A Lente de Marbury

Andrew Smith · Capítulo 40 de 59

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A Lente de Marbury

Capítulo 40

Q UARENTA

 

Depois da parada para o alm oço, Conner encostou a cabeça na j anela e dorm iu por um a hora. Meu celular vibrou no bolso. Nickie m andou um a m ensagem : “a rachel falou que o conner eh m uito bonito e te agradeceu por trazer ele. ela tá m andando um a foto pra vc m ostrar pro conner.”

Rachel, sorrindo na praia, um píer e um a roda-gigante ao fundo. Ela estava descalça na areia m olhada, sua cam isa aberta deixava entrever um piercing no um bigo e as form as de seus seios fartos no biquíni que ela usava. Sua pele era m orena, seu cabelo m olhado descia reto, se espalhando pelos om bros, preto e viscoso com o petróleo.

Acordei Conner. “Olha só.”

Mostrei o celular. “É a Rachel.”

Ele se levantou de um a só vez, com o se alguém tivesse j ogado água fervente em seu colo. “Cara, fiquei deu pau duro! Me dá seu telefone. Tenho que ir no banheiro.”

Meu telefone vibrou novam ente.

“oi, Jack”

Era um a foto de Nickie, sorrindo. A praia se estendia por um a planície enorm e até o m ar, em um horizonte a quilôm etros de distância.

Respondi: “m e liga”

O celular vibrou novam ente. Não era o núm ero de Nickie.

“Alô?”

“Oi, Jack.”

Henry.

“As coisas não andam bem , não é? Estou preocupado com você e os m eninos.”

“Não andam , não.”

Chega, Jack.

Silêncio.

“Posso aj udar se você quiser.”

“Não.”

Olhei para Conner, engoli em seco e desliguei.

“Quem era, Jack?”

“Ninguém .”

O celular vibrou novam ente.

“Ah, claro. Ninguém .”

“Era o cara que m e deu os óculos. Não quero falar com ele.” Mostrei o núm ero na tela do celular.

Continuava a vibrar.

“Então m e dá.” Conner tom ou o telefone da m inha m ão e atendeu. “Alô?”

Esperou. “Não responde, Jack. Alô?”

Aquilo era real. Tinha visto o núm ero na tela. Tinha de ser real.

“Não liga de novo, tá legal? Deixa a gente em paz, seu m erda!”

Sentia o estôm ago se revirando. Conner m e devolveu o telefone.

“Não era ninguém ”, disse, olhando bem para m im . Ele achou que eu estava m entindo. Ou ficando doido. Sabia.

“Era ele, Con.”

“Talvez o cara sej a um policial ou sei lá. Será que ele sabe o que a gente fez?”

“Não deve ser. Não faz sentido.”

“Bem , m as ele não falou nada. Nem ouvi a respiração dele. Não tinha ninguém na porra do telefone.”

“Liga de volta”, eu falei.

“Quê?”

“Liga de volta pra porra do núm ero pra ver quem era!”

Conner tom ou o celular de volta e ligou.

Ficou escutando.

“Pronto. Tom a. Me diz o que você ouve, Jack.”

Ele m e passou o telefone. Olhei para a tela. O m esm o núm ero que tinha aparecido quando Henry ligou. Mas, daquela vez, não ouvia nada. A cham ada não com pletava.

Nada.

Desliguei.

Isto é real.

Não é?

“Desculpa, Con.” Minha voz era pouco m ais que um sussurro.

Então, m e afundei na poltrona e enfiei o telefone no bolso.

“A gente tem que dar um j eito nesses óculos, Jack. Fiquei aqui pensando e agora sei que aquilo não é real. Se aquele cara está fazendo m esm o isso, então talvez ele estej a tentando fazer algum tipo de experim ento na gente, pra ver com o essa coisa fode a cabeça das pessoas. Deve ser algum tipo de pesquisa secreta, ou um a m erda assim . Vam os j ogar aquela porra fora e acabar com isso.”

