A Lente de Marbury

Andrew Smith · Capítulo 8 de 59

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A Lente de Marbury

Capítulo 8

OITO

 

Quase gritei quando vi m inha cam inhonete Toy ota estacionada na calçada da casa de Conner. Alívio. Era com o se voltasse para o m undo real. Com o se tivesse rastej ado para fora de um pesadelo.

Mesm o descalço, sem cam isa e drogado com o estava, tinha cam inhado até a casa do m eu m elhor am igo antes do nascer do sol. E a cada passo tem ia que Freddie m e encontrasse, então m e escondia quando via a luz de qualquer farol. Cheguei a pensar que j á estava m orto e que era apenas a m inha alm a que vagava pelas redondezas de Paso Robles naquela noite de verão, à procura de um lugar para descansar.

Esm urrei a porta até Conner descer. Ele estava só de cueca e em punhava um taco de beisebol.

“Jack!” Conner abaixou o taco e abriu toda a porta “Caralho, o que aconteceu com você?!”

“Algo m uito ruim , Con.”

“Mas o quê?”

Entrei e m e sentei na escada. Com a cabeça entre os j oelhos, olhei para a barra da perna direita da calça encharcada de sangue.

“Não sei. Preciso tom ar um banho e trocar de roupa. E dorm ir.”

“Tudo bem , Jack, tudo bem .”

Dorm i na cam a dele. Fiz Conner prom eter que ficaria com igo até eu acordar, e tam bém o fiz prom eter que não falaria com igo nem m e perguntaria nada até que eu conseguisse dorm ir e colocar a cabeça no lugar. Ele concordou.

De noite, abri os olhos e entrei em pânico. Precisei apalpar os lençóis para ter certeza de que não tinha sonhado e de que m inha perna não continuava presa. Tirei as cobertas de cim a de m im com tudo e olhava para os lados freneticam ente, e então vi Conner, que tinha se arrastado para a cam a e dorm ia ao m eu lado. Adorm eci novam ente.

Quando acordei, havia dois copos grandes de café da Starbucks sobre o criado-m udo. Acho que olhei para eles por um bom tem po. Conner m e observava, na cadeira de sua escrivaninha com os pés apoiados. Ele deu um chute de leve no m eu pé.

“Pedi pra entregarem ”, ele disse. “Paguei cinquenta contos pro cara vir aqui.”

Desviei o olhar para ele.

“Pode acreditar”, Conner insistiu. “Eu disse que não sairia. Tom e.”

Ele se levantou, pegou um dos copos e m e deu.

Sentei e m e recostei.

“Que horas são?”, perguntei.

“Três da tarde. Meus pais devem chegar antes da m eia-noite. Todo m undo está tentando ligar para você. A bateria do seu telefone m orreu.”

“Todo m undo?”

“Bem , não todo m undo. Seus avós.”

“O que você falou pra eles?”

“Falei que a bateria do seu celular acabou e que você voltaria quando m eus pais chegassem . Está tudo bem . Você sabe, eles confiam em você.”

Conner se sentou na cam a, ao m eu lado. “Você se enfiou em algum a encrenca?”

“Não.”

Ele chegou m ais perto, com o se estivesse se confessando, quase sussurrando. “Ficou bravo com igo? Pelo que aconteceu na festa? Tipo, eu só queria... sei lá. Desculpa se eu te deixei puto, Jack.”

“Não fiquei bravo com você, Con.”

Ele sentou ereto, suspirando. “Ok! Porque eu... você sabe, não quero que você fique estranho com igo logo antes da viagem . Sério, cara, vou te arrum ar um a m ulher lá, você vai ver.”

Ele deu um sorriso am arelo.

Conner encostou os lábios no copo de café e os afastou rapidam ente. “Essa porcaria não esfria nunca!” Ele deu outro sorriso constrangido. “Então, cara. O que aconteceu?”