A Lente de Marbury

Andrew Smith · Capítulo 9 de 59

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A Lente de Marbury

Capítulo 9

NOVE

 

“Vam os m atar o filho da puta”, disse Conner.

Eu sabia que ele não estava falando sério. Conner nunca levava nada a sério. Era por isso que nunca se alterava, com o quando o encontrei fazendo sexo com Dana. Tudo para Conner era um j ogo, e ele sem pre m e testava para ver se j ogaria tam bém .

Contei tudo o que tinha acontecido, com o m áxim o de detalhes que pude lem brar, desde quando peguei a cervej a daquele cara que nunca vi depois de m ij ar, até quando apareci na porta da casa dele. Conner balançava a cabeça enquanto eu contava tudo o que Freddie fez, com o se fosse difícil de acreditar. Eu quase não conseguia acreditar em m im m esm o, m esm o as palavras saindo de m inha própria boca.

Em determ inado m om ento, Conner perguntou, “Ele... você sabe, ele... te estuprou?”

“Não”, eu atalhei. Parei, esperei, tentei engolir. “Na verdade, não. Mas, depois de m e dar um a inj eção, ele tentou. Nessa hora o telefone tocou, ele ficou puto e foi em bora. Daí, tive que m e esforçar para não apagar. Foi quando consegui tirar um pedaço de m etal que achei debaixo da cam a e fugi daquela m erda de lugar.” Engoli em seco e continuei. “Ele tinha um a conversa de ‘eu que m ando’ e m e forçava a pedir ‘por favor’ pra tudo.”

Mostrei as bolhas que a arm a de choque tinha feito em m inha pele, na m inha barriga e debaixo do braço. Tam bém m ostrei o furo da agulha.

“Minha carteira e m inhas roupas ficaram lá. E o tênis que eu tinha acabado de com prar.”

“Você devia denunciar o cara.”

“Não”, eu cortei. “Não vou contar nada para ninguém , exceto para você, Con. O que é que eles podem fazer, afinal? Eu só ia m e encrencar por estar bêbado e drogado. Não quero que ninguém saiba que fui tão idiota. Ainda m ais Wy nn e Stella. Vou viaj ar na quinta, Conner. Não quero que isso estrague as coisas. Só quero esquecer.”

“Mas e se ele sequestrar outra pessoa?”

“Não fui o prim eiro”, disse. “Vão acabar pegando o cara. Não vam os estragar as nossas férias com isso, Con. A culpa é m inha, eu fui burro.”

Conner deu de om bros. “Você podia pelo m enos dar um susto nele.”

“Não conta para ninguém , tá?”, pedi.

“Sem problem a. Todo m undo acha que você é gay m esm o.”

Conner viu que sua piada não tinha graça e em purrou m eu pé.

“Para, só tava brincando! Vai passar, Jack. Vam os esquecer esse assunto, se é o que você quer. Acho que tam bém não contaria para ninguém se um escroto fizesse isso com igo. Só para você. É foda.”