Tartufo, O Pato Selvagem
Elmira
Mas põem-nos medo tal da punição celeste!
TARTUFO
Senhora, esse receio absurdo se descarte:
De vos livrar de vãos escrúpulos, tem-se a arte.
Veda de fato o céu certos contentamentos,
Mas com ele haverá sempre acomodamentos.
Conforme for preciso, existe uma ciência
Que espicha sem embargo os laços da consciência,
E retifica o mal que haja nalguma ação,
Julgando lhe a pureza, apenas, da intenção.
PROF. MONIR: Então como é que faz? Precisa lembrar apenas da intenção. O ato em si não precisa. Se for uma intenção amorosa, verdadeira, daí então não tem problema.
TARTUFO
São segredos que, na alma, eu vos farei luzir;
Basta que vos deixeis, senhora, conduzir.
Meus votos contentai, vossa alma em nada expondo;
Tomo o mal sobre mim, e por tudo respondo.
(Elmira tosse com mais força)
Tossis muito. (págs. 99-100)
Tartufo continua a destilar hipocrisias:
74 Professor José Monir Nasser