Saudades de D. Ignez de Castro

Manoel de Azevedo · Capítulo 94 de 95

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Saudades de D. Ignez de Castro

Amor profano.

Nenhuma alma hoje me tem

Que seja esperitual,

Quando quero mayor bem,

Entaõ me faço mòr mal.

 

Amor profano.

Por fantastica invensaõ

Procede meu bem querer,

Por bens que naõ pòdem ser,

Sofro o mal que jà saõ.

 

Arrogancia.

Da graõ soberba sou filha,

Cuido que saõ meus os Ceos,

O mal propio naõ me humilha,

E incho com o bem de Deos.

 

Distraiçaõ.

Do que he culpa, faço graça,

Do que he peccado, ventura,

A alma trago na praça,

E o corpo na clausura.

 

Descortesia.

A honra como thesouro,

Nego a todos por mais brio,

Faço della fino ouro,

Porque a pezo ouro, e fio.

 

Temeridade.