Saudades de D. Ignez de Castro

Manoel de Azevedo · Capítulo 4 de 95

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Saudades de D. Ignez de Castro

Capítulo VII

Do vendádo rapaz linda vingança;

Mas os golpes da Parca deshumanos

A belleza por flor em flor alcança,

Exprimentou na sempre amarga sorte

Por maõs do Deos do amor armas da morte.

 

VII.

Eraõ gentil emprego a seus cuidados

As finesas de Pedro, que a beldade

Nelle soube trazer aprisionados

Sceptro, corôa, vida, e liberdade:

Entre ambos tinha amor já taõ ligados

Os soltos alvedrîos da vontade,

Que foy nelles baldado, e foy perdido

Nascer Antéros por crescer Cupido.

VIII.

Mas oh tyranna dor amor inventa!

Forçosa foy de Pedro a dura ausencia,

Atropos da alma, que da pena isenta,

Nella sabe sentir mortal violencia:

Como preso, partir-se Pedro intenta,

E sente na alma, Ignez, nova inclemencia, Que quer a sorte, pois amor ordêna,

Onde naõ chega a morte, offenda a pena.

 

IX.

Quantas vezes, Ignez, no pensamento

Este desár notaste a teus favores?

Quantas vezes, Ignez, na maõ do vento

Os viste, e vês agora, e verás flores: