Depois

Stephen King · Capítulo 8 de 72

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Depois

Capítulo 7

 

Agora, olha só isso.

Outono de 2009. Obama é o presidente e a economia está começando a melhorar aos poucos. Para nós, nem tanto. Estou no terceiro ano e a prof. Pierce me manda resolver os problemas com frações no quadro porque sou bom nessas porras. Eu já fazia porcentagem quando tinha sete anos — filho de agente literária, lembra. As crianças atrás de mim estão agitadas porque estamos naqueles dias estranhos de aulas entre o Dia de Ação de Graças e o Natal. O problema é fácil como passar manteiga derretida na torrada, e estou terminando quando o sr. Hernandez, o vice-diretor, coloca a cabeça na sala. Ele e a prof. Pierce conversam rapidinho em cochichos e a prof. Pierce me pede para ir para o corredor.

Minha mãe está esperando lá, pálida como um copo de leite. Leite desnatado. Meu primeiro pensamento é que o tio Harry, que agora tem uma placa de aço no crânio para proteger seu cérebro inútil, morreu. O que, de um jeito meio horrendo, seria uma coisa boa, porque diminuiria nossas despesas. Mas, quando pergunto, ela diz que o tio Harry, que naquela época estava morando em um residencial de terceira categoria em Piscataway (ele foi indo cada vez mais para o oeste, como um pioneiro arrombado com morte cerebral), está bem.

Minha mãe me leva pelo corredor e porta afora antes que eu possa fazer mais perguntas. Tem um Ford sedã com uma luz sinalizadora azul no painel estacionado junto ao meio-fio amarelo onde os pais deixam e buscam os filhos. Parada ao lado com uma jaqueta azul e NYPD no peito está Liz Dutton.

Minha mãe está me levando correndo para o carro, mas firmo os pés no chão e a faço parar.

— O que foi? — pergunto. — Me conta!

Não estou chorando, mas quase. As notícias ruins foram muitas desde que descobrimos sobre o Fundo Mackenzie, e acho que não aguento mais nenhuma, mas é o que ouço. Regis Thomas morreu.

A joia caiu da nossa coroa.