Tartufo, O Pato Selvagem

José Monir Nasser · Capítulo 45 de 62

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Tartufo, O Pato Selvagem

Gregers

Não? Não compreendo isso.

GINA

Mas então o que é que ele faz?

RELLING

Ronca deitado no sofá.

GINA

Deveras? É verdade, Ekdal ronca forte.

HEDVIG

Ele dorme? Ele pode dormir!

RELLING

Pelo menos parece...

GREGERS

Isso se compreende. Depois da luta que teve de sustentar a alma dele... (págs.

226-227)

PROF. MONIR: Está aí o Gregers fazendo mais uma interpretação imbecil.

Quando a mãe e a filha saem para arrumar a sala, começa reveladora conversa entre Gregers e Relling.

 

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Pato Selvagem 205

GREGERS (virando para Relling)

Pode explicar-me o trabalho que se está realizando neste momento na alma

de Ekdal?

RELLING

Palavra que não notei que a alma dele estivesse trabalhando.

GREGERS

Como? Num momento de crise em que toda a vida dele se reconstrói sobre

novas bases?... Como pode crer que um caráter como Hjalmar?...

RELLING

Ele, um caráter?... Se jamais ele teve em germe uma dessas deformações a que

vocês chamam um caráter, ficou radicalmente curado dela desde a infância.

GREGERS

Seria de admirar... Educado como ele foi, cercado de tanta afeição...

RELLING

Está se referindo às duas tias dele, aquelas solteironas amalucadas histéricas?

GREGERS

Essas duas mulheres, posso declarar lhe, nunca deixaram murchar os direitos

do ideal. Vamos, já vejo que quer continuar a pilheriar.

PROF. MONIR: Os direitos do ideal é uma ideia kantiana que o Gregers está colocando na cabeça do Hjalmar. É o Gregers que domina esta ideia.

 

206 Professor José Monir Nasser