Saudades de D. Ignez de Castro
Saudades de Donna Ignez de Castro.
Decorative border; imagen decorativa
SAUDADES DE DONNA IGNEZ DE
CASTRO.
I.
ERA na meya idade, a q̃ chegava
Em fraguas de Zafir o Sol, q̃ ardia,
e nas asas do tẽpo, q̃ passava,
Icaro de seus rayos era o dia
Quando pois com as chammas se abrasava, Que morrer incendîdo entaõ queria,
Sendo por renascer com novo alarde,
Em cinzas de rubim Féniz da tarde.
II.
Na lisongeira planta se enlaçava
Cortez o vento com gentil porfia,
E nos jardins a Rosa, que encalmava,
Em berços de esmeralda adormecia:
A simples avesinha se banhava
No murmúreo correr da fonte fria,
Renovando na vista o doce alento,
Narciso nos crystaes, Orfêo no vento,
III.