Saudades de D. Ignez de Castro

Manoel de Azevedo · Capítulo 71 de 95

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Saudades de D. Ignez de Castro

Capítulo XIII

Que ames mais que a vida a morte dura, Ó grande mal, estranha desventura.

 

XIII.

Nesta alegria falsa, a qual eu douro,

Com minha razaõ torpe, e com meu erro, Onde as promessas saõ de fino ouro,

E as dadivas saõ de duro ferro;

Trocava o rico preço, e o thesouro,

Que me levava à patria do desterro,

Trocava o eterno bem que permanece,

Por hum breve prazer que desfalece.

 

XIV.

Sò o torpe juizo, e insensato,

A quem verdades tais saõ odiosas,

Das cousas preza mais o aparato,

Do que preza, e ama as mesmas cousas; Sò este a quem por falso jà naõ trato,

Pode por falsas mostras, mas fermosas,

Por huma breve, e vãa desventura,

Aventura hum bem que sempre dura.