Saudades de D. Ignez de Castro

Manoel de Azevedo · Capítulo 2 de 95

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Saudades de D. Ignez de Castro

Saudades de Donna Ignez de Castro.

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SAUDADES DE DONNA IGNEZ DE

CASTRO.

 

I.

ERA na meya idade, a q̃ chegava

Em fraguas de Zafir o Sol, q̃ ardia,

e nas asas do tẽpo, q̃ passava,

Icaro de seus rayos era o dia

Quando pois com as chammas se abrasava, Que morrer incendîdo entaõ queria,

Sendo por renascer com novo alarde,

Em cinzas de rubim Féniz da tarde.

 

II.

Na lisongeira planta se enlaçava

Cortez o vento com gentil porfia,

E nos jardins a Rosa, que encalmava,

Em berços de esmeralda adormecia:

A simples avesinha se banhava

No murmúreo correr da fonte fria,

Renovando na vista o doce alento,

Narciso nos crystaes, Orfêo no vento,

 

III.