Tartufo, O Pato Selvagem

José Monir Nasser · Capítulo 8 de 62

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Tartufo, O Pato Selvagem

Elmira

Mas põem-nos medo tal da punição celeste!

TARTUFO

Senhora, esse receio absurdo se descarte:

De vos livrar de vãos escrúpulos, tem-se a arte.

Veda de fato o céu certos contentamentos,

Mas com ele haverá sempre acomodamentos.

Conforme for preciso, existe uma ciência

Que espicha sem embargo os laços da consciência,

E retifica o mal que haja nalguma ação,

Julgando lhe a pureza, apenas, da intenção.

PROF. MONIR: Então como é que faz? Precisa lembrar apenas da intenção. O ato em si não precisa. Se for uma intenção amorosa, verdadeira, daí então não tem problema.

TARTUFO

São segredos que, na alma, eu vos farei luzir;

Basta que vos deixeis, senhora, conduzir.

Meus votos contentai, vossa alma em nada expondo;

Tomo o mal sobre mim, e por tudo respondo.

(Elmira tosse com mais força)

Tossis muito. (págs. 99-100)

Tartufo continua a destilar hipocrisias:

 

74 Professor José Monir Nasser