Depois

Stephen King · Capítulo 29 de 72

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Depois

Capítulo 28

Nós subimos. Minha mãe fez café e me deu uma xícara. Foi a minha primeira, e sou doido por café desde esse dia. Contei quase tudo para ela. Que Liz ficou me esperando na frente da escola. Que me disse que vidas dependiam de encontrarmos a última bomba do Thumper. Que fomos ao hospital e ao prédio do Therriault. Até contei como Therriault estava horrível com a cabeça explodida e deformada de um lado. O que eu não contei foi que me virei e o vi parado atrás do carro da Liz, tão perto que poderia ter segurado meu braço… se as pessoas mortas pudessem segurar, uma coisa que eu não queria descobrir, de qualquer modo. E não contei para ela o que ele disse, mas, naquela noite, quando fui para a cama, ficou ecoando na minha cabeça como um sino quebrado: “A gente se vê… campeão”.

Minha mãe ficou dizendo tudo bem e eu entendo, só que cada vez parecendo mais abalada. Mas ela devia saber o que estava acontecendo em Long Island, e eu também. Ela ligou a televisão e nós nos sentamos no sofá para assistir. Lewis Dodley, do NY1, estava fazendo uma reportagem de rua com cavaletes da polícia bloqueando o local.

— A polícia parece estar levando a dica a sério — disse ele. — De acordo com uma fonte no Departamento de Polícia do Condado de Suffolk…

Eu me lembrei do helicóptero de televisão sobrevoando o Frederick Arms e concluí que devia ter dado tempo de ir até Long Island, então peguei o controle remoto no colo da minha mãe e mudei para o Channel 4. E, realmente, lá estava o teto do supermercado King Kullen. O estacionamento estava cheio de viaturas da polícia. Perto da entrada principal havia uma van grande que devia ser do Esquadrão Antibombas. Vi dois policiais com capacete e dois cachorros de coleira entrando. O helicóptero estava alto demais e não dava para ver se os policiais do Esquadrão Antibombas estavam de coletes à prova de balas e armaduras além dos capacetes, mas tenho certeza de que sim. Mas não os cachorros. Se a bomba do Thumper explodisse quando eles estivessem lá dentro, os cachorros virariam mingau.

O repórter do helicóptero estava dizendo:

— Nos disseram que todos os clientes e funcionários foram evacuados com segurança. Apesar da possibilidade de ser só mais um alarme falso, e houve muitos durante o reinado de terror do Thumper — (pois é, ele realmente disse isso) —, levar essas coisas a sério sempre é o caminho mais inteligente. Nós só sabemos que esse foi o local da primeira bomba do Thumper e que nenhuma bomba foi encontrada ainda. De volta ao estúdio.

A imagem atrás dos âncoras mostrava Therriault, talvez a foto do documento do hospital City of Angels, porque ele estava bem velho. Ele não era nenhum astro de cinema, mas estava com uma aparência bem melhor do que quando estava sentado naquele banco. A dica inventada da Liz podia não ter sido levada tão a sério se não tivesse feito os detetives mais velhos do departamento lembrarem um caso da infância deles, o de George Metesky, chamado de Mad Bomber pela imprensa. Metesky plantou trinta e três bombas-tubo durante seu reinado de terror, que durou de 1940 a 1956, e a semente foi um ressentimento parecido, no seu caso contra a Consolidated Edison.

Algum pesquisador ágil do departamento de notícias também fez a conexão, e o rosto de Metesky apareceu em seguida ao fundo, atrás dos âncoras, mas minha mãe não se importou de olhar para o cara velho… que achei estranhamente parecido com Therriault usando o uniforme de funcionário do hospital. Ela pegou o celular e foi murmurando até o quarto atrás do caderno de telefones, supostamente por ter apagado o número da Liz depois da discussão delas sobre a coisa séria.

Passou um comercial de um remédio e fui até a porta do quarto dela para ouvir. Se tivesse esperado, não teria ouvido porra nenhuma, porque a ligação não durou quase nada.

— É Thia, Liz. Escuta e não fala uma palavra. Vou guardar segredo disso por motivos que deveriam ser óbvios pra você. Mas, se você algum dia incomodar meu filho de novo, se ele só precisar te ver, vou acabar com a sua vida até não sobrar nada. Você sabe que eu consigo. Só precisaria de um empurrãozinho. Fica longe do Jamie.

Voltei correndo para o sofá e fingi estar absorto no comercial seguinte. O que acabou sendo tão inútil quanto um touro com tetas.

— Você ouviu?

Os olhos dela estavam ardendo, me mandando não mentir. Eu assenti.

— Que bom. Se você a vir de novo, foge correndo. Pra casa. E me conta. Entendeu?

Eu assenti de novo.

— Tudo bem, tá, tá, tá. Vou pedir comida. Quer pizza ou chinesa?