ela sentou-se na erva, os braços em torno dos joelhos. Os seus membros estavam sujos de lama e sangue. Ela afastou o cabelo da testa. O rosto estava intocado, protegido como estivera enquanto a segurara junto ao seu corpo.

– Está ferida? – perguntou-lhe, consciente de que falava muito alto, para se fazer ouvir por cima do apito que tinia nos seus ouvidos.

Ela estremeceu e ele quis tomá-la de novo nos braços e acalmá-la, mas a fragrância do sangue exalava do seu corpo e não ousou fazê-lo.

Em vez disso, os olhos argênteos dela encontraram os seus. Ele olhou-os profundamente, pela primeira vez desde que a deixara no chão do túnel a morrer, meses antes.

Os lábios dela formaram uma única palavra.

Jordan.

Ela ergueu-se com esforço e cambaleou em direção aos carris. Ele seguiu-lhe no encalço, esquadrinhando os destroços, querendo estar por perto quando ela o encontrasse.

Ele não via como o soldado podia ter sobrevivido... como alguém podia ter sobrevivido.

 

12h37

Elizabeth queimava no solo, rolando em agonia.

A luz do sol crestava-lhe a vista, escaldando-lhe os olhos. Fumo erguia-se das suas mãos, do seu rosto. Enrolou-se numa bola, afundou o queixo contra o peito, com os braços em volta da cabeça, esperando que a pudessem proteger. O seu cabelo crepitava como uma aura à sua volta.

Instantes atrás, o comboio explodira, abrindo-se com violento estrépito. Ela voou como um anjo negro pela claridade ardente. Ambas as suas mãos agarraram a corrente de prata que a prendia a um inútil pedaço de metal. Vislumbrou as mãos de outra pessoa, também agarradas à corrente – depois a luz do sol cegou-a, fulminando-lhe a visão.

O poderoso estrondo roubou-lhe igualmente a audição, deixando-lhe um ressoar contínuo nos ouvidos, como se o mar lhe tivesse penetrado o cérebro e se agitasse para trás e para diante dentro da sua cabeça.

Tentou rastejar mais fundo na lama fria, para escapar à luz.

Depois, mãos viraram-na e lançaram a escuridão sobre ela, protegendo-a do sol.

Sentiu o cheiro da lã espessa de uma capa e encolheu-se sob essa precária proteção. O ardor rapidamente abrandou para uma dor, dando-lhe a esperança de ainda sobreviver.

Uma voz gritou junto à sua cabeça, penetrando o mar que se agitava no seu crânio.

– Está viva?

Não confiando na própria voz, assentiu com a cabeça.

Quem a salvara?

Só podia ser Rhun.

Sentia a sua falta, desejando ser abraçada e confortada. Precisava dele para a guiar naquela dor, rumo a um futuro sem ardor.

– Tenho de ir – bradou a voz.

À medida que a cabeça clareava, reconheceu aquele tom ríspido.

Não era Rhun.

Era Nadia.

Visualizou aquelas outras mãos agarradas à sua corrente, guiando a sua queda, protegendo-a. Nadia arriscara a vida para segurar aquela corrente e salvá-la. Mas Elizabeth sabia que tais esforços não eram nascidos da preocupação ou compaixão.

A Igreja ainda precisava dela.

Por agora salva, outros receios se levantaram.

Onde estaria Rhun? Ainda viveria?

– Fique aqui – ordenou Nadia.

Ela obedeceu – não que tivesse qualquer outra hipótese. A fuga continuava impossível. Para lá das bordas da capa, restava apenas uma morte ardente.

Por um momento, pensou arremessar o manto para o lado, pondo fim àquela interminável existência. Mas em vez disso, enrolou-se mais ainda, determinada a sobreviver, envolvendo-se tão firmemente em pensamentos de vingança, como na pesada lã.

12h38

Erin cambaleou pelo terreno salpicado de estilhaços de metal do comboio. Tossindo com o fumo impregnado de óleo, a mente procurava compreender, passando em revista a explosão.

