Tartufo, O Pato Selvagem
Hjalmar
Não é o homem que...
GREGERS
Tu o verás bem, acrescentou ele.
HJALMAR
Queria dizer que ides ver que me desarmariam com dinheiro, não é?
HEDVIG
Mas mamãe, o que é que há? (pág. 222)
Hedvig, a ponto de chorar, sai pela porta da cozinha. Hjalmar rasga o termo de doação: “Eis a minha resposta”, ao que Gregers acrescenta: “Era o que eu esperava.”
PROF. MONIR: Meu garooooto!
Em seguida, Hjalmar pergunta a Gina: “Hedvig é minha filha, ou...? Vamos!”
GINA (desafiando o friamente com o olhar)
Não sei.
PROF. MONIR: É claro que ela sabe. Provavelmente é filha dele mesmo, nós não sabemos. Mas neste momento ela está tão horrorizada que resolve fa-zer o jogo. Já que é considerada um monstro, então Gina agora faz o jogo do monstro.
196 Professor José Monir Nasser
HJALMAR (estremecendo)
Não sabes!
GINA
Como queres que eu saiba? Uma mulher como eu...
PROF. MONIR: É uma ironia, não é?
HJALMAR (vestindo o casaco)
Para um homem como eu não há por que refletir.
GREGERS
Pelo contrário, há aí um abismo de reflexões. Para começar, é preciso que
vocês três fiquem juntos se queres alcançar a esse espírito de sacrifício que
conduz às dedicações sublimes.
PROF. MONIR: É o Tartufo falando. O Tartufo em pessoa.
HJALMAR
Não quero nada disso! Jamais, jamais! Meu chapéu! (Pega o chapéu.) Meu lar
está em ruínas. (Explode em soluços.) Gregers, não tenho mais filha!
PROF. MONIR: Pronto. Acabou de renegar a menina. O Gregers achou que isso tudo fosse acontecer? Não. De acordo com o discurso que ele tem, tudo isso era para construir uma verdadeira união conjugal baseada na verdade.
HEDVIG (que abriu a porta da cozinha)
Que é que estás dizendo. (Corre para ele.) Papai, papai!
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Pato Selvagem 197