Sangue Inocente

James Rollins e Rebecca Cantrell · Capítulo 49 de 59

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Sangue Inocente

Capítulo 47

 

20 de dezembro, 08h38, CET

Cumas, Itália

Judas mantinha vigilância numa fenda na face do penhasco. Permanecia embrenhado fundo na sombra, oculto dos apurados sentidos dos sanguinistas na praia em baixo, blindado pelo fedor do enxofre e pelo estrondear da terra, enquanto os portões do Inferno ameaçavam abrir-se. Mal conseguira escapar dos túneis inferiores, antes de as passagens se desmoronarem em volta daquela caverna enegrecida pelo fumo, selando-a. Agora, nem mesmo os sanguinistas conseguiriam alcançar os portões a tempo.

Não havia nada que pudesse fazer para impedir o inevitável.

No entanto, momentos antes, vira o helicóptero atacar o denso manto de fumo e desaparecer, levando o rapaz e Arella consigo.

O seu coração angustiou-se ao vê-la tão derribada, reconhecendo o quanto ela arriscara para salvar o rapaz. Ele evocou o seu corpo destroçado, o seu cabelo tornado branco. Contudo, mesmo à distância, reconhecia a sua beleza, ao jazer estendida na areia.

Meu amor...

Das rochas, espiava agora o cardeal e a condessa que saíam penosamente das águas plúmbeas, as suas roupas molhadas colando-se ao corpo. Ambos fitavam os céus, por onde o helicóptero desaparecera.

Mas para onde se dirigiriam os outros?

Ele vira Bernard e Elizabeth projetarem-se para fora da aeronave, claramente largados fora como bagagem indesejada.

– Condenou-nos a todos! – O brado de Bernard ecoou até ele.

Em resposta, Elizabeth limitou-se a varrer a areia das vestes molhadas.

– Iremos atrás deles! – insistiu o cardeal. – Não alterou nada!

Ela descalçou uma bota e despejou a areia.

– Não consegue admitir a possibilidade de estar errado, padre?

– Não vou permitir que me julgue.

– Porque não? É responsável por aquilo que sou, bem como por Rhun. Foi a sua intromissão em profecias no passado que nos forçou a juntarmo-nos.

Os ombros de Bernard retesaram-se face às palavras de Bathory. Afastou-se em fúria, reunindo os outros sanguinistas e recuando para fora da praia, voltando a acorrentar a condessa.

Judas esperou um bom quarto de hora antes de descer do seu pouso, transpondo os penhascos de volta à praia. Tinha um objetivo específico em mente. Vira Arella a inscrever algo na areia, observara como isso afetara a doutora Granger e os outros. Atravessou até esse ponto, até onde Arella jazera tão inerte. Notou a depressão na areia, onde a cabeça dela repousara.

Ajoelhou-se e passou as pontas dos dedos pela concavidade.

A preocupação por ela feriu-o.

Viu o que ela traçara na areia. Reconheceria a marca da sua mão em qualquer lugar, tendo passado um século a registar as suas palavras e a copiar os seus esboços. Viu o que ela inscrevera agora, tão atento ao seu sentido profético como em qualquer outra altura.

Uma tocha em chamas.

Sorriu, compreendendo.

Ela desenhara um mapa para os outros, mostrando-lhes para onde seguir.

A certeza acalmou-lhe a mente. Ele conhecia todos os símbolos associados a ela ao longo dos séculos, incluindo aquele.

Ela atraíra-os a Siwa.

Levantou-se, grato, uma convicção firmando-se no seu íntimo. Ele sabia que aquela mensagem fora deixada na areia, para ele, tanto como para os outros.

Ela convocava-o, também.

Mas porquê?