A Lente de Marbury
Capítulo 4
Q UATRO
Estava todo m undo na festa de Conner, até quem a gente não gostava. Mas é assim que as festas são depois que a notícia se espalha. Enquanto a m aior parte dos convidados j á com eçava a se em bebedar fazendo brincadeiras e j oguinhos, eu tentava ficar sóbrio, pelo m enos por um tem po.
Eu gostava de pensar que um dia Lauren e eu teríam os um encontro, ou algo assim . Alguns colegas tam bém acreditavam nisso, até m esm o alguns dos caras que sem pre m e cham avam de gay. Não sou gay. Não que isso fizesse algum a diferença. Mas às vezes parecia que até Conner ficava m e testando, e eu só queria que m e deixassem em paz. Porque eu até posso ser estranho, realm ente não m e interessava por sexo. Para falar a verdade, tinha até um pouco de m edo, por m ais que achasse Lauren incrível.
Então quando ela chegou com outras m eninas de Glenbrook, fiquei observando enquanto ela cruzava o pequeno gram ado de Kirk, e fui sorrindo até a porta para encontrá-la.
Quando atravessam os a sala, Brian Fields m e viu e gritou, “Jack e Lauren, sentem e j oguem !”
Brian era um am igo em com um . Éram os todos da m esm a equipe de cross-country: Conner, Lauren, Dana e eu. Ele estava com outros cinco caras no sofá. Devia ter um as vinte latas de cervej a na m esa de centro, então estavam j ogando algum a coisa envolvendo bebida.
Olhei para Lauren.
Ela disse, “Ok!”.
E foi só isso que Jack precisou ouvir. Ficam os um pouco com petitivos dem ais no j ogo de Brian, “A Torre”, algo que envolvia cinco copos de shot com cervej a, em pilhados com descansos de papelão entre eles, e um dado.
Nem percebi, m as em algum m om ento Lauren se levantou do sofá e não voltou.
Conner e Dana passaram depressa pela sala e acenaram para m im .
Ninguém m ais estava j ogando, então m e levantei de repente.
A casa estava m uito cheia e quente.
Tinha bebido dem ais e estava um pouco enj oado. Precisava m ij ar, o que só piorava as coisas. Mas havia um a longa fila de garotas esperando para usar o banheiro.
A m aioria dos caras nas festas sim plesm ente m ij aria no quintal, m as não queria fazer isso. Vi Brian e outros caras da escola sentados num a rodinha, fum ando m aconha, m as tam bém não queria que m e cham assem .
Subi, então, para o quarto de Conner. Eu só queria usar o banheiro dele e dorm ir.
Fui aos tropeços pelo corredor, apoiando as m ãos nas paredes para m e equilibrar. Abri a porta e entrei. A luz do banheiro estava acesa, preenchendo o quarto com o tênue reflexo quadriculado da parede de vidro.
“Tranca a porta, m ané!”
Era Conner.
Fiquei ali parado, com as costas apoiadas na porta e a m ão no trinco.
Conner estava na cam a com Dana. Estava deitado, enquanto Dana, m ontada sobre os quadris dele, de costas para Conner e segurando seus j oelhos, ia para frente e para trás e para cim a e para baixo. Ela sorriu para m im , com os olhos quase fechados.
Estavam pelados. As roupas, espalhadas pelo quarto. Conner m e observava, com um sorriso confiante e os braços dobrados atrás da cabeça, com o se estivesse deitado em um a rede. Ele disse, “Vai ficar aí olhando ou vem se divertir com a gente? A Dana não vai achar ruim .”
Era um a daquelas situações em que não há um a resposta certa a se dar.
Dana continuava a deslizar sobre Conner, gem endo.
Am bos m e observavam .
“Foi m al, Con. Eu... eu só queria um lugar para...”
Me virei e voltei para o corredor. Fechei a porta atrás de m im e pude ouvir Conner m e cham ado, “Jack! Ei! Deixa de ser bundão!”.
Esfreguei os olhos, voltei até a porta e m e perguntei, o que tem de errado comigo?
Não sabia o que fazer. Talvez devesse ter voltado para o quarto, só para acabar com aquilo de um a vez por todas e provar que não era o que pensavam de m im – quem sabe assim o m eu m elhor am igo m e deixaria em paz. Mas tam bém estava aliviado por ter saído. Quando m e virei, cam baleante, para a escada, ouvi Dana do outro lado da porta, e Conner m e cham ou m ais um a vez.
Quase rolei escada abaixo, pensando, eu devia ter ficado com eles.
Eu queria ir em bora.
E eu havia deixado m inhas chaves e m eu telefone no quarto de Conner.
Talvez tenha sido m elhor assim .
No andar de baixo, a m úsica estava tão alta que eu sentia as pernas vibrarem . O j ogo agora era “virar o copo”. Vi Lauren encolhida no canto do sofá, dorm indo.
“Jack, Jack”, alguém cham ou. “Vem dançar. Nenhum m enino quer dançar.”
Era um a das m eninas que tinham vindo com Lauren. Eu nem m esm o sabia seu nom e. Ellen ou Eileen, algum a coisa assim .
“Já volto. Preciso m ij ar”, eu disse. Saí pela porta da frente, para longe do barulho.
Foi bom m e afastar da agitação da festa. Vi uns caras m ij ando perto da casa. Nada de m ais. Eu sabia que não ia voltar lá para dentro. O chão parecia vir na direção dos m eus pés a cada passo. Vi m inha cam inhonete estacionada na rua e quis ir em bora, m as dem orei alguns m inutos até m e lem brar de que as chaves estavam no quarto de Conner, com as roupas que tinha trazido pela m anhã. Tentei apagar a cena de Conner e Dana da m em ória.
“E aí, Jack, vai um a cervej a?”
O cara que estava m ij ando perto de m im estendeu um a cervej a que estava no bolso de trás de sua calça.
“Valeu.”
Peguei a lata e segui pelo gram ado, bebendo, enquanto ia, aos tropeços, pela calçada, em direção à m inha casa, que ficava a uns dez quilôm etros dali. A noite estava tão quente que eu suava, m esm o de berm uda e cam iseta.
Não sei que fim levou aquela cervej a, m as sei qual foi o m eu fim naquela noite. Não cheguei nem m esm o ao terceiro quilôm etro. Adorm eci em um banco no Steckel Park.