Era im pressionante com o Conner podia fazer as coisas parecerem tão sim ples. E, quando colocava algum a coisa na cabeça, levava até o fim . Ponto final. Acho que era um a das coisas que m ais gostava em Conner Kirk. Na verdade, eu dependia daquilo, pois nunca conseguiria ser assim .

Vai se foder, Jack.

“Você tá certo, Con. Não tem com o aquilo ser real m esm o.”

O telefone vibrou novam ente.

Suspirei, aliviado.

Nickie.

As garotas nos esperavam na calçada, com seus pezinhos de fora em delicadas sandálias, quando descem os do ônibus com nossas m ochilas. Logo que viu as m eninas, Conner sorriu e disse baixinho: “Grande Jack!”. Nickie veio e m e deu um beij o na boca.

Vi pelo canto do olho Rachel abraçar Conner e depois m e deu um abraço tam bém .

“Que bom que vieram visitar a gente! Vam os nos divertir m uito”, disse Nickie.

“Você acha que tem vaga no lugar onde vocês estão hospedadas?”, perguntei.

Nickie segurou m inha m ão. “Vem , é por aqui. Nosso quarto dá para nós quatro. Vocês dois podem ficar com a gente.”

Conner m e cutucou com o cotovelo. Ia falar algum a besteira. Sabia. Pelo m enos falou baixo, no m eu ouvido.

“Super, m egaduro, cara!”

Havia apenas duas cam as no quarto. De casal, m as m uito m enores que a king-size do hotel de Londres. Nickie logo avisou qual delas seria a “cam a dos m eninos”. Depois ela e Rachel saíram do quarto para trocarm os a roupa e irm os à praia.

Já sabia o que Conner estava pensando, então disse, “Elas são legais, Con. Não vai fazer m erda”.

Já tinha espalhado as roupas pelo chão e vasculhava a m ochila. “Sei, quero ver quando a gente voltar com elas pro quarto hoj e à noite. Além do m ais, essa cam a é pequena dem ais para nós dois. Não sei se vou conseguir m e controlar com você dorm indo agarradinho em m im ”.

“Então tenta se controlar um a vez na vida, Con.” Vesti um short e calcei m eus tênis de correr. “Que tal um a corrida na praia antes do j antar?”

“E vam os deixar as m eninas sozinhas? Pra correr j untos? Cara, isso foi tão gay.”

Vesti um a cam iseta lim pa. Já estava pronto. Vi que Conner tam bém tinha calçado seus tênis de corrida.

“Hm m , viadinho!”, falei, apontando para o tênis.

“Tá bom , tá bom . Mas acho que j á rola de ativar o Plano J hoj e à noite, quando elas apagarem a luz.”

“Sei.” Já sabia que o que viria a seguir seria totalm ente absurdo. “Que Plano J?”

Conner deu aquele sorriso de m enino levado. “Depois de dar boa noite e apagar a luz, a gente espera uns cinco m inutos e eu falo: ’que isso, Jack?!’ Quanta falta de educação ficar batendo um a com as m eninas dentro do quarto’. Elas vão ficar com pena do virgem am ericano que não deixa seu pobre am igo dorm ir, vão se oferecer para trocar os parceiros de cam a e vão fazer sexo selvagem com a gente por caridade.”

Conner gargalhava.

Sabia que não era sério, m as tam bém sabia que, se não dissesse nada, talvez ele até tentasse pôr esse plano em prática.

“Con, você é e sem pre será o m eu m elhor am igo, m as se fizer qualquer coisa parecida, vou enfiar um m urro no m eio da sua cara, sem piscar.”

Ele riu de novo.

Batidas na porta. Rachel abriu apenas um a fresta e perguntou, “Por que vocês estão dem orando tanto?”.

“O Jack...”, Conner com eçou.

Fechei o punho e olhei para ele, que continuou. “O Jack está m e dando um a lição de boas m aneiras. Caram ba!”

“Podem entrar, m eninas, j á estam os prontos”, eu disse.