Depois

Stephen King · Capítulo 24 de 72

Páginas do PDF

Depois

Capítulo 23

O Frederick Arms tinha doze ou catorze andares e era feito de tijolos cinzentos com barras nas janelas nos apartamentos do primeiro e do segundo andar. Para um garoto que cresceu no Palácio na Park, parecia mais a prisão de Um sonho de liberdade do que um prédio de apartamentos. E Liz soube na mesma hora que não poderíamos entrar no prédio e menos ainda no apartamento de Kenneth Therriault. O local estava infestado de policiais. Os curiosos estavam parados no meio da rua, tão perto dos cavaletes da polícia quanto dava, tirando fotos. As vans dos canais de televisão estavam estacionadas dos dois lados do quarteirão com as antenas no teto e cabos serpenteando para todos os lados. Havia até um helicóptero do Channel 4 no ar.

— Olha — falei. — Stacy-Anne Conway! Ela é do NY1!

— Pergunta se eu ligo pra isso — disse Liz.

Eu não perguntei.

Tivemos sorte de não dar de cara com repórteres no Central Park e no City of Angels, e me dei conta de que o único motivo para isso era que estavam todos ali. Olhei para Liz e vi uma lágrima escorrendo por uma bochecha dela.

— Talvez a gente possa ir ao enterro dele. Pode ser que ele esteja lá.

— É provável que ele seja cremado. Em particular, por conta da cidade. Sem parentes. Ele viveu mais do que todos. Vou te levar pra casa, campeão. Desculpa por te arrastar até aqui.

— Tudo bem — falei, e dei um tapinha na mão dela. Eu sabia que a minha mãe não ia gostar de eu fazer isso, mas minha mãe não estava lá.

Liz deu meia-volta e seguiu na direção da ponte de Queensboro. A um quarteirão de Frederick Arms, olhei para um mercadinho e falei:

— Ah, meu Deus. Ali está ele.

Ela virou o rosto para mim com os olhos arregalados.

— Tem certeza? Tem certeza, Jamie?

Eu me inclinei para a frente e vomitei entre os tênis. Essa foi toda a resposta de que ela precisou.