A Lente de Marbury

Andrew Smith · Capítulo 1 de 59

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A Lente de Marbury

Parte um: A Hora da Ametista

Parte um

A HORA DA AMETISTA

Acho que no passado, em outros lugares, m eninos com o eu geralm ente acabavam se contorcendo e esperneando no vão em baixo da forca.

Não é de se espantar que eu tam bém m e tornei um m onstro.

Quer dizer, o que se poderia esperar, afinal?

Todos os garotos que conheço – e todos que j á conheci – conseguem se lem brar do m om ento específico no passado que os tornou quem são, sem a m enor hesitação. Norm alm ente, são m om entos que envolvem coisas com o j ogar bola ou aprender a pescar ou a aj ustar o bico das velas do carro com o pai. Coisas do gênero.

Já o m eu m om ento aconteceu no verão passado, quando tinha 16 anos.

Foi quando eu fui sequestrado.

 

UM

 

Vou fazer um esquem ão pra você.

É com o um a daquelas bonecas russas que você abre e tem outra, aí abre de novo e tem m ais um a. E cada peça se torna algo diferente.

Do lado de fora está o universo, pintado de roxo-escuro, enfeitado de planetas, com etas e estrelas. Então você abre e vê a Terra e, quando esta se abre, vem os Marbury, um lugar que se parece com este m undo, exceto pelo fato de que as coisas horríveis de Marbury não são difíceis de ver. Todas elas estão pintadas bem na superfície, ao alcance dos olhos.

A próxim a peça é Henry Hewitt, o hom em de óculos, e, ao abri-lo, vem os m eu m elhor am igo, Conner Kirk, pintado com o um deus Hindu: braços com o serpentes, radiante e de torso nu.

Quando você o abre, surge Nickie Strom berg, a m enina m ais linda que j á vi, e talvez a única pessoa neste m undo, além de Conner, que realm ente tenha m e am ado.

Agora está quase term inando; a próxim a peça é Freddie Horvath. Este é o hom em que m e sequestrou.

Logo depois, há um vulto pálido de um m enino, Seth, um fantasm a de Marbury que m e encontrou e m e aj udou. Acho que ele estava m e procurando há m uito tem po. E, no interior de todas as outras peças, eu: John Wy nn Whitm ore.

Mas todos m e cham am de Jack.

Mas, então, eu m e abro tam bém , e o que surge é algo pequeno, preto e enrugado.

O centro do universo.

Brincadeira legal, não foi?

Não sei se o que vej o e faço em Marbury está no futuro ou se vem do passado. Talvez tudo estej a acontecendo ao m esm o tem po. O que sei é que desde que com ecei a visitar aquele lugar não pude m ais parar. Sei que parece loucura, m as com ecei a m e sentir m ais seguro em Marbury ; pelo m enos lá as coisas eram m ais previsíveis do que o aqui e agora.

Preciso explicar.