A detonação devia ter-se centrado na máquina a vapor, porque a locomotiva estava praticamente obliterada. Pedaços de metal negro despontavam do solo como árvores arruinadas. Mas não era apenas metal causticado que juncava os campos.

Um corpo sem pernas jazia junto ao trilho. Avistou o chapéu de maquinista.

Correu e ajoelhou-se ao seu lado, sobre a erva seca.

Olhos castanhos sem vida fitavam o céu fuliginoso. Um braço vestido de preto moveu-se sobre a cabeça dela e baixou as pálpebras do homem morto. O maquinista não estava envolvido em nenhuma profecia. Apenas estava presente para cumprir um honesto dia de trabalho.

Mais uma vida inocente.

Quando terá fim?

Levantou o rosto para Rhun. O sacerdote levou a cruz aos lábios, a prata abençoada crestando a tenra carne, enquanto sussurrava preces pelo homem morto.

Quando ele terminou, ela levantou-se e prosseguiu, arrastando Rhun no seu encalço.

Poucos metros adiante, encontrou um segundo funcionário do caminho de ferro, igualmente morto. Tinha cabelo castanho-claro encaracolado e sardas, uma marca da fuligem na sua face. Parecia demasiado jovem para trabalhar num comboio. Ela pensou na vida dele. Teria namorada, pais ainda vivos? Quem sabia até onde se estenderiam as repercussões do seu luto?

Abandonou Rhun às suas orações, impelida pela urgência de encontrar Jordan.

Seguindo a linha férrea, chegou aos destroços do que suspeitava ser a carruagem da locomotiva. Um fogão fora disparado pelo ar e aterrara numa cratera. Leopold estava nesse compartimento. Procurou-o também, mas sem encontrar vestígios dele.

Continuando, alcançou as ruínas da carruagem-restaurante. Embora a parte da frente estivesse descarnada, a parte de trás estava intacta. Tinha descarrilado e abrira um sulco profundo no rico solo acastanhado. Uma cortina dourada esvoaçava por uma janela quebrada na parte de trás.

Recordou o momento antes da explosão. Rhun devia tê-la pressentido. Arrancara-a dos braços de Jordan, lançando-se por aquela janela.

A sombra de Rhun desenhou-se na terra, ao seu lado, mas ela não se voltou. Em vez disso, perscrutou o interior da carruagem-restaurante, receando encontrar um corpo, mas necessitando de saber.

Estava vazia.

Afastando-se da carruagem-restaurante, olhou na direção da carruagem-cama. A última carruagem jazia de lado, parte dela amolgada e fendida. À direita desta, detetou movimento por entre o fumo e correu nessa direção.

Rapidamente reconheceu o cardeal Bernard, coberto de fuligem. Ajoelhava-se sobre uma figura estendida no chão, dobrado em sinal de luto. Montando vigília atrás do cardeal, Christian apertava o ombro de Bernard.

Abriu caminho por entre os destroços até eles, temendo o pior.

Christian devia ter pressentido a sua aproximação, voltando a cabeça, revelando o rosto coberto de sangue escuro. Chocada com a visão, ela tropeçou e quase caiu de cabeça.

Rhun amparou-a e ajudou-a a prosseguir.

Mais adiante, Bernard chorava, os seus ombros agitavam-se para baixo e para cima.

Não podia ser Jordan.

Não podia.

Por fim, alcançou Christian, que abanou a cabeça com tristeza. Apressadamente, contornou o cardeal.

O homem no chão estava irreconhecível – a fuligem manchava-lhe o rosto, as roupas tinham sido devoradas pelas chamas. Os olhos dela erraram do rosto enegrecido aos ombros desnudados, à cruz de prata que trazia ao pescoço.

O padre Ambrose.

Não era Jordan.

Bernard segurava as mãos queimadas do sacerdote nas suas e fitava o seu rosto sem vida. Ela sabia que Ambrose servira o cardeal durante muitos anos. Apesar da atitude azeda do padre com todos os outros, ele e o cardeal tinham sido próximos. Meses antes, ela vira o homem ajoelhar-se no sangue do papa, tentando salvá-lo após um ataque sem pensar sequer na sua própria segurança. Ambrose podia ter sido um homem amargo, mas era igualmente um leal protetor da Igreja – e agora dera a vida ao serviço desta.

