A Lente de Marbury
Capítulo 17
DEZESSETE
Meia-noite.
Fazia frio, fechei a j anela. Deixei as cortinas abertas e tirei m inha roupa para dorm ir. Deitado ali, olhava para o quarto que quase brilhava sob o luar prateado refletido pelo vidro irregular da j anela antiga.
No m eio da noite, ouvi algo se m exendo dentro do quarto.
Prim eiro, o ruído de algum a coisa rolando debaixo da cam a.
Com o na cam a de Freddie.
Melhor olhar logo, Jack.
Devia ser algo pequeno e esférico, de m adeira – talvez um carretel de linha, talvez um a noz. Enquanto o obj eto rolava, m edia a distância pelo som que fazia. Parecia ir de um lado ao outro da cam a. Rolava e parava. E então, três batidas. Depois rolava para o outro lado.
Ele deixou minha cabeça assim.
Melhor olhar, Jack.
Rolava e dava três leves batidas. Cruzava o chão, traçando um a linha horizontal im aginária bem no centro de m inha barriga.
Silêncio.
Rolava e... Tac.
Tac.
Tac.
Com o se alguém estivesse batendo na porta, m as tinha certeza de que o barulho vinha de debaixo da cam a.
Afastei as cobertas e acendi o abaj ur. Sei que foi um reflexo ridículo, m as a prim eira coisa que fiz foi olhar para m eu pé, para ter certeza de que não estava preso novam ente. Passei as m ãos sobre o tornozelo e depois m e agachei para ver o que havia debaixo da cam a.
O que você está procurando, Jack? Alguma maneira de fugir?
Não se engane, Jack. Você ainda não conseguiu escapar de nada.
Não via nada. Tudo escuro. Estiquei o braço para trazer o abaj ur para perto. Ele ficou dependurado no criado-m udo, balançando lentam ente. De j oelhos, apoiei o rosto e as m ãos no chão.
Piso de m adeira.
Ouvi um sussurro sibilante, com o se alguém fizesse “shhh”, ou dissesse algo. Era m uito real.
Ele deixou minha cabeça assim.
Não havia nada lá.
Não se engane.
Você ainda não conseguiu escapar de nada.
Perm aneci no chão. Estava tão cansado. Voltei para a cam a e apaguei o abaj ur.
Dorm i.