História e Memória
5. Conclusão
Dá-se muitas vezes como exemplo do Terceiro Mundo o Japão, que a partir de 1867, na era de Meiji, cumpriu um enorme trabalho de modernização e conheceu de novo, depois de 1945, um progresso econômico excepcional [cf. Phan Van Thuan, 1970]. Mas Djaït sublinha que "o caso do Japão é a caricatura e o condensado da evolução ocidental" e que o seu modelo não se pode exportar, o que talvez seja preferível. Sublinha ainda a amplitude considerável do trabalho a cumprir: "A nacionalização dos meios de produção, a mutação da estrutura dos investimentos industriais, a proclamação explícita de um projeto de modernização e de justiça social não são suficientes para realizar um crescimento fulgurante e um máximo de igualdade social. A modernização é um projeto de civilização que ultrapassa qualquer projeto de reforma social" [ 1974, p. 257].
Depois de 1975 o maior ou menor fracasso, mais ou menos patente de todos os grandes sistemas sócio-econômicos e políticos do globo arrastou uma aceleração na crise do progresso. As nações ocidentais desenvolvidas revelaram-se incapazes de fazer face à crise da energia, à inflação e ao desemprego; os países ditos socialistas não conseguiram construir uma economia adequada às suas necessidades e infringiram, em maior ou menor grau, os direitos elementares da pessoa humana; a maioria dos países do Terceiro Mundo falharam nos planos econômico e político, vítimas de si mesmos e dos estrangeiros No caso do Camboja, do Vietnã e de Cuba, a situação é dramática. Para além disso, nos países ocidentais, o apelo à energia nuclear suscitou ou reforçou um forte movimento de crítica à ideologia do progresso.
O movimento ecológico que daí resultou é ambíguo e complexo. Apesar dos seus aspectos "progressistas" é, no seu conjunto, fundamentalmente "reacionário".
5. Conclusão
a) Constata-se em primeiro lugar que já quase não se fala de progresso em geral, mas de progressos setoriais./Desintegrada a noção de processo necessário não esquecer que cada tipo de progresso apela para outras formas complementares de progresso.
Por vezes, esses progressos são puramente científicos e disciplinares. Assim, em lingüística, por exemplo, no Progress in Linguistics Bierwisch e Heidolph [1970, pp. 5-6] definem o "progresso da lingüística" de uma forma totalmente técnica, desejando a integração desse progresso "numa teoria geral da linguagem" e uma aproximação interdisciplinar.
No domínio do progresso científico, Thomas Kuhn [1962] declara: "Se bem que o desenvolvimento científico não seja de natureza diferente dos outros domínios muito mais do que se tinha suposto, também difere de forma marcante. Pode não ser inteiramente falso dizer, por exemplo, que as ciências, pelo menos num certo estágio do seu desenvolvimento, progridem de uma forma diferente da dos outros domínios, seja qual for o progresso em si mesmo" [1962, pp. 245-46].
No domínio da psicologia individual, Jean Piaget interrogando-se sobre "uma história comparada da inteligência individual e do progresso científico" interessa-se pela ciência chinesa, "sendo o problema de saber se há só uma linha possível de evolução no desenvolvimento do conhecimento ou se pode haver caminhos diferentes, que, bem entendido, atinjam mais cedo ou mais tarde pontos comuns..." [Bringuier, 1977, pp. 149-150].