Tartufo, O Pato Selvagem

José Monir Nasser · Capítulo 54 de 62

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Tartufo, O Pato Selvagem

Hjalmar

Ah! Gregers! É justamente disso que não tenho certeza. Quem sabe o que

Gina e essa Sra. Soerby puderam tramar aqui, tantas vezes? E Hedvig não tem

por hábito tapar os ouvidos. É capaz que essa doação, afinal de contas, não

tenha sido uma surpresa total.

PROF. MONIR: Agora Hjalmar coloca a filha de treze anos como conspiradora contra ele.

GREGERS

Que mau espírito te domina hoje, Hjalmar!

HJALMAR

Meus olhos se abriram. Presta atenção: verás que essa doação não é mais do

que um primeiro passo. A Senhora Soerby sempre teve um fraco por Hedvig.

Ela agora tem o poder de fazer tudo o que lhe agrade pela criança. Podem

tirar ma, desde que o queiram.

GREGERS

Hedvig nunca te deixará.

HJALMAR

Não te fies muito nisso. Se eles lhe fizerem um sinal, com as mãos cheias?... E

eu que tanto a quis!... Eu, cuja felicidade toda teria sido de pegá la suavemente

pela mão e de a conduzir como se conduz, num grande quarto vazio, uma

criança que tem medo das trevas! Tenho agora a dolorosa certeza de que o

 

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pobre fotógrafo alojado nas águas furtadas nunca foi nada para ela. Não

houve aí nada mais que um ardil para viver em boas condições com ele até

um momento dado.

GREGERS

Tu mesmo, Hjalmar, não crês no que está dizendo.

HJALMAR

O horrível é justamente isso: eu não sei o que devo pensar, jamais o saberei.

Mas tu crês que é impossível que assim seja? Meu bom Gregers, tu te fias

demasiado, parece me, na força do ideal. Que os outros venham, que

cheguem com as mãos cheias, que lhe gritem: “Vem conosco, a vida aqui está

à tua espera!...” e verás!

GREGERS (com vivacidade)

Vamos! Então tu crês?

HJALMAR

Se eu lhe pedisse: “Hedvig, queres dar a tua vida por mim?” (Ri sarcasticamente.)

Ah! Pois sim! Verias o que ela me responderia.

(Ouve se um tiro no sótão.)

PROF. MONIR: Ouve-se um tiro no sótão no momento em que Hjalmar faz sarcasmo consigo mesmo: “Se eu pedisse para Hedvig dar a vida por mim, ela diria que claro que não”. Nesse momento ouve-se um tiro no sótão.

 

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GREGERS (com uma explosão de alegria)

Hjalmar!

HJALMAR

Bom! aí está o outro caçando agora.

GINA (entrando)

Ekdal, creio que o velho está outra vez sozinho no sótão a dar tiros de

espingarda.

HJALMAR

Vou ver.

GREGERS (impressionado, alegre)

Espera um pouco. Sabes o que é?

HJALMAR

Naturalmente que sei.

GREGERS

Não, tu não sabes. Eu, porém, sei! É a prova!

HJALMAR

Que prova?

GREGERS

Um sacrifício de criança: ela convenceu a teu pai que matasse o pato

selvagem.

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