Depois

Stephen King · Capítulo 27 de 72

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Depois

Capítulo 26

Nós só seguimos por três quarteirões e ela parou de novo. Ela pegou o celular (o de verdade, não o descartável), depois me olhou e viu que eu estava tremendo. Acho que um abraço teria feito bem naquele momento, mas só ganhei um tapinha no ombro, supostamente de solidariedade.

— É uma reação retardada, moleque. Sei bem como é. Vai passar.

Ela fez uma ligação, se identificou como detetive Dutton e pediu para falar com Gordon Bishop. Ela devia ter ouvido que ele estava trabalhando, porque disse:

— Não quero saber se ele está em Marte. Passa a ligação. Isso é Prioridade Um.

Ela esperou, batendo com os dedos da mão livre no volante. Em seguida, se empertigou.

— É Dutton, Gordo… não, sei que não, mas você precisa ouvir isso. Acabei de receber uma dica sobre Therriault vinda de uma pessoa que entrevistei quando estava nela… não, não sei quem. Você precisa olhar o King Kullen de Eastport… onde ele começou, isso mesmo. Faz certo sentido, se pararmos pra pensar. — Ela ouviu. — Você está brincando? Quantas pessoas a gente entrevistou na época? Cem? Duzentas? Escuta, vou botar a mensagem pra você ouvir. Eu gravei. Isso supondo que meu telefone tenha funcionado.

Ela sabia que tinha gravado; ela verificou no trajeto curto de três quarteirões. Ela tocou a mensagem para ele e, quando acabou, falou:

— Gordo? Você… merda. — Ela encerrou a ligação. — Ele desligou. — Liz abriu um sorriso seco. — Ele odeia minha fuça, mas vai conferir. Ele sabe que a culpa vai ser dele se não verificar.

O detetive Bishop verificou, porque, àquela altura, eles tinham tido tempo de começar a remexer no passado de Kenneth Therriault e encontrado uma pérola que se destacou à luz da “dica anônima” da Liz. Bem antes da carreira na construção e da carreira pós-aposentadoria como funcionário do City of Angels, Therriault cresceu na cidade de Westport, que é, claro, ao lado de Eastport. Quando estava no último ano do ensino médio, ele trabalhou como empacotador e estoquista no King Kullen. Onde foi pego furtando. Na primeira vez que foi pego, Therriault recebeu um aviso. Na segunda, foi preso. Mas parece que roubar era um hábito difícil de largar. Mais tarde, ele passou a roubar dinamite e detonadores. Um bom estoque de ambos foi encontrado depois em um depósito no Queens. Tudo velho, tudo do Canadá. Acho que as revistas de fronteira eram bem menos minuciosas naquela época.

— A gente pode ir pra casa agora? — pedi a Liz. — Por favor.

— Pode. Você vai contar pra sua mãe sobre isso?

— Não sei.

Ela sorriu.

— Foi uma pergunta retórica. Claro que vai. E tudo bem, não me incomoda nadinha. Sabe por quê?

— Porque ninguém acreditaria.

Ela deu um tapinha na minha mão.

— Isso aí, campeão. Na mosca.