Saudades de D. Ignez de Castro
Melindre.
O que falão, e sonhão
As outras, quero entender
tè que venho a fazer
Mil cousas que me envergonhaõ.
Melindre.
Acho grossas as finezas,
Sou dalfelua, e algodão
Os mimos são asperezas,
Epara minha condição.
Mentira.
Por ruas, e por travessas,
Cantar historias pretendo,
Quando falo, falo às avessas,
Do que sey, e do que entendo.
Pouco segredo.
Qualquer cousinha me encalma
Que a outrem, ou a mim toca
Tudo o que me metem na alma
Lanço logo pela boca.
Concordia.
Naõ pretendo prefeiçaõ,
Por ser covarde, e ser rude,
Com medo do que diraõ,
Deixo de ter mayor virtude.
Vingança.