Tartufo, O Pato Selvagem

José Monir Nasser · Capítulo 41 de 62

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Tartufo, O Pato Selvagem

Hedvig

Parece me que assim mesmo ele podia me querer do mesmo modo e até

mesmo mais. O pato selvagem também nós recebemos ele de presente e

apesar disso eu gosto tanto dele.

PROF. MONIR: Coitadinha, ela não consegue entender bem o que é um adul-tério, mas está se colocando na posição do pato selvagem — se o pato foi achado e mesmo assim pode ser amado, por que ela não pode ser amada também?

GREGERS (aproveitando o elo)

É isso, Hedvig, o pato, falemos dele.

HEDVIG

Pobre pato! Papai também não quer ver mais ele. Imagine só; ele falou em

torcer o pescoço dele.

GREGERS

Qual o quê! Ele não fará tal coisa.

HEDVIG

Não, mas ele falou nisso. Que coisa feia papai ter dito aquilo. O senhor não

sabe? Eu rezo todas as noites pelo pato, que ele não morra, nem lhe aconteça

nada de ruim.

GREGERS (olhando a)

Você costuma rezar à noite?

 

200 Professor José Monir Nasser