A Lente de Marbury
Capítulo 45
Q UARENTA E CINCO
Depois de com erm os, fom os a um a boate. Estávam os suados e cansados quando chegam os ao hotel, às duas da m anhã.
Nickie não soltou m inha m ão ao longo de todo o cam inho e, enquanto cam inhávam os pela calçada, encostou a cabeça no m eu om bro e perguntou baixinho o que m e assustava – porque ainda estava tão assustado.
É o seguinte, Nickie. Ele fez alguma coisa com minha cabeça, e agora estou fudido.
Tentei não m e sentir envergonhado, estava feliz pelo escuro e pelo silêncio, e contei o que lem brava sobre aqueles dias, desde que fui sequestrado até a volta para a casa de Conner. Contei até com o achava que m erecia aquilo e que tinha m achucado m eu próprio tornozelo de propósito, m as não consegui falar sobre a m orte de Freddie.
Jack matou Freddie Horvath.
Não por m im , m as por Conner. Não queria arrastá-lo para aquilo. Tudo o que Conner tinha feito, parecia, tinha feito por m im . O m ínim o que eu podia fazer para retribuir era guardar o segredo.
Nickie parou de andar. Suspirou. A noite estava fria e podia escutar as ondas quebrando na praia.
“E se eu não for a aj uda que você precisa, Jack?”
“Não é isso, Nickie.”
“E se ninguém puder te aj udar?”
Ela parecia assustada.
“Eu vou ficar bem ”, m enti.
Conner e Rachel iam à frente. Ele parou, sorrindo, apoiado na porta aberta do quarto enquanto Nickie e eu nos beij am os um a últim a vez no corredor.
E, então, tudo desm oronou para o Jack, de um a vez.
Tinha sido fácil ocupar a m ente com a m úsica e as distrações de Blackpool, m as, logo que a porta se fechou no silêncio do quarto, Jack sentiu o pânico tom ar conta. Tinha vergonha de tirar a roupa na frente das m eninas e m edo de estar afastando Nickie de m im . Mas não conseguia fazer nada. Sabia que Conner esperava que eu m e livrasse dos óculos. Tam bém tinha m edo de Seth com eçar a fazer barulho. Tentava esquecer, sem sucesso, o que tinha visto do outro lado das lentes de Marbury : Griffin correndo assustado, gritando por m inha aj uda, e ver Freddie Horvath lá, com o se estivesse m e esperando, caçando.
O espaço que separava os dois m undos j á não era um abism o: era quase nada.
Frustrado, não disse nada. Peguei um a coberta e um travesseiro da “cam a dos m eninos” e j oguei no chão, abaixo da j anela.
“Pode dorm ir na cam a, Con. Vou para chão”, eu disse.
Trem endo, aterrorizado, olhava para o chão, com o se fazer aquilo m e deixasse invisível. Tirei a roupa o m ais rápido que pude, antes que Conner fizesse algum com entário, e m e enrolei na coberta.
“Tem certeza, Jack?”
“Sem problem a, cara. Estou tão cansado que dorm iria até na banheira de novo.”
Não devia ter falado aquilo.
Tentava disfarçar, m as não conseguia tirar os olhos de Nickie enquanto ela deslizava as pernas longas e delgadas para fora das calças e subia a blusa pelos braços, bem ali ao m eu lado, só de calcinha e sutiã.
Conner nem se alterou. Tirou as roupas despreocupadam ente e se j ogou na cam a. “Jack, lem bra do que eu te falei? Podem os dar um j eito naquilo am anhã de m anhã, não é?”
É claro que eu sabia o que ele queria dizer.
Os óculos.
“Claro. Pode deixar. Boa noite, Con. Boa noite, m eninas. Foi m uito legal.”
“Tam bém achei”, disse Rachel. “Gostei das suas histórias, Jack.”
“É. Você é lindo”, com pletou Nickie. Ela se aj oelhou ao m eu lado para m e dar boa noite e encostou sua boca na m inha, foi a prim eira vez que a língua de Jack sentiu a de um a m enina. Se tivesse m e beij ado por m ais um segundo, eu teria perdido o controle.
Nickie apagou a luz, m as continuei a olhar para suas pernas, e as de Rachel tam bém , enquanto elas se deitavam . Meu coração batia tão forte. Jack nunca tinha sentido isso por alguém . Era assustador. E em ocionante.
Ouvi a respiração pesada de Conner. Já dorm ia.
Mesm o cansado, eu não conseguia dorm ir. Era im possível relaxar m inha m ente por um segundo sequer: entre Nickie, Conner e os m alditos óculos. Queria tanto m e levantar só para pegá-los na m ochila e voltar para Marbury, m as não faria aquilo com Conner. Estava determ inado. Ou talvez fosse apenas um covarde com m edo de deixá-lo nervoso de novo.
Fiquei deitado de lado, olhando pela j anela.
Vai se foder, Jack.
Então, ouvi algum a coisa se m exendo e pensei, Que ótimo, vai acontecer de novo.
Mas era Nickie.
Bem devagar, Nickie levantou a m inha coberta e enfiou as pernas em baixo dela, para dentro de m inha pequena cam a.
Achei que m eu coração ia sair pela garganta quando ela m e abraçou por trás e m e beij ou a nuca.
“Nickie”, sussurrei.
Ela não respondeu. Sua m ão percorria m eu corpo e descia pela barriga.
Trem i. “Nickie, não dá, eu... não sei fazer nada...”
Sua m ão desenhava um círculo em volta do m eu coração e quando ela apertou o corpo contra o m eu, percebi que ela não vestia nada. Podia sentir as pontas de seus m am ilos se esfregarem nas m inhas costas. Nickie m e apertava forte. Me deixei levar, trem endo todo, com o se sentisse um a coceira em cada nervo do m eu corpo. Mas era bom . Ela m e abraçou firm e, sua língua suavem ente provando m eu pescoço.
Nunca im aginei isso.
Não queria estar em nenhum outro lugar.
“Eu nunca fiz isso”, sussurrei. Estranhei m inha própria voz. Estava assustado.
“Eu sei.” Sua voz era um sussurro quente no m eu ouvido.
Ela deslizou a m ão pela m inha barriga, seus dedos subitam ente levantaram o elástico da cueca, sua m ão m orna seguindo a curva dos m eus quadris. Quando seus dedos m e agarraram , Jack parou de tentar se segurar; e tudo, rapidam ente, j orrou para fora de m im , m e senti com o se tivesse virado do avesso, por todo lado, dentro de m inha cueca, derram ando tudo sobre a m ão de Nickie.
“Ai, m eu Deus, Nickie”, sussurrei. Estava m uito assustado e envergonhado. “Desculpa.”
“Shhh...” Ela beij ou m inha orelha, e seus dedos deixaram um a trilha viscosa por m inha barriga.
Eu m e virei e m e deitei de costas. Nickie colocou o om bro debaixo do m eu braço e seus cabelos cobriram m eu peito. Estava m uito constrangido. Tinha feito um a bagunça nas cobertas e no chão, e m inha cueca estava encharcada e grudada na pele. Nickie m e beij ava devagar.
Queria ficar ali para sem pre.
Sob a tênue luz que vinha da j anela, Nickie e eu fizem os am or outras duas vezes naquela noite.
E Jack finalm ente dorm iu.