Saudades de D. Ignez de Castro

Manoel de Azevedo · Capítulo 63 de 95

Páginas do PDF

Saudades de D. Ignez de Castro

Capítulo XIII

Mas ay que póde ser q̃ os que reprehendo Subaõ do mal ao bem que naõ conhecem, E póde vir a ser que os que defendo

Deçaõ do bem ao mal, que hoje aborrecem, Que quaes saõ os de Deos, eu naõ no entẽdo Senaõ segundo as obras que aparecem:

Porèm a graça de huns naõ he segura,

E nem a culpa de outros sempre dura.

 

XIV.

O Principe das trevas naõ pretende

Com todos seus vassalos preseguirnos?

Naõ nos deseja mal, naõ nos offende?

E naõ estuda sempre em destruirnos?

Naõ temos nòs a Deos que nos defende, Se elle quer offendernos, e oprimirnos?

Se nòs sem paixam nossa o desprezamos, Porque com seus ministros nos cançamos?

 

XV.

Que ter amigos taes he sorte boa,

Pois saõ occasiões para a vitoria,

Artifices sutis da altiva coroa,

Que Deos costuma dar na eterna gloria;

Naõ quero que me cause, ou que me doa, Trazelos como trago na memoria,

Porque, ou sejaõ cilicio, ou disciplina,

Saõ meyos de mayor graça divina.

 

XVI.