Tartufo, O Pato Selvagem
Gina
Bom.
HJALMAR
Não te aproximes de mim, Hedvig! Vai te! Não te posso ver. Oh! Esses olhos!
Adeus! (Quer dirigir se para a porta.)
HEDVIG (agarra se a ele gritando)
Não, não, não! Não te afastes de mim.
HJALMAR
Não posso! Não quero! Preciso ir para longe de tudo isso!
(Desprende se das mãos de Hedvig e sai pela porta do saguão.)
HEDVIG (olha o, desesperada)
Ele nos deixou, mamãe! Ele não vai voltar nunca mais!
GINA
Não chores, Hedvig. Papai voltará com certeza.
HEDVIG (atira se no sofá, soluçando)
Não, não, ele não voltará nunca mais.
GREGERS
A senhora pode crer, Sra. Ekdal, que eu quis arranjar tudo do melhor modo
possível.
198 Professor José Monir Nasser ALUNOS: [risos].
PROF. MONIR: Conversinha de diabo, não?
GINA
Pode ser que sim. Mas em todo o caso que Deus lhe perdoe. (pág, 223)
Gina põe o manto e o chapéu e sai atrás do marido. Hedvig, sentando e enxu-gando as lágrimas, pergunta: “Agora é preciso me dizer o que é que há. Por que é que papai não me quer mais?”
GREGERS
Não deve perguntar isso enquanto você não for grande e razoável.
HEDVIG (soluçando)
Mas é que eu não posso ficar assim com esse desespero no coração até que
eu fique grande e razoável. Eu já estou vendo o que é. É capaz que eu não seja
filha do papai.
GREGERS (inquieto)
Mas como seria possível isso?
HEDVIG
Pode ser que mamãe me tenha achado e que papai tivesse sabido ainda há
pouco. Eu li essas coisas nos livros.
GREGERS
Pois bem. E se fosse esse o caso?
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Pato Selvagem 199