A Lente de Marbury

Andrew Smith · Capítulo 59 de 59

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A Lente de Marbury

Capítulo 59

CINQ UENTA E NOVE

 

Glenbrook.

Um dia após nossa chegada.

Estam os os dois pálidos e suados na picape de Conner. Ele dirige.

Sinto calor, m esm o sem cam isa e com o ar-condicionado virado para m im .

O fim do verão é sem pre m uito quente em Glenbrook.

“Talvez dessa vez sej a só um m inuto”, Conner diz.

Estou trem endo tanto que m al consigo pronunciar as palavras. “Estaciona aqui, Con.”

Só uma olhadinha.

É um a piada, certo? Percebo que estam os no estacionam ento do Steckel Park. Tínham os voltado para onde tudo com eçou.

“Anda, Jack. Estou passando m uito m al. Parece que vou m orrer, ou sei lá.”

“Eu sei.”

Olho para cim a. “Preciso de ar.”

Abro a porta. “Desce, Con.”

Estou segurando a m eia. Não tinha tirado as lentes de lá desde quando as guardei em Londres. Posso senti-las, com o se vibrassem ali dentro: um inseto zum bindo entre m eus dedos, querendo voar. Conner se abaixa ao lado da porta. Ouço enquanto tenta vom itar, m as não consegue.

“Conner, levanta. Vem com igo.”

Ele vem atrás de m im e nos sentam os na gram a sob um a árvore.

“Não dá pra acreditar no que está acontecendo”, ele diz. “Fiquei com m edo de te m ostrar antes, m as olha só o que aconteceu com igo.”

Conner afasta o elástico da berm uda e m e m ostra um a pequena cicatriz, alguns centím etros abaixo da barriga. É um oito incom pleto, na horizontal, com o o contorno de um peixe.

“Eu não tinha isso”, Conner diz. “Nunca tive.”

Balanço a cabeça. “Não sei o que isso significa, Con.”

Dois m eninos j ogam basquete.

Com as pernas dobradas, Conner esconde o rosto entre os j oelhos.

Desenrolo a m eia e tento não olhar.

Pronto.

Seguro a lente de Marbury na m ão. Fico feliz apenas de senti-la entre os dedos.

Jack está feliz.

“Estão aqui”, eu digo. “Está pronto?”

Conner levanta o rosto. Parece ter chorado, m as sei que é só o suor. Respiro fundo, enrolo a m eia e guardo no bolso de velcro da berm uda.

Um a bola de basquete rola até os pés de Conner.

“Joga pra cá, por favor?”

Os dois m eninos que j ogavam agora estão à nossa frente. Ben Miller e Griffin Goodrich.

Ben convida, “Querem j ogar?”.

Conner agarra m eu braço. “Puta m erda, Jack!”

“Ei! Vocês são surdos? Joga a bola, por favor?”, Griffin insiste.

Eu fico apenas olhando para eles.

Vê-los no parque m e deixa aliviado, um pouco pelo m enos. Penso em Marbury, em Henry, e no espaço entre aqui e lá.

“São eles”, Conner diz.

“Acho que é real, Conner, m as preciso ter certeza.”

Conner respira com dificuldade e trem e. “Não, Jack. Vam os parar com isso.”

Não podemos parar.

Conner pega a bola e arrem essa para Griffin.

“Valeu. Vam os j ogar dois contra dois?”

Com as pernas trêm ulas, Conner se levanta e vira o rosto para m im , ele parece estar doente. “Jack, levanta! Vam os j ogar.”

Abro a m ão.

Griffin olha hipnotizado para as lentes e, atrás dele, Ben fica parado na beira da quadra, nos observando.

Nos olhos dos m eninos, consigo ver um reflexo pálido.

Algo enorm e.

Um céu sem cor.

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