História e Memória
Bibliografia
Hoje, os historiadores vêem de preferência os malefícios destas periodizações que encerram a história em falsas balizas e esquecem-se dos progressos que através delas se realizaram.
Está então morta a Idade do Ouro? Estão mortas as Idades Míticas? Quando deparamos com a Idade do Ouro das seitas, dos hippies e dos ecologistas, dos economistas do crescimento zero, permitindo-nos pensar que as Idades Míticas não estão mortas e que talvez venham a conhecer uma renovado nas mentalidades, senão nas teorias dos historiadores. [J. Le G.].
Tradução: Irene Ferreira
BIBLIOGRAFIA
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As idades míticas (cf. mythos/logos) são épocas excepcionalmente felizes, sem trabalho (caracterizadas, em certos casos, pelo automatismo de produção de bens), sem proibições ou impedimentos de tipo algum (cf. incesto, morte, direito, poder/autoridade, repressão); foram teatro de excepcionais cataclismos, de importância não raramente fundamental para o próprio destino (cf. futuro) de uma cultura (cf. cultura/culturas).
O seu estudo constitui uma abordagem privilegiada das idéias sobre o tempo (cf. tempo/temporalidade), a história e as sociedades perfeitas (cf. utopia). Essas idades situam-se umas vezes nas origens dos tempos, outras no fim (cf. escatologia, milênio).
No primeiro caso, quando a idade mítica é tomada como ponto de partida, segue-se-lhe um período de decadência (cf. também periodização); no segundo, pode conceber-se a história como um progresso (cf. progresso/reação).
Pode ainda acontecer que o tempo seja pensado como uma sucessão de ciclos (ef. ciclo) em que as idades míticas retornam indefinidamente (cf. também calendário, sagrado/profano).