Depois

Stephen King · Capítulo 31 de 72

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Depois

Capítulo 30

 

Eu estava quase dormindo quando dois gatos começaram a miar como loucos e despertei em um sobressalto. Nós morávamos no quinto andar e eu talvez não tivesse ouvido, nem a barulheira de latas de lixo que veio depois, se a minha janela não estivesse aberta para entrar ar fresco. Eu me levantei para fechar e parei com as mãos na base da janela. Therriault estava parado do outro lado da rua, em uma área iluminada pela luz de um poste, e eu soube na mesma hora que não foi briga que fez os gatos miarem. Eles miaram de medo. O bebê no canguru o viu; os gatos também. Ele assustou os gatos de propósito. Sabia que eu iria até a janela, assim como sabia que Liz me chamava de campeão.

Ele sorriu com aquela cabeça semidestruída.

Ele me chamou com a mão.

Eu fechei a janela e pensei em ir para o quarto da minha mãe dormir com ela, só que eu estava grande demais para isso, e ela faria perguntas. Então, em vez disso, fechei a persiana. Voltei para a cama e fiquei deitado olhando a escuridão. Nunca tinha acontecido nada assim. Nenhuma pessoa morta havia me seguido até em casa, como a porra de um cachorro de rua.

Não importa, pensei. Em três ou quatro dias ele vai sumir, como todos somem. Uma semana, no máximo. E ele nem pode te fazer mal de verdade.

Mas eu tinha como ter certeza? Deitado no escuro, me dei conta de que não sabia. Ver pessoas mortas não queria dizer conhecer pessoas mortas.

Eu finalmente voltei para a janela e espiei pela fresta da persiana, com a certeza de que ele ainda estaria lá. Talvez ele até me chamasse de novo. Um dedo esticado… e se curvando. Vem cá. Vem pra mim, campeão.

Não tinha ninguém na luz do poste. Ele tinha ido embora. Voltei para a cama, mas demorei muito para dormir.