Saudades de D. Ignez de Castro

Manoel de Azevedo · Capítulo 91 de 95

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Saudades de D. Ignez de Castro

Malicia.

Por mais que as outras me afagem

E por branduras me levem,

Nenhuma cousa me devem,

Que dobrado me naõ paguem.

 

Malicia.

Só de mim todo o mal vem

Ou mortal, ou venial,

Sou inventora do mal,

Destruidora do bem.

 

Incredulidade.

De meu mal endurecida,

Só por mesma me eu rejo,

O mal creyo só de ouvida,

E o bem nem quando o vejo.

 

Odio.

Nunca procuro meu bem,

Porque meu mal naõ conheço,

Sou penna de quem me tem,

Sem ser mal de quem aborreço.

 

Hypocresia.

Sou dobrada, triste, e rude,

Enganar he meu officio;

Pela casca sou virtude,

Mas pelo miolo vicio.

 

Murmuraçaõ.