Depois
Capítulo 10
Passamos pelo drive-thru do Burger King de Tarrytown e ganhei um hambúrguer, como me prometeram. Um milk-shake de chocolate também. Minha mãe não queria parar, mas Liz insistiu.
— Ele é um menino em fase de crescimento, Liz. Precisa comer, mesmo que você não queira.
Gostei mais dela por ter dito isso, e havia outras coisas que me faziam gostar dela, mas também havia coisas de que eu não gostava. Coisas grandes. Vou chegar nessa parte, vou ter que chegar, mas agora vamos só dizer que meus sentimentos por Elizabeth Dutton, detetive de segundo grau da Polícia de Nova York, eram complicados.
Ela disse uma coisa antes de chegarmos a Croton-on-Hudson que tenho que mencionar. Estava só jogando conversa fora, mas acabou sendo importante depois (eu sei, essa palavra de novo). Liz disse que Thumper tinha finalmente matado uma pessoa.
O homem que se chamava Thumper aparecia no noticiário local de vez em quando havia alguns anos, principalmente no NY1 , que minha mãe via quase todas as noites enquanto preparava o jantar (e às vezes quando a gente estava comendo se o dia tivesse sido interessante para as notícias). O “reinado de terror” do Thumper — valeu, NY1 — tinha começado antes mesmo de eu nascer, e ele era uma espécie de lenda urbana. Sabe como é, tipo o Slender Man e o Homem do Gancho, só que com explosivos.
— Quem? — perguntei. — Quem ele matou?
— Quanto tempo ainda falta pra chegar? — perguntou minha mãe. Ela não tinha nenhum interesse no Thumper; já tinha um pepino enorme nas mãos.
— Um cara que cometeu o erro de tentar usar um dos últimos telefones públicos de Manhattan — disse Liz, ignorando minha mãe. — O esquadrão antibombas acha que explodiu na mesma hora que ele pegou o fone. Duas bananas de dinamite…
— A gente tem mesmo que falar sobre isso? — perguntou minha mãe. — E por que todos os malditos sinais estão vermelhos?
— Duas bananas de dinamite coladas debaixo da prateleirinha onde as pessoas colocam as moedas — prosseguiu Liz, inabalada. — O Thumper é um FDP criativo, isso a gente tem que admitir. Vão montar outra força-tarefa, a terceira desde 1996, e vou tentar entrar. Eu fui da última e acho que tenho chance, e a grana extra vai cair bem.
— O sinal ficou verde — disse minha mãe. — Vai.
Liz foi.