História e Memória
5. O mês
Georges Niangoran-Bouah mostrou que para todos os povos lagunares da Costa do Marfim o ano compreende o ciclo completo de quatro estações, com nomes que significam "a longa estação seca, a longa estação das chuvas, a breve estação seca, a breve estação das chuvas". As estações não têm geralmente a mesma duração e às vezes são marcadas por observações meteorológicas mais ou menos rituais. Para os Abure, as estações começam e acabam com o aparecimento do arco-íris.
Para os Baulé da Costa do Marfim, não existe uma palavra para dizer estação, mas o ano está subdividido em "tempos e períodos" que correspondem a estações. Do ponto de vista meteorológico, as "estações" são duas: a estação seca de novembro a maio e a estação das chuvas de abril ao outono. Mas são as duas atividades agrícolas mais importantes a determinar as "estações": para o inhame são quatro: o tempo de limpar a floresta (a partir de novembro), o tempo das queimadas (durante o mês de março), o tempo de preparar o terreno (de março até maio), o tempo de arrancar os inhames (a partir de agosto); e são três as estações para o café: o momento de mondar o café, o momento da colheita (de outubro a dezembro), o momento da venda (de dezembro a fevereiro) [Etienne, 1968].
Vimos como na Grécia antiga se passou de duas estações, a quente e a fria, para quatro que existiam já na época de Homero. O sistema das quatro estações, religioso e simbólico além de agrícola, impôs-se tanto à arte, como ao calendário antigo.
Henri Stein mostrou como no calendário de 354 o antigo sistema das estações, mais simbólico do que realista, se mistura com um sistema de trabalhos que, a partir do século IX, se torna o tema principal da escansão interanual da Idade Média ligando-se não já às estações mas aos doze meses.
Aliás, o tema das estações, tema vago que surge no calendário apenas graças aos pontos de referência astronômicos (solstícios e equinócios), conservou uma força particular, continuando a viver nos calendários populares, no mundo dos provérbios, nas expressões familiares (por exemplo, no francês, "marchand des quatre saisons"), e na arte (concertos de Vivaldi, quadros de Poussin, etc.). O exemplo das estações demonstra que o calendário ultrapassa o estreito quadro dos calendários.
5. O mês
O interesse pelo mês no sistema do calendário parece residir na relação entre o aspecto natural do mês, ligado à lunação (mais ou menos registrada nos diversos calendários) e os aspectos culturais estreitamente dependentes da história. O mês natural deriva da lunação, mas nos calendários solares esta origem é mais ou menos posta à parte. No entanto, este conserva uma grande pertinência no sistema do calendário e foi-se enriquecendo de significados no decurso da história.
Para certos povos, o mês é uma unidade flutuante, o ano não compreende um número preciso de meses, o mês não compreende um número preciso de semanas: é, em resumo, mais ou menos autônomo do sistema do calendário. É este o caso de algumas das populações africanas da Costa do Marfim que já referimos. Para os Baulé, os meses não têm nome nem ordem, e não correspondem a um momento preciso do ano. Não tem sentido perguntar a um Baulé quantos meses tem o ano. O Gueré não dividem o mês em semanas mas em fases da Lua. Para certos povos lagunares desta região, há dois sistemas de meses: um mês lunar puramente agrícola, e um mês ritual com um número