O cardeal ergueu o rosto.

– Chamei um helicóptero. Têm de encontrar os outros antes que a Polícia e a equipa de emergência cheguem.

– Também temos de nos preocupar com quem fez explodir o comboio – acrescentou Christian.

– Pode ter sido um simples e trágico acidente – corrigiu Bernard, voltando-se para Ambrose.

Deixou Bernard entregue à sua dor, tropeçando sobre destroços fumegantes, contornando fogos, perscrutando com o olhar a paisagem massacrada. Christian e Rhun flanqueavam-na, movendo-se com ela, as suas cabeças virando-se para um lado e para outro. Ela esperava que os sentidos mais apurados deles a ajudassem a descobrir uma pista sobre o destino de Jordan.

– Aqui! – bradou Christian, caindo de joelhos.

No chão, diante dele, uma familiar cabeleira loura.

Jordan.

Por favor, não...

O medo imobilizou-a. Faltou-lhe o fôlego e os seus olhos encheram-se de lágrimas. Procurou dominar-se. Quando Rhun lhe pegou no braço, soltou-se e cruzou os últimos metros até Jordan sozinha.

Jazia estendido de costas. O casaco do uniforme azul estava em farrapos, a camisa branca sob ele desfeita em pedaços.

Deixou-se cair de joelhos ao lado dele e agarrou-lhe na mão. Com dedos trémulos, procurou-lhe o pulso. Este batia firme sob as pontas dos seus dedos. Com o toque, ele abriu os límpidos olhos azuis.

Ela chorou de alívio e pegou-lhe na mão quente com as suas.

Segurou-o, observando-lhe o peito subir e descer, infinitamente grata por o encontrar com vida.

A visão de Jordan focou-se e ele fitou-a, os seus olhos espelhando o alívio dela. Ela acariciou-lhe a face, a fronte, assegurando-se de que estava inteiro.

– Olá, querida – pronunciou ele. – Estás linda.

Ela lançou os braços à sua volta e enterrou o rosto no seu peito.

 

12h47

Rhun viu Erin agarrar-se ao soldado. O primeiro pensamento dela fora para Jordan, como deveria ser. De igual modo, Rhun tinha as suas responsabilidades.

– Onde está a condessa? – perguntou a Christian.

Ele abanou a cabeça.

– Quando a carruagem explodiu, vi-a ser projetada para fora com a Nadia.

Para a luz do sol.

Christian apontou para lá dos destroços centrais.

– A trajetória tê-las-ia lançado para o lado mais distante da linha.

Rhun fitou Erin e Jordan.

– Vão – disse Erin. Ajudou Jordan a sentar-se e começar a pôr-se de pé, vacilante. – Encontramo-nos junto do cardeal Bernard.

Liberto daquela responsabilidade, Rhun partiu com Christian. O jovem sanguinista corria pelo terreno, saltando sobre valas, ligeiro como um potro. Parecia não ter sido afetado pela explosão, ao passo que Rhun tinha dores em todo o corpo.

Uma vez para lá da linha férrea, Christian disparou subitamente para a esquerda, talvez detetando alguma coisa. Rhun esforçou-se por segui-lo.

Saída do pano de fumo, uma figura esguia vestida de preto coxeava na direção deles.

Nadia.

Christian alcançou-a primeiro e abraçou-a com força. Ele e Nadia tinham servido juntos em missões anteriores para a Igreja.

Rhun alcançou-os finalmente.

– Elisabeta?

– A condessa demoníaca ainda vive. – Nadia apontou um monte, a uns cem metros de distância. – Mas está gravemente queimada.

Ele correu para junto do seu corpo encoberto.

Christian seguiu-o com Nadia, pondo-a a par da situação da equipa.

– E Leopold? – indagou Nadia.

A expressão de Christian ensombrou-se.

– Ele estava na locomotiva, mais perto da explosão.

– Continuarei a procurá-lo – disse Nadia. – Vocês os dois podem cuidar de Sua Majestade. Preparem-na para partir.

