Tartufo, O Pato Selvagem
Hjalmar
Já que fazes tanta questão, podes trazer uma garrafa de cerveja.
GINA
Sim, é isso. Vai buscar uma: vamos gozar um pouco a vida.
(Hedvig precipita se para a porta da cozinha.)
HJALMAR (junto à estufa, detém-na, olho-a, pega-lhe a cabeça, e apóia
contra o peito.)
Hedvig, Hedvig!
HEDVIG (chorando de alegria)
Papai querido!
HJALMAR
Não, não me chames assim. Eu me sentei à mesa desse rico, carregada de
pratos deliciosos... e me deleitei com eles! Poderia pelo menos...
GINA (sentada perto da mesa)
Tolices, Ekdal, tolices.
HJALMAR
Oh! Não! Mas não me queiram mal por isso. Vocês bem sabem quanto as
quero.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Pato Selvagem 143
HEDVIG (pondo-lhe as mãos à roda do pescoço)
E nós, papai, nós te adoramos! (pág. 186)
Hjalmar toca flauta para a mulher e a filha. A família parece feliz, apesar das difi-culdades.
PROF. MONIR: Não parece uma situação feliz, apesar das dificuldades? Os dois têm uma profissão moderna, trabalham bem, tem uma menina de treze anos, tem o velhinho que mora com eles, e eles vivem mais ou menos bem. Há uma certa felicidade nesta situação familiar, não parece uma situação ruim.
Soa a campainha. É Gregers Werle. Gina o reconhece imediatamente. (“O Senhor Werle filho não é difícil de ser reconhecido.)” O rapaz comunica que havia deixado a casa de seu pai e havia ido para um hotel. O jovem Werle observa Hedvig, que vai buscar uma cerveja na cozinha. Os pais explicam ao visitante: Hedvig é “nossa maior alegria neste mundo” e também a “fonte da maior preocupação”.
GREGERS
Preocupação? Por quê?
HJALMAR
Ela corre perigo de perder a vista.
GREGERS
Ameaçada de ficar cega?
144 Professor José Monir Nasser