A Lente de Marbury
Capítulo 5
CINCO
“Ei, garoto.”
Senti um a m ão em m eu om bro, m e chacoalhando.
“Tudo bem com você, m enino?”
Vi um rosto se aproxim ar do m eu. Senti o calor de seu hálito.
“Precisa de algum a aj uda? Está m achucado ou algo assim ?”
“Hã?”, cobri os olhos com a m ão. Minha cabeça doía. O suj eito olhava bem dentro dos m eus olhos, buscando algum sinal de consciência.
“Você tom ou algum a coisa esta noite, garoto?
Não sabia ao certo onde estava, tive de pensar, m e lem brar. O hom em cheirava a café e cigarros. Estava todo vestido de verde, talvez fosse um m édico. Pensei que talvez estivesse em um pronto-socorro, m as estava m uito escuro para ser um hospital.
“Onde estam os?”
“Pois é”, ele disse. Ouvi ele m e cheirando. “Bebeu m uito?”
“Hã?”
“Consegue ficar sentado?”
“Estou bêbado.”
O hom em m e levantou. Tinha m ãos m ornas e cuidadosas. Quando m e sentei, tudo rodou com o um a bússola em um corredor de ím ãs.
“Sabe onde está?”
Não.
“Estava em um a festa. Estava tentando voltar para casa”, – respondi.
O hom em olhou por cim a dos m eus om bros. Pensei que ele estava tentando ver se havia outros garotos ali, com o se alguém soubesse o que fazer com igo. Eu podia ouvir m úsica vindo de algum lugar. Lem brei que o parque ficava em frente ao Java & Jazz. Era j azz.
O hom em ainda m e olhava fixam ente.
“Você vai vom itar?”
“Não.”
“Onde você m ora?”
“Glenbrook.”
Tentei levantar, m as era com o se m inha cabeça estivesse sem sangue. Caí sentado sobre o banco novam ente.
“Sou m édico, trabalho no Regional. Se quiser um a carona, vou para aqueles lados.”
Passando os braços debaixo dos m eus, o hom em m e colocou de pé. “Mas nada de vom itar no m eu carro!”
“Não, está tudo bem ”, eu disse. “Dá para ir andando.”
Ele m e soltou. “Tem certeza? Não tem problem a, posso te levar.”
“Está tudo bem ”, repeti.
O hom em se virou. Perdi o equilíbrio e, de repente, estava no chão, apoiado sobre as m ãos e os j oelhos.
Ele se virou para m im novam ente. “É m elhor eu ligar para alguém .” E j á estava pegando o celular preso no elástico da calça verde e larga.
“Não”, eu disse. “Você pode m e dar um a carona, então?”
Ele sorriu e m e aj udou a ficar em pé de novo. “Claro.”
Ele m e disse que se cham ava Freddie Horvath. Até m e deu seu cartão, talvez para provar algo. Não sabia o que fazer com o cartão de um m édico, então o coloquei na carteira, que caiu no chão quando tentei guardá-la no bolso. Freddie riu, pegou a carteira do chão e m e devolveu.
“Eu m e lem bro com o era ser um m oleque. Você vai ficar bem .”
Ele estava sendo prestativo, e confiei nele. Mas estava bêbado e agindo de form a estúpida.
Apaguei novam ente na Mercedes de Freddie. Acordei com o tranco que m inha cabeça deu para frente. O carro tinha parado em algum lugar que eu não conhecia. Precisava pensar, de novo, sobre onde estava, j untar os acontecim entos desconexos da festa: tinha encontrado Conner e Dana e acabado, não sabia com o, dorm indo no carro que estava agora parado na porta de um a casa escura que eu nunca tinha visto.
“Que idiota”, disse Freddie. “Esqueci m eu crachá em casa. Já volto.”
Abriu a porta. Eu poderia j urar que ele estava usando um crachá quando m e encontrou no parque.
“Onde estam os?”
“Não se preocupe”, respondeu. “Já devem os estar bem perto da sua casa. Já volto. Quer água? Deve estar com sede, não?”
Minha cabeça latej ava. Minha boca estava seca.
“Obrigado”, eu disse.
Ele fechou a porta do m otorista e deu a volta no carro. Fiquei observando enquanto ele vinha abrir a m inha porta.
“Quer entrar?”
Sei que fui idiota, j am ais deveria ter aceitado a aj uda dele. Mas, com o era um m édico, acabei ignorando o fato de se tratar de um com pleto estranho. Ainda assim , tudo o que eu queria era chegar em casa; queria apressá-lo tam bém .
“Obrigado”, eu disse. ”Vou esperar aqui.”
Freddie sorriu. “Não vou dem orar, John.”
John?
Não tinha dito m eu nom e a ele. Ao m enos eu achava que não. Im aginei que talvez tivesse olhado m inha licença de m otorista quando deixei a carteira cair, porque nunca diria que m eu nom e era John.
Passei a m ão sobre o bolso. A carteira ainda estava lá.
Acenei e agradeci, “Obrigado”.
Freddie não dem orou a voltar com seu crachá preso à cam isa e um a garrafa de água. Ele entrou, ligou o carro e m e entregou a garrafa.
“Está se sentindo bem ?”, perguntou.
Eu estava com sede. “Estou, sim . Obrigado.”
Abri a garrafa e bebi.
Eu j á estava inconsciente antes m esm o de Freddie ligar o carro.