Enquanto Nadia andava em direção ao fumo, Rhun percorreu o resto da distância até Elisabeta. Nadia cobrira Elisabeta com o manto de viagem da condessa. Ajoelhou-se junto ao montículo, sentido o cheiro a carne queimada.

Rhun tocou a superfície do manto.

– Elisabeta?

Um gemido respondeu-lhe. Foi tomado por um sentimento de piedade. Elisabeta era lendária pela sua capacidade de suportar a dor. Para estar reduzida àquilo, a agonia devia ser tremenda.

– Ela vai precisar de sangue para sarar – Rhun disse a Christian.

– Não lhe vou oferecer o meu – disse Christian. – E você não tem nenhum para dispensar.

Rhun inclinou-se sobre o manto. Não ousava levantá-lo para examinar a extensão dos ferimentos. Porém, deslizou uma mão sob a capa e encontrou a mão dela. Apesar da dor que lhe devia causar, ela apertou-lhe os dedos, agarrando-se a ele.

Levar-te-ei para um lugar seguro, prometeu ele.

Fitou os céus do meio-dia, o azul vivo mascarrado de fumo.

Para onde poderiam ir?

12h52

O helicóptero surgiu veloz e baixo, e aterrou numa zona não afetada do terreno. O piloto abriu uma janela e acenou ao grupo reunido no limiar dos destroços.

– Deve ser o nosso transporte – disse Jordan, reconhecendo o sofisticado helicóptero, uma réplica daquele que os resgatara do deserto de Massada, muitos meses antes.

Jordan pegou na mão de Erin e juntos navegaram por entre os últimos fragmentos até ao helicóptero. Ele estava vacilante, mas Erin parecia bem. Recordou o vago borrão de Rhun a arrancar Erin do seu aperto e a lançá-la pela janela, quando o comboio explodira.

A rápida reação de Rhun salvara-lhe provavelmente a vida.

Talvez devesse perdoar o sacerdote sanguinista pelas suas ações anteriores, por beber de Erin e tê-la deixado a morrer nos túneis sob Roma, mas ainda não conseguia reunir boa vontade suficiente para o fazer.

Adiante, as hélices faziam voar o pó e pedaços de erva. O piloto envergava o familiar uniforme azul-escuro da Guarda Suíça e gesticulava para a traseira, indicando que deviam embarcar.

Erin subiu em primeiro lugar e estendeu a mão para ajudar Jordan.

Pondo de parte o orgulho, ele aceitou-a e deixou que ela o ajudasse a subir.

Posto o cinto, olhou para fora da porta aberta, na direção dos outros sanguinistas. A poeira rodopiante obscurecia tudo, à exceção dos vultos de Christian e Rhun que se aproximavam. Suspenso entre eles, transportavam um fardo escuro e esfarrapado, completamente coberto por um manto.

A condessa.

Bernard surgiu depois deles, no meio do pó. Carregava o corpo do padre Ambrose. Nadia seguia-o.

Christian e Rhun entraram no interior. Uma vez sentados, Rhun tomou posse do vulto de Bathory, aninhando-a no seu colo, a cabeça encoberta repousando no seu ombro.

– Nenhum sinal do Leopold? – perguntou Jordan a Christian.

O jovem sanguinista abanou a cabeça.

Bernard chegou e estendeu o seu fardo. Christian pegou nele e, juntos, prenderam o corpo de Ambrose a uma maca, os seus movimentos rápidos e eficientes, como se o tivessem feito um milhar de vezes antes.

E provavelmente tinham.

O cardeal afastou-se do helicóptero, permitindo a Nadia embarcar. Ela bateu no ombro do piloto e virou o polegar para cima, indicando que devia partir.

Conforme planeado, Bernard ficaria para trás para explicar tudo à Polícia, para dar um rosto público à tragédia. Seria uma dura missão, sobretudo quando claramente ainda estava a sofrer.

As hélices aceleraram com um ronco do motor e o helicóptero levantou voo.

Uma vez suficientemente alto, sobrevoou a carnificina.

Com os rostos colados às janelas, todos olhavam para baixo, chegando à triste e inevitável conclusão.

O irmão Leopold tinha desaparecido.