Saudades de D. Ignez de Castro

Manoel de Azevedo · Capítulo 17 de 95

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Saudades de D. Ignez de Castro

Capítulo XLVIII

Mas oh queyxas paray, paray cuidados,

Paray, façamos tregoas pensamento,

Que dos males talvez communicados,

Póde nascer desar ao sentimento:

Correy da alma pedaços distillados,

Dizey lagrimas minhas meu tormento;

Minhas naõ digo bem, que juntamente

Perdi tudo no bem, que chóro ausente.

 

XLIX.

Irmanay-vos, correy mais cuydadosas,

Seja vosso correr mais repetido,

Naõ cuideis, que vos choro caudalosas,

Porque deis desaffogo a meu sentido:

Que como nas memorias rigorosas

Vossa causa lamento, que hey perdido,

Se talvez mitigaes hum sentimento,

Naõ tem valôr nas perdas vosso alento.

 

L.

Oh! corraõ com valor vossas violencias

Por duplicar incendios a meu rogo,

Que naõ fora querer sentir ausencias,

Se vos chorára só por desaffogo:

Que posto deis alivio ás inclemencias,

Naõ podeis dar alivios a meu fogo;

Que como sou das penas avarenta,

Qualquer alivio vosso me atormenta.

 

LI.