Tartufo, O Pato Selvagem
Gregers
Experimente, Hedvig.
HEDVIG (em voz baixa e com os olhos brilhantes)
Sim, vou experimentar.
GREGERS
Você acha que terá coragem para isso?
HEDVIG
Eu vou pedir a vovô que o mate.
GREGERS
É isso. Mas não diga nenhuma palavra à sua mãe.
HEDVIG
Por quê?
GREGERS
Ela não nos compreende.
HEDVIG
O pato selvagem?... Vou experimentar amanhã de manhã. (págs. 224-225)
PROF. MONIR: Não é o diabo fazendo uma combinação matreira?
Gina volta com a notícia de que Hjalmar, Relling e Molvik haviam saído juntos.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Pato Selvagem 203 PROF. MONIR: Que desgraça, hein, porque Relling e Molvik são uns pânde-gos, uns farristas.
Abraçando a filha, Gina medita: “Meu Deus! Meu Deus! Bem razão tinha Relling. Aí está o que acontece quando há loucos que vêm apresentar essas malditas cobran-ças.”
Quinto Ato
Num dia pardacento e frio, Hedvig diz à mãe que acha que seu pai está em-baixo, no quarto de Relling. O velho Ekdal sai do quarto vestido com o robe de chambre e fumando um cachimbo. Pergunta pelo filho e depois sobe ao sótão. À saída do velho, Hedvig comenta: “Mamãe, que achas, quando o pobre vovô sou-ber que papai quer nos deixar?...” Chega Gregers e pergunta: “Estão na pista dele?” Entra Relling e confirma que Hjalmar estava nos seus aposentos. Gina quer saber como o marido está.
GINA
Que disse Ekdal agora de manhã?
RELLING
Não disse nada.
HEDVIG
Ele não fala?
RELLING
Nem uma palavra.
204 Professor José Monir Nasser