Tartufo, O Pato Selvagem

José Monir Nasser · Capítulo 49 de 62

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Tartufo, O Pato Selvagem

Gregers

Então ele não é demoníaco?

RELLING

Que diabo quer você que signifique isso: “um demoníaco”? É uma pilhéria que

eu inventei para manter lhe a vida. Do contrário, há muitos anos que o meu

infeliz amigo estaria entregue ao desespero e se desprezaria a si mesmo. E o

velho tenente, então? Ah! esse achou o tratamento, por si mesmo.

GREGERS

O tenente Ekdal? Como assim?

RELLING

Sim. Que me diz você desse matador de ursos que vai caçar coelhos num

sótão? Não há caçador mais feliz do que esse pobre diabo, quando tropeça na

mixórdia que há aqui. Árvores de natal secas, que ele guarda cuidadosamente,

representando, exatamente, para ele, a grande floresta de Heydal em todo o

seu fresco esplendor! Os galos e as galinhas são as grandes aves pousadas no

cimo dos pinheiros. Os coelhos que atravessam o salão saltando, são os ursos

contra os quais ele se atira, ele, o ancião desempenado, o homem do ar livre...

GREGERS

Pobre velho! Teve de desbastar o que servia de ideal para a sua mocidade.

RELLING

Ouça, senhor Werle filho, por favor não empregue esse termo elevado de ideal,

quando para isso temos na linguagem usual excelente expressão: mentira.

 

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