Tartufo, O Pato Selvagem
Gregers
Não? Não compreendo isso.
GINA
Mas então o que é que ele faz?
RELLING
Ronca deitado no sofá.
GINA
Deveras? É verdade, Ekdal ronca forte.
HEDVIG
Ele dorme? Ele pode dormir!
RELLING
Pelo menos parece...
GREGERS
Isso se compreende. Depois da luta que teve de sustentar a alma dele... (págs.
226-227)
PROF. MONIR: Está aí o Gregers fazendo mais uma interpretação imbecil.
Quando a mãe e a filha saem para arrumar a sala, começa reveladora conversa entre Gregers e Relling.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Pato Selvagem 205
GREGERS (virando para Relling)
Pode explicar-me o trabalho que se está realizando neste momento na alma
de Ekdal?
RELLING
Palavra que não notei que a alma dele estivesse trabalhando.
GREGERS
Como? Num momento de crise em que toda a vida dele se reconstrói sobre
novas bases?... Como pode crer que um caráter como Hjalmar?...
RELLING
Ele, um caráter?... Se jamais ele teve em germe uma dessas deformações a que
vocês chamam um caráter, ficou radicalmente curado dela desde a infância.
GREGERS
Seria de admirar... Educado como ele foi, cercado de tanta afeição...
RELLING
Está se referindo às duas tias dele, aquelas solteironas amalucadas histéricas?
GREGERS
Essas duas mulheres, posso declarar lhe, nunca deixaram murchar os direitos
do ideal. Vamos, já vejo que quer continuar a pilheriar.
PROF. MONIR: Os direitos do ideal é uma ideia kantiana que o Gregers está colocando na cabeça do Hjalmar. É o Gregers que domina esta ideia.
206 Professor José Monir Nasser