A Lente de Marbury

Andrew Smith · Capítulo 27 de 59

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A Lente de Marbury

Capítulo 27

VINTE E SETE

 

Que merda está acontecendo comigo?

A m ão de Griffin sobre m eu tórax: ele tentava m e reanim ar.

Doía m uito. Com o se tivesse sido rasgado por dentro.

“Levanta, Jack. Não tem os m uito tem po.”

Podia ouvi-lo, m as não conseguia abrir os olhos.

“Jack.”

Ouvia Ben se aproxim ando.

“Que porra é essa?”

“Dois batedores”, Griffin disse. “O Jack m atou um deles, m as o outro fugiu.”

Ben m e agarrou por baixo dos braços.

“Vem , vam os levá-lo para dentro. Depois, vam os em bora dessa m erda de lugar.”

“Vou ficar bem .” Me levantei m e apoiando nos j oelhos. Os garotos m e aj udaram a andar até o últim o vagão.

Precisávam os nos apressar. Logo os Caçadores voltariam .

Enquanto Griffin m e costurava novam ente, Ben im provisava alforj es com partes das bolsas encontradas no vagão, prendendo um as às outras por cintos que tinha tirado dos passageiros. Fez um para cada um de nós e os encheu com o que poderia ser útil: roupas, com ida e m unição.

“A ferida está feia, Jack. Tão ruim quanto a outra, acho que até pior.” Com os polegares, Griffin aplicava pom ada sobre a m ordida. Exam inava tão de perto que eu sentia sua respiração. “Não dá para costurar.”

“Não precisa.”

Ele olhou para m im e perguntou, “O que você estava falando com eles?”

“Eu sei quem eles eram .”

“Mas com o?”

“Apenas sei.”

“Agora tanto faz. O que conseguiu fugir vai continuar voltando até m atar a gente.”

“Aqui”, Ben j ogou as roupas de Griffin aos pés dele. “O Jack m andou você usar as roupas, então usa. Não dá pra fugir pelo deserto com você andando pelado por aí.”

“Ainda não acabei.”

“Suas cam isas, Jack. Peguei tudo o que podia. Quando ele estiver vestido, vam os em bora antes que aquele batedor volte com reforços.”

Conner.

Griffin Goodrich m ordia o lábio, concentrado, enquanto fechava o curativo com esparadrapo. “Pronto.”

“Agora veste a roupa”, ordenou Ben.

Griffin deixou a cueca e as m eias de lado. “Não consigo usar essas coisas.”

Vi que Ben perdia a paciência.

“Deixa ele, Ben.” Vesti prim eiro cam iseta. Doeu. Meu peito estava enrij ecido. Coloquei a cam isa e com ecei a abotoar. Enfiei para dentro da calça.

“Mais um a coisa. Tem os que dar um j eito naquelas arm as lá atrás”, eu disse.

“Tam bém pensei nisso”, respondeu Ben. “Acho que não dá para levar todas.”

“Não precisam os delas, vam os em bora”, disse Griffin, enquanto am arrava as botas.

Voltei com os m eninos até o vagão onde os soldados haviam se m atado. Mostrei a eles com o desm ontar as arm as. Tinham sobrado apenas algum as delas. Retiram os o tam bor de cada um a e, então, usei m inha faca para abrir a válvula da descarga no vaso do banheiro no fundo do vagão. Jogam os os tam bores dentro do tanque da descarga.

Tam pei novam ente a válvula, que parecia um grande olho negro.

“Elas vão desistir de procurar antes de conseguir encontrar”, garanti.

Quando saím os, vim os um a m ancha negra de necrófagos indo em direção ao corpo de Brian Fields. Dava para ouvir os cliques de suas m andíbulas cortando a carne dele. Era horrível.

Deixam os o trem .

Griffin olhava para trás de tem pos em tem pos. Todos nós olhávam os.

Se houvesse Rastreadores levantando poeira em nosso encalço, esta se m isturaria ao branco do céu. Às vezes, com eçava a m e lem brar de com o aquele m undo em ruínas tinha sido antes da peste, antes da fom e. Fazia m uito tem po; tanto tem po que garotos com o Griffin não se lem bravam de m ais nada.

“Com todas as pegadas que estam os deixando, m elhor fazer um a trilha para eles nos seguirem ”, disse Griffin.

“Eu sei”, concordei. “Por isso precisam os subir as m ontanhas.”

“Com essas arm as e m unições, aposto que podem os m atar m ilhares deles”, disse Ben.“Talvez precisem os”, respondi.

“Ia ser legal”, disse Griffin.

Que jogo legal.

Se não matar Conner primeiro, ele me mata.

Não tinha conseguido escapar, afinal. Nem ali, nem do outro lado. Tinha certeza de que não havia nada real ou im aginário que pudesse m e salvar.

Cavalgam os.